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Entrevista | Estamos enfrentando o maior desafio da nossa geração, afirma Vinicius Lummertz

Por: Marcos Schettini
02/03/2021 17:15
Divulgação Lummertz em visita a Rio Negrinho, Planalto Norte, no dia 22 de fevereiro Lummertz em visita a Rio Negrinho, Planalto Norte, no dia 22 de fevereiro

“O Brasil e Santa Catarina estão vivendo o maior desafio da nossa história recente. Já vivemos uma tragédia anunciada, um caos patrocinado pelo desgoverno que tomou conta da Nação, pelo mau exemplo negacionista da ciência, pela pregação de fake news e pela defesa de soluções milagrosas, sem nenhum respeito à vida”, afirma o ex-ministro e atual secretário de Turismo de São Paulo, Vinícius Lummertz, nesta entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini. “Faço referência aqui aos apelos e pedidos de socorro de centenas de prefeitos e governadores de todas as regiões do país, como fez o prefeito de Xanxerê, que afirma que não iremos viver uma catástrofe, mas já estamos nela. Desesperado com as mortes nas portas dos hospitais no Oeste de Santa Catarina, o prefeito Oscar Martarello alerta para a maior carnificina da nossa história. O país se transforma numa grande Manaus, enquanto Brasília está virada de costas para o Brasil”, lamenta Lummertz. Confira a entrevista na íntegra:


Marcos Schettini: Por que a pandemia está saindo do controle?

Vinicius Lummertz: Não digo que está saindo do controle de forma generalizada, pois há exemplos que demonstram o contrário, onde o tratamento sério e com linha de comando claro está garantindo melhores resultados do enfrentamento. A ampliação no número de leitos Covid e UTIs (de 3,5 mil leitos pré-pandemia, para 8,6 mil para pacientes graves, incluindo os que têm coronavírus), a formação do grupo de contingência, com os mais importantes médicos e cientistas trabalhando junto ao Plano São Paulo foram exemplos mundiais. Porém, não podemos negar que em muitas situações, infelizmente potencializadas pelos que insistem no negacionismo, houve um agravamento que não poupou vidas humanas o que acaba não poupando as economias, também. Essa negação não é referência apenas aos entes governamentais, mas também a uma parte do empresariado e da própria população — saliente-se que tivemos exemplos históricos de doações empresariais que ultrapassaram R$ 2 bilhões, inclusive R$ 180 milhões para a nova fábrica de vacinas contra Covid-19 do Butantan. Sabemos que muitos precisam sair de casa para ganhar o sustento da família, mas as imagens de aglomerações sociais e a recusa a usar máscara são exemplos do que poderia ser evitado por esta minoria da população.


Schettini: Onde a demora da vacinação fez explodir casos?

Lummertz: A vacina foi produzida em tempo recorde em todo o mundo. O atraso se deu na decisão de sua aplicação. O valor do tempo nunca foi tão imprescindível. Em dezembro o Governo do Estado de São Paulo anunciou que iniciaria a vacinação em 25 de janeiro, aniversário da capital. E começou uma semana antes, alguns minutos depois que a Anvisa deu a sua autorização, sinalizando a emergência necessária. O Instituto Butantan colocou o Brasil, cuja imagem vem sendo castigada no exterior, no seleto grupo dos países produtores de vacina, países com independência vacinal e tecnologia associada à saúde. Assim, mesmo com os atrasos erráticos do Governo Federal, teremos toda a população de SP vacinada até o final do ano, e a maioria dos brasileiros.

Schettini: As UTIs estão no limite. O que fazer?

Lummertz: Evitar a sua necessidade porque metade dos que entram podem não sair. Ficar em casa, não participar de aglomerações, usar máscaras, cuidar da higiene. A adesão do brasileiro é a solução enquanto não houver a imunização em massa. Sabemos das dificuldades da nossa população sofrida, que precisa se deslocar ou tem condições desfavoráveis de moradia, mas infelizmente não há alternativa. Não há um culpado pela pandemia, logo não adianta dar de ombros. Ninguém tem culpa, mas todos temos responsabilidade. Nunca a frase “se você não faz parte da solução, faz parte do problema” foi tão significativa. Vimos recentemente uma explosão de casos em Portugal e o seu rápido controle em poucas semanas mediante medidas duras bem executadas e com o apoio de todos.


