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'Classes B, C e D já têm dificuldades de ingressar no ensino superior', diz Jacoski

Por: LÊ NOTÍCIAS
20/11/2017 10:31 - Atualizado em 20/11/2017 10:32

Em visita à Redação do LÊ NOTÍCIAS, o reitor da Unochapecó Claudio Jacoski concedeu entrevista ao editor-chefe Marcos Schettini, onde foram abordados temas referente a maior instituição de ensino do Oeste de Santa Catarina, além do Fies, eleições 2018, Chapecó 100 anos e sobre as mudanças na Unochapecó. Confira:

LÊ NOTÍCIAS: Quais são os caminhos da Unochapecó em 2018 e qual é o fomento de qualidade aplicada dentro da instituição?

Claudio Jacoski: Nós estamos com uma reforma na estrutura organizacional da instituição, fazendo três grandes modificações. Uma delas, na área de ensino, sobretudo na área de cursos. Então nossos coordenadores de curso a partir de agora não serão mais eleitos, serão indicados pela instituição. Eles não terão mandato. Nós tínhamos um problema que nossos coordenadores ficavam apenas dois anos de atuação e isso gerava um problema grave de circulação de pessoas e de gestores. A partir de agora, teremos um coordenador mais fixo, pensando mais no curso, ajudando a organizar, muito mais próximo dos alunos, inclusive. Teremos uma mudança com a criação de uma pró-reitoria de pesquisa, extensão e inovação e pós-graduação. Então teremos uma nova estrutura para pensar os processos de desenvolvimento da nossa pós-graduação, principalmente do stricto sensu, dos mestrados, dos doutorados e principalmente na área de inovação. Uma outra mudança é que nós, a partir de agora, não teremos mais os diretores administrativos, teremos diretores pedagógicos atuando nas áreas, há uma mudança bem significativa porque nós gostaríamos de ver a Unochapecó se desenvolvendo principalmente na questão acadêmica e é isso que nós vamos fazer a partir de fevereiro de 2018, após uma decisão tomada pelo Conselho Superior da Fundeste recentemente. É um novo momento para a Unochapecó, é uma instituição que se moderniza, que se adapta às situações do seu tempo e nós temos certeza que estamos colocando ela no rumo do desenvolvimento, que ela precisa e merece.

LÊ: E a questão do ensino e do FIES, ele vale a pena?

Jacoski: Nós vamos ter uma mudança agora no Fies, daquele modelo que nós tínhamos anteriormente. Se tivesse um financiamento mais efetivo, se o Fies voltasse às condições que ele tinha em 2013 ou 2014, nós teríamos um crescimento da entrada de alunos no ensino superior, não tenho dúvida disso. Porém, no momento, no modelo que nós estamos, dificilmente teremos um crescimento por conta disso. Nós notamos que o Fies está extremamente complexo, as taxas estão altas, para as instituições o valor está se tornando pouco interessante, porque a cada momento o governo cria uma nova maneira de cobrar valores. Nós acreditamos que precisaríamos de uma discussão muito mais efetiva de um outro projeto de financiamento do ensino superior, pois notamos que países desenvolvidos tem um processo bem estruturado de financiamento do ensino, e isso seria fundamental. As classes B, C e D já não conseguem acessar o ensino superior por não conseguir dar conta das mensalidades.

LÊ: No ano que vem tem eleição. É importante que a instituição, que agrega em torno de 8000 alunos, debater o rumo dos quais o Brasil precisa...

Jacoski: Sem dúvida alguma. Nós esperamos que no que vem, com essa questão da eleição presidencial, nós possamos colocar a educação do centro da discussão, do futuro do país. Nós entendemos que a educação precisa de um planejamento a médio e longo prazo. Nós notamos que estamos hoje quase que sem rumo. Porque é um processo de abertura da educação superior foi feita de forma equivocada no meu entendimento. Acreditamos que a presença de instituições privadas é importante para o desenvolvimento do ensino superior, mas também o desenvolvimento das instituições públicas também não está adequado. Na condição que nós estamos, não se tem claro qual é a finalidade das universidades, o que uma pública tem de fazer, o que uma privada tem de fazer. A distribuição geográfica das instituições nunca foi discutida, acho importantíssimo fazermos esse tipo de discussão, porque precisamos, de uma vez por todas, pensar em universidades que estejam localizadas e adequadas ao seu espaço regional. Assim são as comunitárias, por isso nós acreditamos que o modelo comunitário deveria ser muito mais discutido e pensado pelo país como um todo, pois é um processo, uma condição de desenvolvimento para a nossa região. Por causa das comunitárias que nós tivemos em Santa Catarina um processo de crescimento de cidades de forma homogênea. Hoje nós vemos várias cidades que são desenvolvidas no mesmo nível, digamos assim, temos Chapecó, Joinville, Criciúma, Florianópolis, por conta das instituições comunitárias. Além de todo o debate em torno da corrupção, deveria se colocar a educação no centro, pois precisamos organizar o futuro desse país. Note que os resultados que nós estamos atingindo em índices, em vários indicadores internacionais dão conta de que ou nós, urgentemente temos que fazer um processo de mudança no ensino superior, senão nós vamos ter problemas no desenvolvimento como estamos tendo. Nós acreditamos que a efetividade do ensino superior se dá num processo de desenvolvimento futuro. Parece que esse seria o caminho, colocarmos a educação no centro do debate no próximo ano.

LÊ: Chapecó 100 anos, reitor...

Jacoski: Para nós chegarmos nessa condição, a Unochapecó em 100 anos participou de 47. Esses 100 anos representam para nós um momento muito importante. Eu considero que lá na década de 1970, tivemos um momento muito efetivo de organização das pessoas da cidade, das pessoas da região, para nós que atingíssemos o desenvolvimento que nós temos hoje; A Fundeste foi criada naquela época, o Sicom, a Efapi, a Cooperalfa foi criada naquela época. Foi um ano muito rico, foi um momento em que a sociedade se reuniu, onde os líderes daquela época compreenderam que a união era muito mais importante para o desenvolvimento. Eu acredito que nesses 100 anos, algo parecido começa a acontecer, onde nós temos muita discussão a respeito do futuro de Chapecó, do desenvolvimento, na necessidade de incorporação de novas matrizes produtivas, para que possamos pensar efetivamente no futuro, os problemas que nós temos na cadeia da agroindústria, tenta se encontrar uma produção com o milho do Paraguai, com essa possibilidade que nós temos. Eu sinto um momento muito parecido com aquela época, com vários pontos. A Chapecoense também é daquela época e nós vemos o ponto que o time está, o seu auge em que se encontra. Então me parece que vivemos um momento parecido, por conta do centenário. Eu vejo que Chapecó começa a discutir o seu futuro a partir de agora e isso é muito bom, muito importante.

LÊ: Defina Claudio Jacoski, reitor da Unochapecó...

Jacoski: Alguém que tem o sonho de fazer com que o ensino superior se desenvolva e acredita muito que é a partir da educação que nós faremos a transformação dos seres humanos, a partir do conhecimento que nós faremos com que os humanos sejam melhores e a partir dai que o país pode se desenvolver no futuro, porque nós precisamos pensar que as crianças estão vindo, que os nossos filhos, os nossos netos, precisam de um país melhor e só pela educação conseguiremos isso.


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