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Entrevista | Carlos Chiodini defende prévias e afirma que MDB precisa definir pré-candidato

Por: Marcos Schettini
28/06/2021 11:53
Gustavo Sales/Câmara dos Deputados

Deputado federal e membro da Comissão Executiva Nacional do MDB, Carlos Chiodini concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini e se posicionou de forma contrária à decisão da sigla em Santa Catarina que dissolveu as prévias para definir o pré-candidato ao Governo do Estado através de consulta aos ulyssistas.

Compreendendo que somente com a escolha de um nome será possível iniciar as tratativas políticas para o pleito de 2022, o parlamentar afirma que é a hora de definir um nome. “Esse candidato só exercerá a liderança necessária para conduzir o processo se tiver a procuração para isso”, disse.

Na entrevista, Chiodini ainda fala do cenário nacional com a polarização entre Lula e Bolsonaro, comenta sobre os questionamentos da urna eletrônica e relata os desafios na presidência da Comissão de Viação e Transportes na Câmara dos Deputados. Confira:


Marcos Schettini: A Democracia vive um cenário de risco. Ela está ameaçada?

Carlos Chiodini: Creio que não, o Brasil é uma democracia consolidada e a população entende a importância de manter essa conquista. Então, mesmo que haja algumas tentativas de insinuações não democráticas, elas não encontram consonância na sociedade e, na minha opinião, não vão de forma alguma prosperar.

Schettini: O Sr. acredita na inviolabilidade da urna eletrônica?

Carlos Chiodini: Colocar a credibilidade da urna eletrônica em xeque é muito complicado, é colocar todo o sistema eleitoral em xeque. É engraçado que quando se ganha a eleição ninguém contesta, isso ocorre apenas quando se está perdendo. Assim, cria-se uma retórica que a gente já sabe que será apreciada nas eleições. Nos EUA, por exemplo, é voto impresso e a teoria que justifica a fraude do processo é o transporte e a contabilidade dos votos. Eu não posso afirmar que a urna eletrônica é ou não inviolável, afinal não tenho conhecimento técnico para isso. Mas lembro também que, quando era voto impresso, muitos erros eram cometidos e também haviam denúncias frequentes de fraudes.


Schettini: Onde Jair Bolsonaro tem culpa ou absolvição na pandemia?

Carlos Chiodini: Na gestão da pandemia, de uma forma muito clara, foi a demora da decisão da compra das vacinas. A gente sabe que até o momento este é o único tratamento adequado, o único que tem resultado efetivo e que ajuda a evitar a propagação da doença. Essa demora por parte do Governo na compra foi exposta com suscetíveis e-mails sem resposta e isso acarretou em um atraso ainda maior na imunização da população. O Governo está pagando um preço alto, a população está pagando um preço alto, por conta de um erro de gestão.


Schettini: Qual o quadro real vivido hoje no MDB para produção política de 2022?

Carlos Chiodini: O MDB é um partido consolidado, tem mais de 50 anos e muitas conquistas, tem uma história. Tem defeitos, como todos nós temos, mas tem qualidades. E que a história recente serviu para que o MDB esteja novamente como uma opção com experiência e capacidade de realizar e fazer bons governos ao longo da história. É um partido que tem capilaridade, que tem uma força significativa em Santa Catarina e que nos últimos anos teve grande crescimento.


Schettini: Os ulyssistas não estão muito divididos no projeto estadual?

Carlos Chiodini: Estão sim e isso é natural. Eu vejo que é bom para o projeto, é bom quando o partido tem nomes relevantes que se colocam à disposição para cargos maiores, como é o que acontece para o Governo do Estado. Essa divisão precisa ser superada para chegarmos a um denominador comum. O MDB é um partido que tradicionalmente tem essa história de disputas e prévias, mas sempre que passamos por isso, tivemos resultados positivos. Quando não o fizemos, fizemos a quatro paredes, com pouquíssimos membros, teve resultados negativos. Nós precisamos compartilhar com a base, o nosso nome já diz que é um partido democrático, que defende a democracia, então nada mais justo que façamos essa escolha por meio democrático. Se quer dar o exemplo para os outros partidos é preciso que começamos de dentro de casa e vejo que o partido busca essa forma a união.


Schettini: O que o Sr. entendeu deste episódio de dissolver as prévias?

