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180 DIAS DE GOVERNO

“O pior sindicato do Brasil”, rebate Lírio Dagort

Por: LÊ NOTÍCIAS
30/06/2017 08:38 - Atualizado em 30/06/2017 08:49
Lírio analisou os 180 dias de mandato e rebateu o sindicato que liderou a greve, classificando-os como o pior do Brasil (Foto: Axe Schettini/LÊ) Lírio analisou os 180 dias de mandato e rebateu o sindicato que liderou a greve, classificando-os como o pior do Brasil (Foto: Axe Schettini/LÊ)

Da Redação

Lírio Dagort (PSD) foi reeleito prefeito de Xaxim em outubro passado com grande expectativa da comunidade. Parte dela é resultado do histórico de trabalho exitoso consagrado no último mandato, entre 2005 e 2008, quando deixou a máquina pública com mais de 90% de apreciação entre os xaxinenses. A outra é motivada pelo desespero que tomou conta dos munícipes nos últimos meses de 2016, no término do mandato do peemedebista Idacir Orso, que acumulou mais de R$ 24 milhões em dívidas para o sucessor pagar. Tão logo aconteceu a saída de Orso iniciou a procura por um nome forte que pudesse reordenar os caminhos do Executivo municipal. Assim, aos 60 anos, Lírio fez 35,90% dos votos válidos e, superando outras duas chapas, ocupou novamente a conhecida cadeira.

Sabedor dos desafios que o cargo de prefeito agregam ao homem público, Lírio pressupôs o que teria pela frente, mas somente deu-se conta da real situação assim que ocupou a função e deparou-se com a desoladora condição municipal. Sem tempo para reclamações, conduta que não faz parte de sua personalidade, Lírio aceitou o desafio, que em parte engessaria o início de seu mandato, e há seis meses vem trabalhando para quitar a dívida herdada, devolver a tranquilidade aos xaxinenses e desenvolver o município.

Em entrevista exclusiva ao LÊ NOTÍCIAS, Lírio expôs os principais problemas enfrentados e o que tem feito nesses primeiros 180 dias de governo. Ao lado do vice Adriano Bortolanza, Lírio destaca a sintonia entre a dupla e a equipe de governo que, conforme ele, é fundamental para os resultados que o grupo, em benefício da comunidade, vem alcançando.


LÊ NOTÍCIAS: O que representam 180 dias de mandato no trabalho de um gestor público? O senhor conseguiu fazer o que pretendia para o período?

Lírio Dagort: É um período curto quando comparado ao que ainda temos pela frente. Estamos acima das expectativas porque fizemos muito além do que a gente imaginava. Mesmo vivendo uma situação delicada, me sinto satisfeito pelo bem que já proporcionei ao meu município.

LÊ: De que maneira as contas deixadas por Idacir Orso influenciaram em seu trabalho nestes primeiros seis meses de gestão?

Lírio: A dificuldade foi muito grande. Nós imaginávamos uma dívida e no final das contas ela ultrapassou os R$ 24 milhões, sendo, praticamente, R$ 14 milhões vencidos. Em 2005, quando assumi a Prefeitura pela primeira vez, nós recebemos máquinas quebradas, mas a dívida era bem menor. Além disso, não tinha muita conta vencida, eram situações que estavam em andamento. Hoje vivemos um problema sério. São cobranças todos os dias e a dificuldade se tornou muito forte nestes primeiros seis meses.

LÊ: Quanto já pôde ser saldado das contas adquiridas?

Lírio: Até dia 30 de maio nós conseguimos pagar R$ 4 milhões e 200 mil. Além disso, conseguimos guardar mais de R$ 2 milhões e 500 mil para garantir o 13º salário dos funcionários. A partir de agora haverá queda na arrecadação de aproximadamente R$ 1 milhão e 200 mil nos próximos três meses. Então, nossa preocupação é muito grande. Nós queremos garantir o salário em dia ao nosso funcionário público. Um bom gestor sabe que o 13º salário dever ser guardado mês a mês. Em nossa Prefeitura, essa poupança deve ser de R$ 300 mil mensais. Já temos dinheiro guardado antecipadamente até agosto. Isso nos dá um alívio nos próximos três meses, pois a arrecadação vai cair, mas nosso dinheiro já está guardado.

LÊ: Como estão as contas do novo mandato?

Lírio: Quando iniciamos este mandato, eu e o Adriano tivemos de avalizar as contas da Prefeitura, pois não tínhamos crédito para uma caixa de fósforos. Hoje nós não devemos um centavo para nenhum dos nossos fornecedores. Tudo o que a gente compra é pago dia 15 ou 29. Temos uma dívida que assumimos do ano passado com o Hospital, que falta ainda algumas parcelas, mas acredito que não teremos problemas. Estamos trabalhando para fazer certo.

