Quando o homem compreende que seus pensamentos e idéias não são os veículos por meio dos quais se manifestam o pensar e sentir humanos, como efetivamente deveria acontecer, e sim que os homens mesmos se converteram – salvo exceções – em veículos dos pensamentos e idéias que povoam os ambientes, sua atitude mais lógica, prudente e razoável deve ser a de pôr-se em guarda contra os perigos dessa subversão dos valores essenciais do indivíduo.
Acaso não temos visto corroborada essa subversão nas últimas décadas? Não a estamos vendo, ainda hoje, em países onde governam regimes totalitários, convertendo os homens em dóceis instrumentos de idéias extremistas e de pensamentos dissolventes, que os incitam a percorrer o mundo para apregoá-los, como meros autômatos sem alma e sem sentimentos?Queira-se ou não, a falta de conhecimentos que signifiquem a adoção de uma conduta segura e inflexível nesse particular, é a causa do mal-estar reinante, da desorientação e da incerteza acerca do futuro da sociedade humana.
Ao encarar os problemas da vida, sempre foi preocupação básica da Logosofia esta questão das defesas mentais, por entender que é vitalíssima e porque o mal assume uma gravidade tal, que é de todo necessário tratá-lo clinicamente – digamos assim – em seu próprio foco de perturbação, em sua raiz e em sua causa. Somos inimigos dos paliativos, que não vão além de contemplar as circunstâncias, e com os quais apenas se trata de atenuar os efeitos. Eles não curam o mal, como o exige a saúde moral e psicológica da humanidade.
As defesas mentais surgem iluminando a inteligência quando quem deseja conservar intacta sua individualidade, como entidade consciente, aprende a diferençar os dois setores em que a família humana se divide: o dos que são donos de seus pensamentos e governam suas vidas sob os ditames das próprias inspirações, e o daqueles que são vulgares serviçais dos pensamentos que arrastam o indivíduo como autômato – repetimos – pelas sinuosas sendas do erro, do desvio e da infração das leis penais e humanas. Resumindo, as ditas defesas surgem espontaneamente, como resultado da vida consciente.
Não se deverá esquecer que as debilidades humanas contribuem para tornar mais crítica a vulnerabilidade mental. Impõe-se, pois, o fortalecimento da vida, alertando os pensamentos que obedecem a convicções conscientes e profundas, para que constituam uma muralha intransponível, em defesa ante aqueles outros que atentam contra a paz e a segurança internas. É necessário adestrar-se no exercício dessas atitudes, que a vontade haverá de reforçar em cada caso, a fim de poder ampliar, sem limitações, o campo da liberdade individual; dizemos isso porque a posse do domínio das situações significa uma verdadeira liberação, quando é conseguida sob os auspícios insubstituíveis da confiança em si mesmo, ou seja, das próprias defesas mentais.
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