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Entrevista | Kennedy Nunes defende impeachment e diz ter certeza da responsabilidade de Carlos Moisés

Por: Marcos Schettini
23/03/2021 13:01
Rodolfo Espínola/Agência AL

Opositor ferrenho de Carlos Moisés da Silva, o deputado estadual Kennedy Nunes concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini e afirmou ter certeza de que o governador é culpado na questão dos respiradores fantasmas. O relatório do caso será julgado na sexta-feira (26) por desembargadores e deputados estaduais em sessão virtual.

Já mergulhado no projeto do Democratas, o parlamentar apontou quais os motivos de sua saída do PSD. “Para não deixar ninguém constrangido”, disse. Também, falou do mandato do prefeito Adriano Silva (Novo) em Joinville e lembrou da desvalorização dos praças na carreira militar, inclusive sobre a exclusividade de pilotos oficiais comandarem aeronaves em operação. Confira:


Marcos Schettini: Qual é a expectativa sobre a votação do impeachment no dia 26?

Kennedy Nunes: Para mim, que participei ativamente na CPI, participei também do processo de votação do impeachment, tenho absoluta certeza da responsabilidade que o governador teve. Reitero que ele deve ser afastado.

Schettini: Não é uma irresponsabilidade cassar um governador no inferno da pandemia?

Kennedy: A maior irresponsabilidade aconteceu quando o governador realizou uma compra de 200 respiradores, totalizando um montante de R$ 33 milhões, sem ter qualquer tipo de garantia. E nesse momento crítico, faltar os respiradores para as pessoas, é sim uma grande irresponsabilidade.


Schettini: O cidadão não quer vacina para viver?

Kennedy: Defendo a vacina, desde que sejam as aprovadas pela Anvisa. Infelizmente, em todo momento de crise, a tendência é aparecerem “espertalhões” vendendo placebos dizendo que é vacina.


Schettini: Todo este caos vivido não é culpa do presidente do Brasil?

Kennedy: É típico do ser humano procurar culpados, mas entendo que a responsabilidade é de todos, inclusive do presidente. Entendo que cada cidadão precisa fazer a sua parte. Houve um tipo de “afrouxamento” das medidas de fiscalização e também uma falta de preparo do governo para a pandemia, e ficamos nessa situação hoje.

Se tivermos que apontar culpados posso indicar três: o primeiro é a própria mutação do vírus; o segundo são os erros cometidos pelos governos; e terceiro é a falta de cuidados do cidadão que não realiza medidas básicas preventivas.


Schettini: Ele negou a doença, apostou na aglomeração, não quis comprar a vacina, o filho diz para enfiar a máscara em lugar impublicável. O que é então?

Kennedy: O que precisamos entender é que o presidente fala a linguagem do povo, de uma forma geral. Posso crer que a situação ideal para nós, hoje, é despolitizar e desideologizar. Através de uma doença, os governantes conseguiram colocar a política e a ideologia partidária na frente de qualquer decisão acerca da saúde das pessoas. Conseguimos visualizar uma espécie de “cabo de guerra” político-ideológico, o que demonstra uma imaturidade política do nosso povo.


Schettini: O Sr. denunciou o uso de farda militar em pilotos civis em SC. Por que os oficiais perseguem os pilotos praças?

Kennedy: O que está acontecendo na aviação governamental de Santa Catarina é um verdadeiro absurdo. São vários poderes independentes que comandam suas aviações, dentre eles; a Polícia Militar, os Bombeiros Militares, a Polícia Civil e quem atende ao Governo.

É preciso unificar a área da aviação catarinense, de forma a eliminar todas as questões divergentes, inclusive àquelas de pilotos civis atuando em aeronaves militares. Ressalto que existe uma sindicância aberta, onde investigam pilotos civis estarem utilizando as insígnias militares, situação esta que é crime, conforme denunciei na tribuna da Alesc.

Schettini: A sociedade tem que pagar pela soberba dos oficiais? Quando vão derrubar este absurdo caro para o cidadão?

Kennedy: A sociedade não faz ideia do quanto custa caro, nosso mandato faz esse tipo de denúncia para quebrar esta reserva de mercado. Cito, por exemplo, agora depois das nossas denúncias, o Comando ainda insistindo em não trazer os pilotos praças que estão habilitados para voar, onde cogitam trazer os pilotos antigos, que já se aposentaram para garantir o “pijaminha de ouro”, ou seja, uma forma de subir novamente na patente. Enquanto isso, o praça está há sete anos sem ter nenhum aumento.


Schettini: Como o Sr. avalia o atual prefeito de Joinville?

Kennedy: O prefeito Adriano tem mantido um canal aberto, pelo menos comigo, e vejo isso com bons olhos, pois essa ligação aberta de conversa com os deputados só traz benefício para o município e, consequentemente, para as pessoas. Bem diferente do que acontecia com a gestão anterior. Mesmo sem ter votado no Adriano, nem ter trabalhado para ele, o mesmo tem a minha torcida para que faça um bom governo em Joinville.

Schettini: O Sr. está saindo do PSD rumo ao Democratas. Por quê?

Kennedy: A minha saída do PSD já estava prevista desde 2019, quando recebi uma carta do Diretório Nacional e do Estadual me liberando. Houve um pedido pessoal para que eu permanecesse no partido, segurei um pouco enquanto passava-se todas aquelas situações de CPI, pandemia, impeachment, dentre outras no ano passado.

Essa era uma questão que já estava sendo vislumbrada por mim, acreditei ser agora o momento correto para buscar novos ares a traçar novos rumos, buscar espaço partidário e também para não deixar ninguém constrangido, já que houve uma aproximação do PSD com o governador Moisés. Não há cabimento da minha participação em um governo no qual não concordo em muitas decisões.


Schettini: Qual a avaliação que o Sr. faz de 2022?

Kennedy: Torço muito para que a vacina chegue para as pessoas e que possamos retornar a uma vida “mais normal”. Há muitos desempregados, outros muitos que estão sofrendo com a saúde mental, de uma forma geral ninguém estava acostumado com o isolamento social, e isso reflete no aumento dos suicídios, da depressão e da automutilação. Minha torcida é que possamos virar logo essa página, mas o cenário indica que isso ainda perdure até o final de 2022, enquanto isso vamos amenizando todos os efeitos colaterais causados pela pandemia.


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