Schettini: Os ataques que o governador João Doria recebe da oposição diz o que de 2022?

Lummertz: Dizem que, na falta de propostas, de realizações, de entregas, de decisões corretas, e por não saberem trabalhar, os opositores precisam de um antagonista para ter o que falar. Não fazem, não tem coragem, logo criticam os que fazem. Jogam para a sua torcida fanática e contra o Brasil. Nada assim jamais foi visto no Brasil e nem no mundo atual. Será campo farto para a psicanálise política do futuro.


Schettini: Quais são os exemplos que SP tem feito que podem ser levados como soluções?

Lummertz: O mais simbólico foi a insistência na produção da vacina e, hoje, a cada dez aplicadas no Brasil, nove são do Instituto Butantan; esta é a solução definitiva. As demais providências, como o Plano São Paulo, que regula as atividades do dia a dia, foram desenhadas para que pudéssemos ter um controle maior e gestão dos serviços de saúde até que a vacina, do Butantan e outras, pudessem ser largamente aplicadas. E há as decisões quase invisíveis, mas que tomadas no tempo certo garantem um futuro mais previsível, como a reforma administrativa, feita em 2020, que devolverá a alta capacidade de investimento de SP. O Estado continua também com movimentos estratégicos, com privatizações e concessões, como de rodovias, parques, linhas de metrô e até de ativos vinculados à despoluição do Rio Pinheiros.

Schettini: O Sr. é do setor de turismo e sabe das dificuldades vividas. O que tens feito?

Lummertz: Todos os instrumentos disponíveis foram utilizados. Há exatamente um ano, em 17 de março, fizemos o lançamento nacional da primeira linha de crédito para capital de giro, visando o socorro imediato às empresas. Desde então chegamos perto de R$ 1 bilhão em liberações. Foi suficiente? Não, sabemos que não. Mas nenhum outro estado repassou, por exemplo, mais recursos da linha especial do Fungetur para esse socorro. Milhares de empregos foram poupados com essa ação. Para os municípios turísticos, em 2020, batemos o recorde de repasses para obras públicas, R$ 223,3 milhões chegaram a 180 cidades de todo o Estado. No campo da mobilização, criamos mutirões com prefeitos e entidades privadas, mantivemos um canal aberto de comunicação para buscar as soluções que, se não ideais, foram as possíveis. Continuamos firmes no propósito de transformar SP numa potência turística — como SC merece ser — tocando projetos como dos Distritos Turísticos, Rotas Cênicas, concessões de parques, recuperação de museus e grandes investimentos em parques temáticos.


Schettini: Tens acompanhado a crise em SC?

Lummertz: Com preocupação pelo agravamento dos últimos dias, não apenas no Estado, mas em todo o Sul do País.


Schettini: O governador Carlos Moisés se afina em que linha com João Doria no combate à contaminação e suas consequências?

Lummertz: Santa Catarina, não bastasse crise de saúde, enfrentou a da política, com o afastamento momentâneo do governador Carlos Moisés, e outras crises relacionadas. Penso que isso tenha sido prejudicial ao estado na tomada de decisões mais rápidas ou eficientes. Não custa lembrar, por exemplo, que em 10 de dezembro quem esteve no Butatan assinando um primeiro protocolo nacional de intenções para a compra de vacinas foram os prefeitos, reunidos pela Fecam.


Schettini: O Sr. tem entrado forte no debate em SC. Está de olho nas urnas do ano que vem?

Lummertz: Sou catarinense. Sempre estive com os dois olhos em tudo o que eu possa contribuir para que o meu estado e sua população sofram o menos possível, seja pela Covid-19, seja por qualquer outra mazela ou dificuldade. É hora de unirmos forças, não de nos separarmos em grupelhos que busquem seus desejos pessoais. Os catarinenses têm grandes sonhos, pensam grande. Atitudes menores do que isso perturbam os catarinenses.

Schettini: Qual seu partido e as forças que têm tido discussões sobre 2022?

Lummertz: Estou no MDB, podendo estar voltando para o PSDB e, naturalmente, o partido, assim como todos os outros, tem o horizonte político em suas decisões, discussões ou propostas. Porém, os que estão em cargos executivos, seja em SC ou em SP, meu caso, não podem se pautar pelo objetivo político partidário neste momento. Estamos enfrentando o desafio de nossa geração, que é muito maior que qualquer eleição que ainda está muito longe do real interesse das pessoas.


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