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Resultados de pesquisa sobre os aquíferos Guarani e Serra Geral auxiliam na tomada de decisões da gestão das águas catarinenses

Por: LÊ NOTÍCIAS
01/02/2021 19:46 - Atualizado em 01/02/2021 19:47
Secom Equipe de pesquisadores nas atividades de levantamento de informações em campo Equipe de pesquisadores nas atividades de levantamento de informações em campo

Estruturação, vulnerabilidade natural e risco à contaminação do Sistema Integrado Guarani/Serra Geral (SAIG/SG) em Santa Catarina. Esses são os temas de três mapas que compõem um relatório produzido por pesquisadores do Projeto Rede Guarani/Serra Geral (RGSG), voltado para auxiliar gestores públicos e cidadãos na gestão dos dois aquíferos mais importantes em território catarinense. “O relatório situa onde está essa água subterrânea em cada bacia hidrográfica e qual a chance que temos em utilizá-la de modo sustentável”, explicou o geólogo Luiz Fernando Scheibe, coordenador da rede.

Criada em meados dos anos 2000 com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, a RGSG é formada por cientistas, pesquisadores, educadores ambientais e juristas de diversas instituições (veja a lista abaixo). Seu objetivo principal é gerar conhecimento técnico e científico visando a proteção e o uso adequado dos aquíferos. A rede contou com o financiamento da Agência Nacional de Águas (ANA), através do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Caixa Econômica Federal e da Fapesc. Também houve recursos de uma Emenda Coletiva da Bancada Parlamentar Catarinense em Brasília.

A nota técnica, disponibilizada no fim do ano passado, inclui três mapas e suas bases cartográficas digitais. Os estudos desta etapa foram iniciados em 2016, sob a coordenação de Arthur Nanni, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenador do Núcleo de Estudos em Permacultura. É um dos 17 produtos gerados pela rede, entre livros, artigos científicos, vídeos, dissertações, teses e ações de educação ambiental, acessíveis no site do projeto.

A importância do conhecimento para a gestão das águas foi apontada na nota técnica: “Com o reconhecimento de informações acerca da vulnerabilidade natural e do risco à contaminação, é possível estabelecer um plano básico de tomada de decisão visando a boa gestão das águas do SAIG/SG. A partir desses produtos, gestores regionais e locais e cada cidadão poderão identificar quais dispositivos de gestão serão necessários para permitir o adequado uso das águas.”

Todas as informações, assim como os links de acesso à nota técnica e às bases cartográficas digitais, estão disponíveis nas páginas do Laboratórios de Análise Ambiental e do Laboratório de Hidrogeologia, ambos da UFSC. Há, inclusive, recortes para serem usados nas bacias hidrográficas, de acordo com as áreas de atuação de cada comitê atuante na região.

O professor Amauri Bogo, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação e presidente em exercício da Fapesc, ressaltou a importância da pesquisa. “A gestão sustentável das águas é fundamental para o presente e para o futuro. Com o apoio da Fapesc, o Projeto Rede Guarani/Serra Geral vem fazendo um trabalho exemplar de pesquisa, levantando informações e dados cruciais e promovendo análises para nortear a tomada de decisões sobre a gestão desse recurso. Cabe ao governo e à sociedade utilizar esse conhecimento gerado da melhor forma possível”, declarou.

Um patrimônio subterrâneo

A importância dos aquíferos fica ainda mais evidente devido às estiagens que têm assolado o Estado. Uma gestão adequada das atividades da superfície pode garantir a preservação das Águas Subterrâneas, um patrimônio catarinense.

O Guarani se tornou sinônimo de aquífero para pessoas leigas, mas sobre ele está outro aquífero igualmente importante, o Serra Geral, que, por estar mais próximo da superfície, é usado mais intensamente. Ambos estão sob vastas porções dos territórios do Uruguai, Argentina, Paraguai e Brasil, incluindo Santa Catarina. “Podemos dizer que são aquíferos irmãos, pois operam juntos e abastecem cerca de 80% da população das cidades catarinenses que estão sobre eles, numa região que movimenta 34% da economia do Estado”, explicou Nanni.

A pesquisa compreendeu a área de abrangência do SAIG/SG em Santa Catarina, de 48.320 km². Toda essa água que está embaixo da superfície, que apresentam idades entre 30 mil a 800 mil anos, é um recurso apenas parcialmente renovável. “Só vamos puxar esta água uma vez. Pode ser que as companhias, as indústrias e as cidades estejam se desenvolvendo hoje usando esta água, mas há um limite”, informou Nanni.