LÊ: Num geral, quais as diferenças e quais as semelhanças deste com o mandato assumido pelo senhor em 2005?

Lírio: No mandato de 2005 quase tudo era novidade, o que gerou algumas dificuldades. Já neste, contratei somente águias para trabalhar comigo. São poucas pessoas, apenas três secretários. É o mínimo possível de colaboradores para que possamos trabalhar. Otimizamos a economia em todos os aspectos, desde luz, água, combustível, telefone, alugueis. Tudo foi minimizado, e o que nos salvou foram as licitações, pois chegamos a até 32% de desconto. Para se ter uma ideia, o sémen bovino comprado do mesmo touro foi pago R$ 22 em 2016 e somente R$ 11 neste. Peço que a sociedade avalie tudo isso.

LÊ: “Fazer as pessoas felizes” é notoriamente seu lema de trabalho desde o período eleitoral. Isto está sendo possível ou a realidade encontrada dentro da Prefeitura está comprometendo esta vontade?

Lírio: Isso é prioridade em nosso mandato. Já estamos embelezando a cidade e atendendo as pessoas da melhor forma possível. Tem exames à vontade para todos e com uma economia muito maior. Fizemos licitação para as próteses dentárias e mais de 200 pessoas já estão sorrindo. Também, já fizemos a licitação de aparelhos auditivos para todas as pessoas com dificuldade. Quem ainda não foi até o posto de Saúde, pedimos que procure para que possamos contemplá-los também. Oferecemos 20 exames mensais de ressonância, sendo que cada um deles custa R$ 600 para nós. Temos diversas cirurgias realizadas. Temos mandado muitos pacientes para tratamento em Florianópolis, na região e até mesmo em nosso Hospital. Nossa demanda é de mais de mil cirurgias. Nos próximos dias, estaremos licitando cerca de 500 cirurgias para agilizarmos esta situação e darmos resolutividade.

LÊ: Por falar em Saúde, o senhor trouxe a Xaxim a carreta da OdontoSesc, que oferece atendimento odontológico gratuito na praça municipal. Qual é a avaliação desta iniciativa?

Lírio: A carreta do OdontoSesc está aí com mais de 2 mil atendimentos realizados, ou seja, são duas mil pessoas sorrindo e vivendo melhor sem dor e sem constrangimentos. No fim de outubro, o Grupo de Saúde da Mulher, do Sesc, estará aqui com atendimentos voltados aos exames de mamografia e Papanicolau. Que, também, são mais de mil pessoas que estão aguardando e a mulher não pode esperar, pois esse tal de câncer judia muito das pessoas e é preciso oferecer a descoberta e o tratamento o quanto antes para que possamos dar tranquilidade às nossas queridas mulheres xaxinenses.

LÊ: A mudança na disposição de serviços públicos, a exemplo do Departamento de Trânsito, Procon e secretarias, é uma das iniciativas mais visíveis de seu governo. A ideia era de economizar e centralizar serviços. Isso de fato aconteceu?

Lírio: Aconteceu e vai acontecer ainda mais. Estamos muito satisfeitos por estas iniciativas de economia que a gente fez em centralizar as coisas. Peço que as pessoas tenham um pouco de calma, pois tudo irá se regularizar da melhor maneira possível. Nos próximos meses, vamos ter um Xaxim muito melhor. O Departamento de Trânsito antigo não funcionava. Ele existia somente para gerar emprego. Hoje, com a liderança do policial Ivo Silveira, temos um Departamento efetivo. Aliás, tudo hoje funciona na Prefeitura de Xaxim. Vejo que no decorrer do mandato teremos economia de R$ 1 milhão, pois baixa a energia, correria dos veículos, aluguel, etc. O estacionamento lá é melhor. Foi para um lugar tão bom e tranquilo que dá vontade de mudar a Prefeitura pra lá. E não é tão longe quando comparado a outras cidades, por exemplo. Se alguém tiver alguma necessidade especial nós levamos até lá.

LÊ: O estacionamento rotativo, umas das novidades deste ano para a cidade, parece ter caído no gosto da comunidade. Diferente dos primeiros dias da implantação, hoje as vagas são amplamente utilizadas nas vias centrais. Em contrapartida, nos últimos meses de trabalho do então prefeito Idacir Orso foram feitos testes com transporte coletivo, que até então não circulava em nossa cidade. Qual foi o desfecho desta iniciativa?

