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Xaxim sem museu e o enterro da história municipal

Por: Axe Schettini
17/08/2017 21:26 - Atualizado em 17/08/2017 21:27

Para entender a falha e a falta de preservação histórica, vamos voltar várias décadas no tempo para entender um pouco do que se passou por estas terras, até então chamadas de Xapecó, mas que em 23 de julho de 1947 se transformou em Chapecó. Aqui e em toda a região era “tudo mato”, como dizem as pessoas em tom de brincadeira. Mas o Brasil, em plena Revolução Industrial, na década de 40, promovida pelo então presidente Getúlio Vargas, expandia-se rapidamente, inclusive no interior do país, onde o comércio era favorecido devido este crescimento rápido da economia.

Xaxim não era diferente, então Distrito de Chapecó, com população de 5.565 habitantes, via-se erguer, na época, uma das maiores e mais emblemáticas obras da história local. Era Dia da Independência do Brasil, 07/09/50, momento de festa e civilidade, quando o Colégio Imaculado Coração de Maria, imponente e lindo, foi inaugurado com a presença de centenas de pessoas e autoridades. (foto na esquerda)

O distrito crescia e, em 1953, foi elevado à categoria de município, mas sua emancipação política foi decretada somente em 20 de fevereiro de 1954. Diante de toda sua grandeza, a cidade também tinha aquela importante obra religiosa, que era um local de fé, oração e unção, já que foi morada para membros da Igreja na época.

Muitos anos se passaram, e Xaxim foi crescendo. Com a vinda da Chapecó Alimentos, a cidade progrediu, avançou na agricultura e se tornou lar para centenas de famílias que vieram de várias partes do Brasil. Com a evolução, prédios e outras grandes construções foram erguidas e acabaram ofuscando a imponente obra que havia sido inaugurada na década de 50.

Então, com o passar dos anos, e já com décadas de história, o primeiro grande tapa na cara da história municipal foi dado, quando destruíram, um dos primeiros casarões construídos na cidade, que era do pioneiro Luiz Lunardi, na esquina da avenida que leva seu nome com a avenida Plínio Arlindo De Nês.

De lá para cá, a sensibilidade pela história municipal, com objetivo em deixar tudo que aqui foi feito, preservado eternamente, continua zero. Nada mudou e nada foi feito por alguma autoridade, entidade de classe ou movimento popular.

Então da noite para o dia, na madrugada de 04 de junho de 2014, há três anos, foi aberto os sete palmos. Naquela noite desabou-se a maior e mais emblemática obra histórica municipal. Foi um amanhecer triste, a história municipal chorou e Xaxim, em lágrimas, mais uma vez, nada fez. (fotos na direita)

Uma tentativa falha do Governo Municipal no dia 10 de junho daquele ano, ao realizar uma coletiva de imprensa, e anunciar que iria trabalhar para nunca mais haver destruição de algo histórico, não se concretizou, pois a história não preservada é praticamente uma destruição. Na época, também disseram que havia a possiblidade da reconstrução do local, mas todos sabiam que aquilo não ia se transformar em nada, além de papel reciclado.

Xaxim é rica em fotos, objetos e acervos, mas com pessoas e não em um museu, que beneficie a cidade, as pessoas, as crianças e a história. Espera-se, francamente, que alguém tome uma atitude e torne o ideal do museu em algo palpável.

Há muitas formas e maneiras de isso se concretizar, com apoio do Ministério da Cultura, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a única coisa que falta, talvez, seja vontade. Lamentável. Com a palavra a Prefeitura de Xaxim, Câmara de Vereadores, Ministério Público, Rotary, Lions, Maçonaria, Aciax, CDL e outras tantas entidades que buscam uma cidade melhor...


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