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Chapecó recebe a terceira etapa do Circuito Oestino de Teatro

Por: LÊ NOTÍCIAS
15/10/2021 10:35

Inicia nesta sexta-feira (15), às 20h, a terceira etapa da Mostra Afora – Circuito Oestino de Teatro. Dessa vez as ações chegam a Chapecó através do Instituto Cultural Nossa Maloca, com espetáculo, diálogos da cena teatral, oficina e roda de conversa sobre políticas públicas. O projeto, que iniciou ainda no mês de setembro, já passou pelos municípios de Pinhalzinho e Joaçaba, até dezembro chegará a Caçador e Concórdia.

Esta é a segunda edição da Mostra, que teve início em 2018 de forma independente, a partir de ações coletivas desenvolvida por artistas, técnicos, produtores e diretores. Para Josiane Geroldi, coordenadora do Instituto cultural Nossa Maloca, que recebe as atividades neste final de semana, participar da Mostra Afora reforça o compromisso do espaço como um lugar de circulação e fruição artística regional e nacional. “A Nossa Maloca, assim como a Mostra Afora, nasceram a partir das redes colaborativas de produção cultural no oeste catarinense. Perceber as redes como possibilidade de crescimento e fortalecimento coletivo é uma grande conquista dos trabalhadores do teatro na região oeste de Santa Catarina”, enfatiza.

Contemplado pelo Prêmio Elisabete Anderle de estímulo à cultura, da Fundação Catarinense de Cultura, a Mostra traz como objetivo dar visibilidade e fortalecer os profissionais da cultura e seus trabalhos, evidenciando o que é feito no interior. “O Afora chega para mostrar que existem muitas coisas acontecendo longe dos grandes centros urbanos, aqui mesmo no interior do Estado. São muitos profissionais, técnicos, artistas, diretores desenvolvendo muitos trabalhos e pesquisas distintas. É imprescindível que esse olhar se volte para cá, para essa região, para haja o reconhecimento deste setor tão importante para o desenvolvimento econômico de todo o País”, explica Gustavo Zardo, integrante da equipe de produção do projeto.

Ao todo participam do projeto seis grupos de teatro e dança: Cia de Artes Vento Negro, Cia Contacausos, Grupo Teatral Reminiscências, Cia de La Curva, Experimental de Dança de Pinhalzinho e Grupo Piliquinha, e cinco espaços culturais independentes, o Sítio Cultural Nossa Maloca, Cia de Artes Ventro Negro, Tejo Espaço Cultural, Centro de Arte Paola Zonta e Espaço Cultural Rural, todos são localizados e desenvolvem trabalhos na região oeste do Estado.

ECONOMIA CRIATIVA

O setor cultural é um dos grandes geradores de emprego e renda no Brasil e no mundo, superando, muitas vezes, a indústria tradicional. Segundo dados do Mapa Tributário da Economia Criativa o setor ganha cada vez mais espaço e gera em torno de 30 milhões de empregos, movimentando cerca de US$ 2,5 bilhões ao ano, valor que corresponde a 3% de todas as riquezas produzidas no mundo.

Mesmo os dados sendo amplos ao voltarmos o olhar para a região não é diferente. O setor cultural gera inúmeras vagas de emprego e renda, movimentando a economia local e regional. Somente na Mostra Afora, por exemplo, foram geradas diferentes vagas de trabalho, diretas e indiretas, entre elas a contratação de profissionais técnicos, cinegrafistas, iluminadores, produtores, diretores, gestores de espaços culturais, assessores de imprensa, fotógrafos, bailarinos, atores, diretores, editores de vídeo, estúdios de gravação e transmissão. Ao todo, foram geradas mais de 60 vagas de trabalho, somente neste projeto, contribuindo diretamente com a economia criativa regional.

Para Gustavo, é muito importante que o Setor Cultural seja visto e valorizado pela sua contribuição junto à economia local, regional, estadual. “Quando nos referimos a projetos culturais não estamos falando somente da apresentação final que chega até o público, mas os meses e até anos de trabalho e pesquisa dos profissionais, e dos inúmeros serviços gerados por ele. Somos uma grande ferramenta de humanização e transformação social e, somos também, um forte setor econômico, que contribui significativamente com o PIB”, explica Gustavo.

