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Direito em Foco | Crônicas do mundo real I

Por: Gustavo de Miranda
13/11/2020 11:10 - Atualizado em 13/11/2020 11:15
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No início do ano passado, um cliente foi visitado por um sujeito, dono de uma empresa dessas telecom, terceirizadas das grandes telefônicas que intermediam a venda e revisão planos de telefonia empresarial sob comissão.

O rapaz sugeriu um plano mais barato, meu cliente aceitou e entregou os documentos para que fizesse a portabilidade do plano. Acontece que o sujeito levou os documentos da empresa do meu cliente para fazer o serviço, entretanto, além de efetuar a portabilidade de quatro números e fixar um pla- no, ele contratou sem permissão ou requisição mais treze linhas telefônicas. Treze.

Quando o susto chegou, fomos nas barbas do sujeito. Pressionado, o estelionatário inventou mil desculpas, disse que foi um erro da sua empresa, que encaminharia por sua conta o cancelamento das linhas, a exclusão das multas e tal. Mas não fez nada disso.

O resultado: meu cliente teve o nome inscrito no Serasa, conseguimos tirar o registro e ainda vamos longe discutindo no processo, onde a Vivo apenas cobra um débito em nome da empresa causado por um golpe de um estelionatário que até agora não apareceu para o processo, e ainda ficou ofendido quando questionado.

Depois que conheci os procedimentos que essas empresas intermediadoras têm, me espantei com a facilidade que é se passar por outra pessoa para vender planos telefônicos. Veja só: o estelionatário criou um email com nome e sobrenome do sócio administrador da empresa requisitando as linhas para a Vivo, em seu nome, e ela aceitou!

Essa gente se cria porque as pessoas não vão atrás de informação, e pra não ter que ir atrás, aceitam os caminhos mais curtos oferecidos por estelionatários, golpistas e toda claque de atravessadores oportunistas que aparece, e só vão ver o tamanho do prejuízo quando a água bateu no pescoço. Por outro lado, desconfiar de tudo e de todos é um itinerário ainda pior, você fica trancado na dúvida, o negócio é sempre buscar informação para compreender os meios e evitar prejuízos.

Parafraseando Tom Jobim, o Brasil não é para principiantes. Realmente. Um sujeito escorregadio aplica um golpe desses só para ganhar mais comissão no fim do mês (corrijo, roubar de uma empresa usando o nome de outra) e ainda se ofende, pede respeito.

Depois, se esconde do processo, muda até de endereço, e começa um novo ciclo, pois o boletim de ocorrência aberto na época do golpe, não teve efeito criminal prático, ou seja, há um estelionatário trabalhando impune por aí. Enquanto isso, um empregador terá que atrasar o salário de vários empregados porque o banco negou-lhe crédito por uma inscrição no Serasa de uma conta que não pediu. Sim, exato, é muito injusto.


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