Close Menu

Busque por Palavra Chave

Caso Diplomata: Credores aprovam plano para pagamento das dívidas em até 15 anos

Por: LÊ NOTÍCIAS
02/02/2018 14:53 - Atualizado em 02/02/2018 14:54
Diplomata em Xaxim, que empregava milhares de pessoas, foi fechada em 2012 (Foto: Arquivo/LÊ) Diplomata em Xaxim, que empregava milhares de pessoas, foi fechada em 2012 (Foto: Arquivo/LÊ)

Depois de três horas de assembleia, os credores do grupo Diplomata aprovaram, nesta quinta-feira (1º), a proposta para pagamento das dívidas do grupo até 2012, estimada em R$ 785 milhões.

A assembleia ocorreu no auditório da Univel, em Cascavel, e também em Xanxerê, ao mesmo tempo. Compareceram representantes de 856 credores. Cada um recebeu uma máquina para votação e depois um relatório dos votos foi impresso e colado na parede para conferência.

A aprovação do plano foi superior a 70% em todas as classes e o pagamento se dará em um, cinco ou até quinze anos, de acordo com estas classes.

Trabalhistas

Os credores trabalhistas que têm até 150 salários mínimos receberão 100% do valor em até um ano. A aprovação da proposta de 95%. O valor que ultrapassar os 150 salários mínimos será pago apenas 15%. As dívidas trabalhistas são estimadas em R$ 27 milhões.

Garantia real

Os credores com garantia real, ou seja, aqueles que ao assinar o contrato tinham alguma garantia dada pela empresa, devem receber 100% do valor original da dívida em até 60 meses. A proposta foi aprovada por todos os credores presentes. A dívida com este grupo é de R$ 22 milhões.

Quirografários

Os credores quirografários são os mais penalizados com a proposta e são os que acumulam maior montante de dívida: mais de R$ 700 milhões. São bancos e empresas que ficaram sem receber da Diplomata, mas que não tinham garantias. A proposta é a de pagar 15% do valor da dívida em até 15 anos. Apenas os produtores rurais que estiverem neste grupo receberão 100%. A proposta foi aprovada 91% dos presentes, detentores de 70% dos créditos.

O que acontece agora?

A proposta aprovada vai para homologação do juiz e a partir daí os prazos passam a contar. Não se sabe quanto tempo a homologação pode demorar. A justiça e administradores judiciais nomeados acompanharão o cumprimento do plano.

Além dos recursos próprios a empresa propôs leiloar imóveis avaliados em R$ 91 milhões. O valor será usado para pagar os trabalhadores e depois para dívidas que estejam fora da recuperação judicial.

Dívidas posteriores a 2012

É grande o montante de dívidas geradas depois de 2012, que não serão pagas dentro do processo de recuperação. O montante passa de R$ 500 milhões. Estes credores devem procurar as empresas imediatamente para negociar a dívida ou podem fazer a cobrança de maneira judicial.

Avaliação

Entre os credores, a opinião era bastante dividida. Muitos perderam a esperança de receber e outros acreditam que apenas com a continuidade das atividades têm chance de recuperar pelo menos parte do prejuízo.

Marcos Dias trabalhou como motorista por nove anos e tem cerca de R$ 40 mil para receber. “Eu dirigia um caminhão de câmara fria pelo país todo, inclusive no nordeste. Quando a empresa quebrou fiquei sem receber”.

O receio dele é que a empresa não consiga sair das dívidas e cumprir a proposta.

Outro credor de Capanema, que preferiu não ser identificado disse ter cerca de R$ 200 mil para receber. Ele tem três caminhões que prestavam serviço para a empresa. “Eu só quero o meu dinheiro e acho que seria mais fácil de receber se a empresa prosseguir”, pontua.

O proprietário das empresas, deputado federal Alfredo Kaefer, retomou o comando das atividades em meados do ano passado após decisão judicial. Ele não compareceu à assembleia.

O representante das recuperandas presentes na assembleia comemorou o resultado. Para ele o resultado significa que os “credores entenderam as dificuldades” pelas quais a empresa passou.

Se a proposta tivesse sido rejeitada a empresa seria declarada falida e seria encaminhada a venda dos bens para pagamento das dívidas. Esta hipótese, no entanto, abriria espaço para novos questionamentos judiciais.


Após assembleia, Diplomata emite nota

Após a assembleia da Diplomata realizada na tarde desta quinta-feira (1º), onde a proposta para pagamento de mais de R$ 700 milhões em dívidas foi aprovada, a empresa em recuperação judicial emitiu nota. A empresa aproveitou para dizer que a falência decretada em 2014 e revertida no ano passado foi “injustificada” e que a aprovação dos credores foi alta. O pedido é que a homologação do plano seja feita pela justiça o mais rápido possível.

Veja a nota na íntegra:

“A Diplomata na data de hoje, 1º de fevereiro de 2018 em Assembleia Geral de Credores, realizada simultaneamente em Xanxerê-SC e Cascavel-Pr, aprovou seu Plano de Recuperação Judicial com mais de 90% de adesão dos credores.
É pela segunda vez que o Plano é aprovado, sendo que a 1ª em data de 29 de abril de 2014 , então com 84% de adesão.
A injustificada falência decretada, na sequência revertida nos tribunais superiores (STJ) em 06 de abril de 2017, nos levou a atrasar os planos de reestruturação em 3 (três) anos.
A empresa aguarda a homologação judicial o mais breve possível, para que possa retomar seu curso de plenas atividades empresariais na geração de emprego e renda.
Reiteramos nosso compromisso na participação e desenvolvimento do agronegócio do Brasil, onde o a Diplomata escreveu parte da história.”


Com informações do portal CGN.



LEIA TAMBÉM:

Quebra dos frigoríficos Chapecó e Diplomata deixou xaxinenses em agonia plena

STJ reverte falência e solução do caso Diplomata está longe do fim

Presidente da Aurora afirma que há possibilidades da empresa sair de Xaxim


Outras Notícias
OktoberFest
CORAÇÃO DE SC
Rech Mobile
Publicações Legais Mobile

Fundado em 06 de Maio de 2010

EDITOR-CHEFE
Marcos Schettini

Redação Chapecó

Rua São João, 72-D, Centro

Redação Xaxim

AV. Plínio Arlindo de Nês, 1105, Sala, 202, Centro