Ponto de não retorno

Luiz Fernando Scheibe, professor titular emérito voluntário da UFSC e atual coordenador do Projeto RGSG, ressalta a importância de conhecer o ciclo hidrológico para fazer a gestão desse patrimônio. “A principal fonte de abastecimento é a água da chuva, que pode ser usada imediatamente. Mas, quando cai sobre o terreno, existem três possibilidades: pode evaporar, escorrer para os rios, o que é muito rápido, ou infiltrar no solo. Ao infiltrar, ela pode recarregar os aquíferos.” As nascentes dos rios, por sua vez, são recarregadas pelos aquíferos, garantindo sua continuidade durante as estiagens

Portanto, é importante refletir sobre o que os pesquisadores chamam de ponto de não retorno. “Os gestores públicos precisam se debruçar sobre o ponto de não retorno do aquífero. Até onde se pode usar o aquífero? Que quantidades e volumes de água podem ser extraídos? Dentro de quanto tempo os aquíferos recolocarão as águas nas fontes?”, questionou Nanni. “Só com uma gestão sistêmica as águas estarão sempre disponíveis. Essa mesma estratégia deveria ter sido usada na superfície, sem deixar os rios se contaminarem, as vazões baixarem, assim por diante. A gente pode errar de novo, mas esta é a última oportunidade, porque as águas subterrâneas são a última fronteira de água doce que a gente tem”.

Gestão Integrada, integradora e inclusiva

O relatório poderá ser usado pelos gestores públicos e cidadãos para preservar essa última fronteira. “Esses mapas permitem, por exemplo, que a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável trace estratégias de tomadas de decisão. Permite que as secretarias municipais de meio ambiente, nos seus processos de licenciamento, possam verificar como foi a metodologia adotada para fazer a avaliação dessa vulnerabilidade e dizer se determinado empreendimento pode ou não ser licenciado, considerando áreas mais ou menos vulneráveis”, explicou Nanni.

“Uma gestão integrada e consciente do uso das águas subterrâneas, este é o objetivo da SDE/SEMA em conjunto com a Fapesc, universidades e demais entidades parceiras. A água é nossa vital fonte de sobrevivência e é preciso fazer esta gestão compartilhada de forma muito responsável, principalmente se tratando destas importantes fontes que são os aquíferos e observando suas limitações de renovação e de uso sustentável”, avalia o Secretário da SDE e Secretário Executivo do Meio Ambiente (SEMA), Celso Albuquerque.

Segundo Nanni, a gestão das águas mudou muito nos últimos 15 anos. A ideia de que as águas subterrâneas não estão interligadas com as superficiais foi superada, embora muitos ainda pensem dessa forma. “Com as estiagens prolongadas nos verões das últimas quatro décadas no Oeste, passou a ser feito uso intensivo das águas subterrâneas. Mas as fontes podem secar. Secando as fontes irão secar os rios. E secando os rios estarão comprometidas as espécies da fauna ligada aos rios e, consequentemente, a flora também vai padecer. Existe um equilíbrio ecossistêmico que vai levar tudo à bancarrota caso a gente não pense em dispositivos de reconstrução ecológica”.

Pensando nessa mudança de paradigma, a equipe de pesquisadores traz no relatório um capítulo chamado “Gestão Integrada, integradora e inclusiva”, como uma forma de alerta tanto aos gestores quanto à população geral. “Temos que pensar em dispositivos de superfície que possam auxiliar no bom manejo das águas que estão lá embaixo (subterrâneas). O que mais nos chama a atenção nesse momento e, que acende a luz amarela para a gestão do sistema aquífero, é que existe uma população na superfície que depende dessa água para viver. E não é pequena. Se não conseguirmos abastecer as cidades e a agroindústria do Oeste catarinense, como iremos fomentar todos os empregos e negócios que giram em torno dessa população?”, refletiu Nanni.

As instituições da rede

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Universidade Regional de Blumenau (Furb), Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó) e Universidade do Contestado (UnC). Essas instituições receberam recursos de equipamento e material permanente através do Projeto REDE GUARANI-SERRA GERAL: SC-ICI (Infra-Estrutura, Capacitação e Intervenção), com termo celebrado entre a ANA e a Fapesc, com intermediação da Caixa Econômica Federal.


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