Carlos Chiodini: Entendo que foi uma ação muito apressada e pouco justificável. Desde o dia seguinte da aprovação pelo diretório estadual e do início dos roteiros, começou o processo de cancelamento da prévia por algumas lideranças do partido. Defendo as prévias por ser o modelo mais democrático de escolha do candidato, por envolver diretamente as bases e por compartilhar a decisão com o maior número de pessoas. Não concordo com a executiva, por não ser o foro que convocou, em cancelar as prévias. No mínimo, o diretório deve ser ouvido. Vale citar, que independente do modelo de prévias ou não, é nítido que o partido precisa encontrar um rumo, um norte, um caminho e, por isso, imagino que é a hora de definir o pré-candidato. Esse candidato só exercerá a liderança necessária para conduzir o processo se tiver a procuração para isso. Em 2002, foi feito isso com LHS, era um momento difícil do partido como agora, ele era nosso candidato e tinha consigo o ônus e o bônus, consequentemente carta branca para liderar o processo e fazer as melhores composições. Resultado: ganhamos a eleição improvável. Agora, para alguns, a lógica mudou e tudo deve ficar para última hora. Eu não entendo assim, definitivamente.

Schettini: A juventude do MDB já se manifestou contra a baixa das prévias. O que aconteceu de fato?

Carlos Chiodini: A Juventude do MDB transpira democracia, esse ato de se manifestar voluntariamente mostra o que a base sente e quer. Isso deve ser respeitado, tive a honra de ser presidente estadual desse segmento e respeito suas posições.


Schettini: O impeachment caiu em descrédito em SC?

Carlos Chiodini: Eu não sou um entusiasta ou defensor desses processos de impeachment. Eles sempre são dolorosos, sofridos e nunca acabam bem. Em Santa Catarina, foram duas tentativas frustradas e cheias de detalhes que ficaram nos meios aplicados. Eu vejo que isso traz um prejuízo para a sociedade. Afinal, os eleitores catarinenses elegeram um grupo, um projeto que só será concluído no final do próximo ano.


Schettini: Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, disse que o jogo eleitoral será com Bolsonaro e Lula da Silva. É isso?

Carlos Chiodini: Bem, essa é uma opinião do Eduardo Cunha, mas que é compartilhada por uma imensa maioria do meio político. É inegável que o jogo hoje é polarizado entre Bolsonaro e Lula. Ou seja, entre antipetistas e antibolsonaristas. Vejo que temos a possibilidade de uma terceira via, porque há um percentual significativo da população que não quer votar nem no Bolsonaro e nem no Lula. Mas, é um projeto que precisa ser construído e hoje o jogo está sim dividido nesses dois extremos: Lula x Bolsonaro e Bolsonaro x Lula.


Schettini: Qual seu trabalho na presidência da CVT e onde SC entra nisso?

Carlos Chiodini: O trabalho na Comissão de Viação e Transportes - CVT, tem sido bem intenso, nós viemos de um ano atípico, em 2020 não tivemos a montagem das Comissões, então nós acabamos acumulando lá centenas de projetos. Agora, estamos despachando e relatando os mais urgentes, até porque são mais de 450 projetos em tramitação. Eu tenho a oportunidade de neste ano ser o único catarinense a presidir uma Comissão na Câmara dos Deputados e uma Comissão de extrema relevância para Santa Catarina. Nós vamos usar esse espaço para aumentar o nosso ciclo de relacionamento e usá-lo para trazer melhorias e mais investimentos para o Estado. Santa Catarina sempre está recebendo menos do que deveria e isso tem deixado todos nós preocupados. Na infraestrutura isso é ainda mais visível, então vamos usar esse espaço para aprimorar o relacionamento e buscar conquistas para Santa Catarina.


Schettini: Seu mapa político para o ano que vem vai em qual direção?

Carlos Chiodini: No mapa político do ano que vem, no meu caso, caminha-se para uma reeleição. Ainda no primeiro mandato de deputado federal, então cabe fazer mais um mandato, consolidar um trabalho ainda mais assertivo, conhecendo os caminhos e abrindo novos horizontes. No entanto, eu estou sempre inserido fora, além do meu projeto pessoal, o projeto do partido e também das outras siglas que vem agregadas conosco, no projeto para o Governo do Estado, Alesc e Senado, sempre pensando nos tempos seguintes e traçando uma estratégia consolidadora, que não é só de poder, mas sim se governabilidade, de estabilidade de segurança e de experiência para Santa Catarina.


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