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Presidente da Aurora afirma que há possibilidades da empresa sair de Xaxim

“Não vejo a Aurora fora de Xaxim, mas existe uma possibilidade sim”, diz Mário Lanznaster
Por: LÊ NOTÍCIAS
18/09/2017 10:02

O presidente da Coopercentral Aurora Alimentos, Mário Lanznaster, concedeu uma entrevista exclusiva ao editor-chefe do LÊ NOTÍCIAS, Marcos Schettini, durante o programa “Vanguarda no Poder”, da Rádio Vang FM 95,5, na manhã de sábado (16), em Xaxim. Na pauta do bate-papo, é claro, a força da Aurora e da agroindústria catarinense:


Marcos Schettini: A Aurora sempre foi uma marca de respeito e conquistou mercados internacionais. Que marca a Aurora possui?

Mário Lanznaster: a Aurora é, onde você for, mesmo no Brasil, sinônimo de qualidade. Aurora também é sinônimo de ratear, dividir os lucros. Ou seja, é uma empresa cooperativa, formada por 13 cooperativas filiadas, que vêm desde o Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A Aurora foi constituída em 1969, mas começou a abater suínos em 1963, com 250 suínos/dia, e hoje está com 18 mil suínos/dia, sendo que vai fechar o ano com 19.600 suínos/dia. Há 30 anos, a Aurora foi convocada novamente pelas cooperativas filiadas, pelos agricultores, para se envolver na área de abate de frango. O primeiro frigorífico construído foi em Maravilha, que funciona bem até hoje, abatendo atualmente 1 milhão de frangos/dia. Há 12 anos foi convocada novamente, para trabalhar com leite. Hoje recebe e industrializa 1,5 milhão de litros de leite por dia. Ela recebe toda essa produção das cooperativas filiadas, ou seja, os associados entregam nas cooperativas filiadas, e elas por sua vez entregam na Aurora.

MS: A marca conquistada no continente asiático, europeu e até nos Estados Unidos é uma responsabilidade muito forte. Recentemente nós vivemos um ‘ataque terrorista’ contra o mercado brasileiro, onde a operação Carne Fraca, que foi realizada de modo irresponsável e teve um custo muito alto. A Aurora teve o respeito garantido lá fora, sofreu um pequeno abalo, mas já está recuperando?

ML: Abalo nem chegou a sofrer. Na verdade, o mercado lá fora, quando ouviu essa notícia, que foi muito estrondosa, ele quis saber já de imediato dos nossos responsáveis pelo mercado internacional o que estava acontecendo no Brasil. E ai nós tivemos que mandar lá para fora os nossos gerentes, explicar o que realmente estava acontecendo e dizer olho no olho: “confiem na marca que é boa e tranquila, e a produção é de agricultores, de cooperativa. Não tem ganância, tem qualidade”. Isso foi até positivo sobre determinados aspectos. Naquela época, nós exportávamos 28 milhões de toneladas/mês e hoje estamos com 30 ou 31 milhões. Então quer dizer que houve um crescimento, mas também houve um ônus. O mercado internacional está mais vigilante em cima da carne brasileira. Desde a carne de frango, em relação a salmonela. Antes faziam uma análise de contêiner, hoje fazem duas ou três. Quem tem qualidade, fica tranquilo em relação a isso.

MS: A Aurora precisa faturar por dia R$ 34 milhões, ou seja, a cada quinze minutos, R$ 350 mil. Isso é um tamanho impressionante...

ML: A Aurora vai fechar daqui a 60 dias com 28 mil funcionários, com a folha de pagamento R$ 74 milhões. Então você vê que a responsabilidade é muito grande e se não fechar com o faturamento, chega no fim do mês e vai faltar dinheiro. A Aurora está bem financeiramente, está bem controlada, é uma empresa que é conduzida de uma maneira normal. O que houve há três anos foi a compra da SAIC em Chapecó, e no ano passado a compra da Cotrel, em Erechim. Esses investimentos são feitos até porque está saindo o leilão dessas estruturas que a Aurora está tocando, e a Aurora tem comprado nesses leilões.

