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Ministério Público pede a cassação da chapa de Volnei Morastoni e Marcelo Sodré em Itajaí

Ação aponta supostos abuso do poder político e distribuição gratuita ilegal de bens em período eleitoral
Divulgação Volnei e Marcelo foram eleitos em 15 de novembro com 49.888 votos Volnei e Marcelo foram eleitos em 15 de novembro com 49.888 votos

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ingressou com Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra a chapa vencedora da eleição a prefeito de Itajaí - formada pelo atual chefe do Executivo, Volnei Morastoni, com Marcelo Sodré como vice-prefeito - por abuso de poder político e distribuição gratuita de bens em período eleitoral, o que é vedado pela legislação.

Na ação, a promotora de Justiça Cristina Balceiro da Motta, que atua perante a 97ª Zona Eleitoral de Itajaí, relata dois fatos supostamente ilegais que considera terem desequilibrado a disputa eleitoral em favor do atual Prefeito, e por este motivo requer à Justiça Eleitoral a cassação da chapa.

Um dos fatos foi a distribuição de microchips para aparelhos celulares a 500 famílias de baixa renda, apenas duas semanas antes das eleições, sob o argumento de possibilitar aos alunos o acesso às aulas oferecidas na modalidade on-line. Sustenta a promotora de Justiça que a distribuição é ilegal por ter sido feita em período eleitoral, sem qualquer lei ou aprovação orçamentária e utilizando a mão de obra dos servidores da Secretaria Municipal de Educação.

Acrescenta, ainda, que a escolha dos beneficiados foi feita sem análise prévia se o aluno já estava acessando as aulas por outro meio eletrônico, o que considera provável, já que o dispositivo foi doado sete meses após a suspensão das atividades presenciais. Ressalta, também, que a distribuição foi uma ação social da Central Única de Favelas (CUFA), mas este fato foi omitido em todo o processo de distribuição.

De acordo com a promotora de Justiça, ainda que a aquisição chips não tenha sido praticada com recursos da Administração Municipal, os serviços, mão de obra, meios de comunicação e estrutura física utilizados pertencem ao Município e supostamente foram empenhados a fim de favorecer a captação de eleitores por meio de uma ação ilícita, contudo com aparência de projeto social.

O outro fato supostamente ilegal apontado foi relativo à divulgação pela Prefeitura de relatório contendo porcentagens inverídicas sobre a letalidade pelo vírus Covid-19 após o uso do medicamento homeopático Câmphora, que distribuiu a população como medida preventiva à pandemia.

Segundo a promotora de Justiça, o Ministério Público recomendou ao Prefeito expor os dados verdadeiros à população e alertar que quem ingeriu o produto não obteve qualquer imunização, além de frisar a necessidade de manter os cuidados básicos como isolamento social, uso de máscaras e álcool gel.

Ao receber a recomendação, o Prefeito respondeu ao Ministério Público que a acataria. No entanto, o prazo para atendimento expirou no dia 6 de novembro, sem qualquer correção da informação equivocada.

Para a promotora de Justiça, o Prefeito teria permanecido inerte a fim de beneficiar sua candidatura à reeleição, a qual seria seriamente prejudicada caso os dados corretos fossem publicados antes do pleito, uma vez que nos meses que antecederam o período eleitoral, a distribuição do medicamento foi a todo momento exposto como um fato heroico de sua gestão.

Na ação, ainda não julgada pela Justiça Eleitoral, o Ministério Público requer, além da cassação da chapa, a declaração da inelegibilidade do Prefeito e seu candidato a vice por oito anos.


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