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RESSIGNIFICAR A HISTÓRIA

Projeto 'Origens' inicia trazendo a história de Chapecó contada sob o ponto de vista dos povos originários

Por: LÊ NOTÍCIAS
30/11/2021 11:02 - Atualizado em 30/11/2021 11:04
Sirli Freitas A partir de fotografias e intervenções de áudio, projetadas em diferentes prédios da cidade, projeto conta a história pelo olhar dos povos originários, que tiveram as suas vidas afetadas pela chegada do homem branco em algum momento de suas gerações A partir de fotografias e intervenções de áudio, projetadas em diferentes prédios da cidade, projeto conta a história pelo olhar dos povos originários, que tiveram as suas vidas afetadas pela chegada do homem branco em algum momento de suas gerações

A história nos foi contada pelos colonizadores, foi assim que aprendemos, desde cedo, na escola. Mas o que os livros de história não nos contaram? E se a história pudesse ser contada por quem veio antes da colonização, pelos povos originários? Esse é o objetivo do Projeto “Origens”, contemplado pelo Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura, da Fundação Catarinense de Cultura, que inicia sua programação nesta terça-feira (30), em Chapecó. Recontar a história e ressignificá-la é o intuito do projeto, realizado pela Margot Filmes.

A ação faz da escuta - esse recurso tão rico na preservação do patrimônio imaterial do País - uma forma de preservar e difundir a história que nunca foi contada. O projeto nasce para nos fazer pensar e sentir sobre as origens de Chapecó antes da chegada da imigração italiana e alemã na região, e a importância dos povos indígenas na formação das comunidades. Para chegar a essas histórias, durante um ano e meio a equipe do projeto esteve nas comunidades indígenas do Toldo Chimbangue e da Aldeia Condá, conversando com os moradores, vivenciando a sua cultura e ouvindo.

Para a fotojornalista e pesquisadora do projeto, Sirli Freitas, foi um processo muito importante. “A seleção dessas histórias foi feita junto com a comunidade, foram ouvidas pessoas mais velhas, os guardiões e guardiãs dessas histórias e também professores e pesquisadores indígenas. Não teve interferência de pessoas brancas na hora de contar, nós fomos apenas a ferramenta para que essas memórias cheguem a outras pessoas. Esse é um momento muito importante para que possamos olhar novamente para essa história que nos contaram em partes e possamos ouvir esse outro lado, que nunca chegou até nós”, explica.

A História O município de Chapecó, como já diz a origem de seu nome (Kaingang), foi um importante território indígena, que em meados dos anos 1930 se transformou em palco de grandes conflitos agrários, quando imigrantes italianos e alemães chegaram para “desbravar” a região. Muitos indígenas foram mortos e as comunidades que sobreviveram, resistem ao longo do tempo às constantes disputas por pequenas áreas do seu território original. Se o genocídio físico não bastasse, ao longo dos anos uma cruzada para apagar a memória dos povos originários, construiu uma historia oficial que conta o surgimento de Chapecó a partir da chegada dos colonos europeus.

Pensando em retomar essas memórias, guardadas nas comunidades indígenas, é que surge o “Origens”. A partir de fotografias e intervenções de áudio, projetadas em diferentes prédios da cidade, o projeto pretende contar a história da nossa região do ponto de vista dos povos originários, que tiveram as suas vidas afetadas pela chegada do homem branco em algum momento de suas gerações. Através da oralidade e da fotografia, a proposta constrói uma narrativa alternativa para a nossa história, nos fazendo refletir sobre como ela nos foi contada, até agora.

“Nós enquanto artistas, precisamos dar um retorno para as comunidades, para as pessoas que não tiveram acesso, não tiveram condições de contar essa história. Esse projeto é sobre isso: abrir uma janela para que essas pessoas possam de alguma maneira interferir nessa história até então contada, nos oferecendo a oportunidade para questionar o que nos falaram, a começar pela informação de que antes da chegada do homem branco, por aqui não existia nada”, enfatiza Sirli.

Programação As projeções iniciam nesta terça-feira, 30/11, no Monumento Desbravador, na Avenida Getúlio Vargas e prosseguem, ao longo de 10 dias, por diferentes espaços, com diferentes temáticas, que podem ser acompanhadas pelo público, nos dias e horários marcados. Todas as ações acontecem de maneira gratuita, democratizando o acesso da comunidade aos bens culturais. Todos os espaços escolhidos para as projeções trazem ligação direta com as histórias ouvidas e com os povos indígenas.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO

30/11 - terça-feira

  • Local: Monumento Desbravador
  • Avenida Getúlio Vargas
  • 20h
  • Tema: A violência

01/12 - quarta-feira

  • Local: Escola Fenno - Toldo Chimbangue
  • Comunidade Indígena Toldo Chimbangue - Água Amarela
  • 20h
  • Tema: Fenno - A mãe de todas as lutas

01/12 - quarta-feira

  • Local: Mata - Toldo Chimbangue
  • Comunidade Indígena Toldo Chimbangue - Água Amarela
  • 20h30
  • Tema: Toldo Chimbangue - A luta pela terra

02/12 - quinta-feira

  • Local: Estádio Índio Condá
  • Rua Índio Condá
  • 19h45
  • Tema: Vitorino Condá

02/12 - quinta-feira

  • Local: Hospital Regional do Oeste
  • Rua Montevidéu
  • 21h
  • Tema: Saberes da cura

04/12 - sábado

  • Local: Câmara de Vereadores
  • Rua Marechal Bormann
  • 20h
  • Tema: Mulheres Kaingang

06/12 - segunda-feira

  • Local: Prédio Zandavalli
  • Avenida Nereu Ramos
  • 21h15
  • Tema: Lugares sagrados

07/12 - terça-feira

  • Local: Calçadão
  • Rua Benjamin Constant
  • 20h
  • Tema: O parto kaingang

08/12 – quarta-feira

  • Local: Catedral Santo Antônio
  • Rua Marechal Floriano Peixoto
  • 21h20
  • Tema: Cosmologia Kaingang

09/12 – quinta-feira

  • Local: Museu de História e Arte de Chapecó
  • Avenida Getúlio Vargas
  • 20h
  • Tema: Arte kaingang

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