TERCEIRA ETAPA

A terceira etapa inicia nesta sexta-feira (15), com a transmissão do Espetáculo “Arremedos”, da Cia de Artes Vento Negro, da cidade de Caçador, voltada para acadêmicos de universidades da região. No sábado o mesmo espetáculo será transmitido ao público, de maneira aberta, às 20h. O trabalho é o primeiro espetáculo onde a Cia se aventura no teatro de bonecos, trazendo para debate um tema extremamente relevante: a violência contra a mulher contada a partir da figura de “Chica Pelega”, um nome importante na história de Santa Catarina, durante a Guerra do Contestado.

Segundo João Paulo Almeida, integrante da Cia de Artes Vento Negro, a ideia do espetáculo surgiu a partir do contato com a Associação Maria Rosa, que trabalha com mulheres vítimas de violência. “Nos baseamos nessa história, que aconteceu durante a Primeira Guerra Mundial, adaptamos os personagens para as histórias regionais a partir da Guerra do Contestado, a partir do que nós soubemos que aconteceu aqui. Dentro desse contexto nós trazemos a figura feminina, dentro da guerra, como vítima de violência e também como uma das principais lideranças desse movimento. O Contestado é uma preciosidade para o Brasil e cabe a nós, artistas, que moramos nessa região contarmos e valorizarmos essas histórias”, enfatiza.

O Espetáculo, no sábado, é seguido de bate-papo, às 21h, com o Grupo Bricoleiros, do Ceará. Fundado em 2004, o grupo é formado por artistas com larga experiência em teatro e artes plásticas e irá nos contar como é o processo de desenvolvimento e pesquisa que explora rigorosamente o universo do boneco comediante, inventivo e de grande expressividade cênica, bem como a promoção de espetáculos que utilizam técnicas apuradas de confecção e animação de marionetes com um refinado padrão de qualidade. O grupo foi responsável pela criação dos bonecos do espetáculo Arremedos da Cia Vento Negro.

A programação da Mostra conta ainda com uma oficina, desenvolvida como contrapartida social do projeto, no sábado, das 8h às 12h. A “Oficina Poéticas da Infância: Contar Histórias como exercício de Encantamento”, será ministrada pela artista Josiane Geroldi, e irá abordar, a partir da ludicidade e do imaginário, ações práticas para o encantamento da infância através das histórias e brincadeiras populares na escola. A atividade é gratuita e voltada a profissionais da educação e cultura da cidade de Guatambú. O objetivo é multiplicar o conhecimento fazendo que as ações sejam desenvolvidas em cidades de pequeno porte, garantindo o desenvolvimento integral da comunidade, a partir de experiências culturais.

No domingo (17), a programação finaliza com uma roda de conversa com as profissionais Deni Argenta e Célia de Bortolli, abordando o tema “O interior como potência: políticas públicas de cultura para o desenvolvimento em SC”. A conversa irá abordar como encontramos, nas regiões interioranas, manifestações culturais enraizadas no cotidiano, enriquecidas pela sabedoria do povo. A partir disso, como pensar políticas públicas de desenvolvimento que contemplem a cultura nos diferentes territórios do Estado guarda uma potência e uma riqueza capaz de transformar realidades, mitigar violências, fazer renascer povos, fazer sonhar toda gente e melhorar a vida de todos nós.

Toda a programação será transmitida pelo canal do Youtube do Instituto Cultural Nossa Maloca.

PROGRAME-SE

15/10 - Sexta- feira

  • 20h - Espetáculo “Arremedos”, Cia de Artes Vento Negro
  • Fechado para universidades da região;

16/10 - Sábado

  • 08h às 12h - Contrapartida Social: Oficina Poéticas da Infância: Contar Histórias como exercício de Encantamento - Assessoria: Josiane Geroldi - Departamento Municipal de Cultura de Guatambu/SC, (atividade presencial).
  • 20h - Espetáculo “Arremedos”, Cia de Artes Vento Negro
  • Transmissão Aberta
  • Classificação indicativa: 12 anos
  • Youtube Nossa Maloca
  • 21h - Diálogos da Cena - Grupo Bricoleiros, do Ceará;

17/10 – Domingo

  • 17h - Roda de Conversa “O interior como potência: Políticas Públicas de Cultura para o desenvolvimento de SC”, com Célia de Bortolli e Denise Argenta.

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