Lírio: Até setembro nós vamos ter de estar trabalhando com o ônibus coletivo em nossa cidade. É lei quando existe a cobrança do estacionamento rotativo. Estamos a todo o vapor neste trabalho. Estamos já vendo para licitar esse serviço.

LÊ: As fortes chuvas de maio afetaram as estradas do interior do município, que semanas antes haviam passado por recuperação emergencial. O que foi feito para melhorar a trafegabilidade dos moradores e o escoamento da produção?

Lírio: Faz muitos anos que não é feito um bom trabalho nas estradas. Nós puxamos mais de 800 caminhões atolados com a ajuda dos nossos agricultores. Nosso maquinário trabalhou dia e noite para ajudar a todos. O prejuízo é de mais de R$ 10 milhões, destes, R$ 4 milhões só em estrada e outros R$ 6 milhões com a produção. Contratamos um britador grande e móvel, pois o nosso é muito pequeno e não vence o trabalho. A máquina nova fará de 25 a 40 metros de brita por hora. Isso vai nos dar condições de resolver essa questão o mais rápido possível.

LÊ: Na cidade, a operação tapa-buracos amenizou as condições das vias. A ação deve continuar?

Lírio: A operação tapa-buracos continua. Já são mais de mil buracos fechados no centro e nos bairros. Vamos cuidar das vias, dos canteiros e a da arborização. O “Xaxim Florido” está voltando. Temos mais de 20 mil mudas de flores prontas para serem distribuídas. Estou muito feliz, pois estamos no caminho certo.

LÊ: Campeonatos esportivos tem movimentado a cidade nos campos, quadras e canchas. O que mais está sendo feito e o que está previsto para as áreas do esporte, lazer e cultura?

Lírio: Começamos estas ações em abril, maio. Retardamos um pouco porque o susto foi muito grande quando entramos na Prefeitura e verificamos o tamanho do rombo. Mas, está tudo andando. As escolinhas estão trabalhando. Nosso grupo é bem reduzido, mas muitos colaboram conosco mesmo não sendo funcionários para que o Esporte, o Lazer e a Cultura sejam sempre lembrados. Tivemos diversos campeonatos e nesta quarta-feira (28) mesmo tivemos um grandioso evento da Cultura, onde fiquei lisonjeado em acompanhar uma apresentação maravilhosa como aquela feita no Clube. Temos mais de 900 alunos envolvidos na Cultura e mais 185 em projetos no bairro Santa Terezinha. Isso é inédito na história de Xaxim. No Ceaca, já temos 170 crianças. Nosso projeto é envolver essa gurizada e dar oportunidade.

LÊ: A Feira Livre Municipal, muito aguardada pelos agricultores, está com a estrutura finalizada, mas ainda não foi entregue ao grupo. O que falta para isso acontecer?

Lírio: A administração anterior fez promessas de pagamento sem ter viabilidade financeira e os acordos legais feitos valiam para o ano passado. Nós não temos o que fazer com essa necessidade de equipamentos. Mas, agora fizemos parcerias e encontramos uma forma de ajudar eles, situação essa que será finalizada nos próximos dias.

LÊ: Qual é a atenção dada à segurança pública e a relação com as polícias e o Ministério Público? E quando deverá ser entregue a obra do Complexo de Segurança?

Lírio: O prazo é para fevereiro de 2018, mas acreditamos que em dezembro deste ano a obra seja inaugurada. Ela está andando rapidamente e estamos realmente felizes com isso. Temos uma ótima relação com o MP e com as polícias. O respeito e o diálogo são recíprocos e diários. A necessidade é grande para que juntos sejamos fortes em benefício de nossa comunidade.

LÊ: No começo da sua gestão o senhor já enfrentou uma greve no funcionalismo público municipal, motivada por fins econômicos. Sem acordo, professores voltaram às salas de aula e mantêm o estado de greve. Por que não deu para atender às reivindicações dos servidores municipais?

Lírio: Em abril de 2016, o prefeito da época deu uma pedalada na folha de pagamento. Ele não empenhou a folha. E, naquele mês, o quadrimestre se encerrou. Estamos agora no segundo quadrimestre e neste temos 13 folhas, pois ele não empenhou em abril e empenhou duas em maio. E, mais o 13º salário e os 33% de proporcional das férias, são 14,33 folhas. Então, é impossível. A nossa média do ano está em 53,13% de gasto com folhas. E para darmos um aumento para qualquer pessoa precisamos estar abaixo de 51,30%.

LÊ: O senhor destacou a redução de cargos comissionados. Mas, a folha de pagamento continua acima do esperado. O que ocasionou isso?

