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Transparência Criciúma

Da fabricação de banha no frigorífico Diadema ao abate de Aves da Chapecó Alimentos

Por: LÊ NOTÍCIAS
04/09/2017 10:52 - Atualizado em 04/09/2017 16:48


Por Vitória Schettini e Axe Schettini

A agricultura e pecuária fazem parte da história do Oeste catarinense, desde que a região sofreu um surto de desenvolvimento na década de 1920, quando os colonizadores trouxeram os costumes e implantaram as culturas de plantio, que auxiliaram no rápido crescimento e fluxo migratório. Além disso, o incentivo à pecuária foi fundamental para geração de empregos e renda.

Em Xaxim não foi diferente, já que em 1936, André Lunardi escolheu o então distrito de Chapecó para montar uma empresa, junto com os irmãos Giácomo e Domingos. A empresa André Lunardi & Cia LTDA foi criada e estabelecida como uma sociedade de comércio, atuando em vários ramos e um deles era o Frigorífico Diadema, o qual passou a funcionar com a marca Lunardi e Regência, contribuindo fortemente para o crescimento do distrito e o desenvolvimento econômico local. O LÊ NOTÍCIAS conversou com quatro senhores que viveram e lembram dos anos iniciais que sucederam a implantação do Frigorífico Diadema em Xaxim, sendo eles, Carlos Alberto Dal’Bello - Juca, Valdemar Mendo, Jacir Teston e Luiz Pensin.

De acordo com Carlos Alberto Dal’Bello, para o levantamento da unidade na década de 1930, foi necessária a construção de uma serraria, ferraria e olaria, para a fabricação de tijolos. “Meu avô, Giácomo Lunardi foi quem idealizou o projeto, após a finalização da construção, iniciou ao lado dos irmãos, a compra de animais que seriam destinados ao abate. Lembro que o abatedouro se dividia em um barracão maior, para o manuseio de carnes, e outro menor, onde ficava instalado o gerador de eletricidade, movendo as máquinas. Posteriormente à industrialização da matéria-prima, os produtos eram vendidos ao mercado paulista, sendo que a banha e o salame eram transportados por caminhões até Joaçaba - então denominada Cruzeiro, os quais seguiam de trem para São Paulo”, conta Juca, lembrando também que todo excesso de energia produzido pela unidade era direcionado para o consumo das famílias do Norte e Oeste do distrito, já que o Leste e o Sul eram abastecidos pelo gerador do moinho São João.

Naquela época, um grande vendaval afetou todo sistema de energia do local, fazendo com que muitos postes feitos de troncos de árvore caíssem, deixando os fios todos embaraçados e atrapalhando o abastecimento elétrico do então Frigorífico. Isso só mudou após a instalação de um novo sistema de distribuição de energia, pela Cia Industrial Papelão Chapecozinho, moderno, mais abrangente o qual perpetuou por décadas no município.

Há cerca de oito décadas, no início dos trabalho tudo era feito manualmente e o frigorífico chegou a gerar 50 empregos diretos. Na época, Sigisfredo Fávero era o responsável pela produção de banha e controle de qualidade, sendo que a fabricação de salames era supervisionada por Avelino Riboli. A partir de 1950, além desses produtos, eram comercializados carne de suíno salgada, mortadela, linguiça e salsichas não enlatadas. Na fabricação da banha, os operários a embalavam ainda quente em pacotes de papel, para depois serem transportadas.

Há 55 anos, em 1962, Valdemar Mendo iniciou a função no frigorífico, onde começou encaixotando banha e mais tarde foi transferido para a sala de máquinas e como vigia, quando cumpria expediente diário de 12h, sendo que tinha direito a apenas dois dias de folga por mês, um sábado a cada 15 dias. “Lembro muito bem daquela época, chegava à empresa e já colocava a água para esquentar na caldeira, quando também a usávamos para depilação do porco”, conta com tom de saudade, que conhece tudo lá dentro.

Ainda segundo Juca Dal’Bello, o Frigorífico precisava de uma modernização para que se tornasse mais competitiva, no entanto, os proprietários não tinham condições de investir. “Nesse sentido, a sociedade foi desfeita e a S/A Indústria e Comércio Chapecó, comandada por Plínio Arlindo De Nês, adquiriu o frigorífico em 1963. A unidade foi ampliada para aumentar a produção de carne e em 1974, a Chapecó Avícola foi instalada em Xaxim, iniciando suas atividades, dois anos depois, no ramo da avicultura”, contou ao LÊ NOTÍCIAS.

Mendo lembra que ainda em 1962, o empresário Plínio Arlindo De Nês determinou que a obra de reforma, então apenas concluída parcialmente, fosse retomada imediatamente com a instalação da nova câmera fria e a troca da caldeira, já que a antiga estava sucateada. “Naquele tempo não havia ração, então os porcos eram engordados com milho e o abate diário era de cerca de 80 a 100 suínos. A suinocultura dependia muito da safra de milho, não era fácil”, relata ele, que se aposentou na empresa em 1997, mas continuou atuando de forma terceirizada.

Com o início da produção avícola, conforme o ex-funcionário Jacir Teston, a empresa abatia em torno de duas a três mil aves por dia. Ele também lembra que na época, as pessoas da cidade questionavam-se se a audácia de Plínio Arlindo De Nês em encerrar o abate de suínos e iniciar a produção de aves, daria certo. “Eu recordo muito bem desta época, as pessoas indagavam-se ‘será que vai dar lucro’? E não deu outra, em 1993, para se ter uma ideia, a empresa era responsável por aproximadamente 70% do movimento econômico de Xaxim e, em 1997, abatia cerca de 230 mil aves por dia”, recorda Teston, que trabalhou por 29 anos no frigorífico, grande parte disso no setor financeiro.

Nos primeiros anos das atividades com aves, a produção incluía incubação de ovos, pintinhos de um dia, rações para aves e suínos, industrialização de frango para o mercado interno e externo, além da fabricação de adubos. Naquele tempo, cerca de 635 produtores eram integrados à companhia, a qual ela os fornecia pintinhos de um dia, medicamentos e assistências. No final da década de 70, o abatedouro tinha capacidade para abater 10.500 aves/hora e a fábrica de rações produzia 50 toneladas/hora, sendo que em 1976, o frigorífico tinha aproximadamente 72 funcionários e nos anos 90, chegou a empregar 2.200 funcionários diretos e 6.600 indiretos.

MERCADO NACIONAL

A Chapecó expandiu os negócios pelo Brasil afora, vendendo frango congelado e cortes de frango para todas regiões do País

– Nordeste

– Centro-Oeste

– Norte

– Sudeste


MERCADO INTERNACIONAL

Também se impôs no exterior, levando o nome de Xaxim para o mundo

– Arábia Saudita

– Japão

– Chile

– Angola

– Argentina

– Itália

– Iêmen

– Bahrain

– Singapura

– Hong-Kong

– Malásia

– Espanha

– Suíça

– Angola



FOTOS DO ACERVO PESSOAL DE CARLOS DAL'BELLO


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