MS: A unidade da ilha de Xaxim vive um dilema. Falamos com o síndico da Massa Falida da Chapecó Companhia Industrial de Alimentos, Alexandre de Araújo, e ele afirma que não existe ameaça da saída da Aurora de Xaxim. Para o agricultor familiar que depende, o que significa tudo isso?

ML: Como é Massa Falida decretada, existe lei que coordena para que as coisas sejam conduzidas dessa forma, o juiz ou o mesmo síndico tem que seguir essas normas, essa lei. Em relação a Xaxim, o que existe e o que vai acontecer, é que os credores querem que vai a leilão. E já existe pré-estabelecido um preço para isso. Quem o fez foi o Judiciário e é oficial. O preço que existe hoje é de aproximadamente R$ 300 milhões. Quando se faz esses levantamentos, eles colocam sinergia, ou seja, a indústria rodando, uma instalação ou criação funcionando, essa sinergia é muito alta. Então o preço é muito alto, no primeiro leilão provavelmente ninguém vai comprar, e quem comprar, que toquem. Mas não vai haver nem no segundo leilão. Existe um preço que a Aurora entende que possa pagar, assim como aconteceu em Erechim. Os brancos querem um valor X, ai sobra o remanescente da Massa Falida, que ele não pode abrir mão, a não ser que ocorra primeiro e segundo leilão. Nós vamos ter que esperar e vamos ter que passar por isso, vai ser um período um pouco nervoso, mas eu não vejo a Aurora fora de Xaxim, mas que é possível estar fora, é. Continuo vendo a Aurora aqui, apesar da estrutura da unidade velha, antiga que tem seus defeitos, e em coisa velha se você colocar dinheiro, continua velho, não adianta. Futuramente, a Aurora vai ter que achar uma outra alternativa para o abate de frango aqui de Xaxim.

MS: Em Lajeado Grande há a fábrica de graxa e o prefeito Noeli Dal Magro queria saber qual é a participação da Aurora nisso...

ML: É bom a gente explicar o que aconteceu antes. Quando a Aurora assumiu, quem estava antes, quem pagava aluguel era o Kaefer, sendo que a Diplomata deixou pagamentos de funcionários para trás, não conseguiu pagar. Ai ofereceu para a Justiça como garantia a estrutura em Lajeado Grande. O juiz determinou que o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados usasse isso para fazer o pagamento. O sindicato procurou a Aurora e nós compramos, colocamos o dinheiro nas mãos deles, R$ 2,5 milhões para adquirir aquilo lá. O Kaefer foi esperto e tentou deixar a estrutura também na recuperação judicial, como ele fez lá em Cascavel, ou seja, vendeu duas vezes. Isso atrapalhou tudo. A Aurora adquiriu, até começou a montar os novos equipamentos em Lajeado Grande e veio a informação de que não era da Aurora, não tinha escritura, os equipamentos que compramos tivemos que descarregar em outro lugar. Não sei o que vamos fazer, não vou gastar dinheiro tirando os equipamentos de Quilombo nem de Mato Grosso do Sul. Vai passar um tempo e a escritura devia estar na nossa mão já há três anos, mas não está. Em Lajeado Grande vai ter que se ter paciência.

MS: Quantas famílias dependem diariamente da Aurora?

ML: Produtores diretos são de frango, suíno e leite. 3450 produtores de suínos, 3200 produtores de frango e 5700 produtores de leite. A Alfa é a cooperativa mais importante porque representa o maior volume. A partir de fevereiro de 2018, teremos novidade, a Aurora vai passar a fornecer peixe ao mercado.

MS: O que o setor público atrapalha no privado?

ML: O setor público ficou muito inchado, tanto estadual como federal, e até municipal. O papel do governo é fiscalizar, normatizar, acompanhar e orientar e cobrar muito o setor privado. A partir do momento em que o setor público quer administrar empresa de água, energia, seja lá o que for, coloca gente incompetente porque é apadrinhado político. Resultado: é custo, é burocracia, é carimbo. Por que não privatizar as empresas?


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