Lírio: A folha de pagamento nestes cinco meses chega a pouco mais de 49%. Estamos dentro da expectativa. Meu projeto é de ficar em torno de 48% neste ano, 47% ano que vem e 46% nos outros dois anos para que eu possa atender a nossa comunidade. Lógico, vamos dar os aumentos e cumprir todas as obrigações, pois somos gestores e saberemos como executar tudo corretamente e ainda deixar a Prefeitura bem. A folha é preocupante nos 12 meses, devido àquela pedalada do exercício anterior citada anteriormente.

LÊ: Nos últimos dias, o senhor não aceitou negociar com o Sindicato. O que motivou tal afastamento?

Lírio: O Sindicato, desde o ano passado, defendeu um partido político e este ano retemos, como os outros municípios também retiveram, um dia de trabalho. São R$ 72 mil que estão retidos, em conta, na Justiça e que temos para devolver para os funcionários, lembrando que nem todos são sindicalizados. Então, o Sindicato se sentiu prejudicado. Ele pegou alguns funcionários públicos, que são realmente partidários, pois a gente conhece um por um, e aí jogaram a sociedade contra a Prefeitura. Se o direito existe, por que eu não vou dar o aumento? É um direito, eu vou dar, mas as condições não me permitem agora. A realidade é essa. Quem não me permite é a Legislação, não é o Lírio que não quer. Tanto é que o resultado veio. O Tribunal de Justiça deu ganho de causa para nós. Eles não fizeram afronta para mim. Eles fizeram para os pais, aos alunos. Isso é vergonhoso. Esse Sindicato é baderneiro e vem fazer ostentação na frente da Prefeitura com veículos novos. O que, de fato, eles fizeram para a comunidade? Esse é o pior sindicato do Brasil.

LÊ: O senhor acredita que é baixa a remuneração dos professores?

Lírio: Eles estão pensando somente no umbigo deles. São mil funcionários, duzentos pararam, e os outros 800 servidores? Parabéns pra eles. São pessoas que pensam, que agem, que fazem. O professor ACT começa a trabalhar com salário de aproximadamente R$ 3,4 mil e chega a receber mais de R$ 6 mil. Quero saber quantos funcionários a Prefeitura tem que ganham este valor. É um bom salário. Estamos acima de toda a região. A regência de classe aqui está de 35%, quando nas outras cidades é de 15% a 20%, e o máximo é de 33% em todo o Brasil.

LÊ: Restaram dívidas na Educação na gestão de Idacir Orso?

Lírio: O secretário que estava antes usou uma secretaria para se eleger vereador e deixou a bagatela de dívidas de R$ 2 milhões e 938 mil somente na Educação. E esse dinheiro tem de ser pago agora com dinheiro bom. Não posso pagar com dinheiro da Educação, tem de ser recurso próprio. O prefeito tem que economizar das outras áreas, deixar de comprar remédios, fazer menos exames e cirurgias para pagar conta que ele fez. Só no último ano, foi deixado R$ 1 milhão e 800 mil em dívidas. Isso é vergonhoso. Foi um assalto ao dinheiro da Educação. Foi cunho político, somente isso. Jamais uma prefeitura pode ficar devendo em Educação e Saúde. Tem que gastar os 25%, então tem dinheiro à vontade, além do que falei, isso não tem outra explicação.

LÊ: Qual será a grande marca do seu mandato?

Lírio: Deixarei dívidas, mas empenhadas em grandes obras, e não fruto de erros. Tenho um propósito de, no ano que vem, fazer um financiamento em torno de R$ 20 milhões para fazer um Complexo Esportivo, que será a marca da minha gestão. Esse financiamento é em longo prazo, um dinheiro internacional com vinte anos para pagar. É um financiamento barato e fácil de ser pago. Será menos de R$ 100 mil por mês. Faremos tudo com os pés no chão.

LÊ: Como o senhor espera deixar a Prefeitura em 2020?

Lírio: Espero poder ter cumprido com a minha missão mais uma vez. Quero que a minha comunidade tenha orgulho do que eu e minha equipe de governo deixamos para ela ao atender às suas demandas e gerar benefícios ainda maiores e para a história municipal, a exemplo da geração de empregos. Quero ver as pessoas mais felizes para que eu possa sair da Prefeitura como saí em 2008. Naquela época, a aprovação foi de 92% e, principalmente, com transparência e honestidade. Jamais quero deixar o nome da Prefeitura ou o meu nome nas páginas policiais envergonhando nosso município. Essa é a nossa realidade. Peço que Deus me ilumine cada vez mais para poder atender a todos com carinho e honestidade. Não planejo voltar para uma nova gestão, então encerrarei esta com a glória que a comunidade espera de mim.




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