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VIDAS PROTEGIDAS

Ciclistas adquirem placas para conscientizar motoristas

Com pouco mais de R$ 5 mil, fundadores do Pedal Xaxim transformaram a própria comunidade
Por: Janquieli Ceruti
17/11/2016 09:52 - Atualizado em 17/11/2016 09:53
Placas foram instaladas da Vila Florindo Folle até Marema (Foto: Grupo Pedal Xaxim) Placas foram instaladas da Vila Florindo Folle até Marema (Foto: Grupo Pedal Xaxim)

O feriado da Proclamação da República do Brasil, nesta terça-feira (15), não foi de sossego para a família de Josiel Domingues da Silva, que celebrou o primeiro mês de morte do chapecoense, que teve a vida ceifada por um motorista embriagado há exato um mês. O jovem, de 29 anos, pedalava em companhia da esposa num fim de tarde de sábado, na BR-480, em Chapecó, quando foi atingido e morto por um xaxinense, de 19 anos. Em poucos segundos, pelo menos duas famílias foram destruídas – a do ciclista morto e a do jovem, que terá de carregar por toda vida o peso pela morte do chapecoense. Não há dúvidas quanto à autoria do acidente, mas é preciso destacar que há mais culpados pela morte de Josiel. Além do motorista, que bebeu sem pensar nas consequências, o sangue e as lágrimas que escorreram no asfalto são resultados da fragilidade das leis; da carência de opções públicas de esporte e lazer; da ineficiente mobilidade urbana; das defasadas campanhas de conscientização; e, sobretudo, da teimosia e falta de empatia entre os homens.

Que bebida e direção não combinam não é novidade para ninguém. Mas, e quem respeita? Poucos. Destes, parte reconhece os efeitos fatais do álcool quando ingerido por alguém que irá “pegar a estrada”, mas a grande maioria dos que respeitam o fazem, o que também não é surpresa, porque sabem que a multa é salgada – quase R$ 3 mil. E não é somente a bebida alcoólica a responsável por contribuir para que vidas inocentes sejam ceifadas em cima de pedais. A alta velocidade; a desatenção; a sinalização insuficiente; e a falta de revisão e precariedade dos veículos são fatores determinantes para que acidentes com ciclistas aconteçam e, também diante disto, para a insatisfatória adesão da comunidade ao esporte.

A morte de Josiel motivou a mobilização de dezenas de ciclistas, que seguiram em protesto pela Av. Getúlio Vargas em direção ao Cemitério Jardim do Éden, onde o corpo do jovem foi sepultado. Em Chapecó, os cerca de 40 ciclistas clamavam, silenciosamente, por respeito nas estradas. Enquanto isso, no município vizinho, fundadores do Grupo Pedal Xaxim mobilizavam-se há meses para buscar alternativas no intuito de contribuir para que novas tragédias pudessem ser evitadas.

TRANSFORMAÇÃO NA COMUNIDADE

Num País rico como o Brasil, não só em faturamento, mas em corrupção, muito pouco chega até a comunidade. Falta dinheiro, mas, sobretudo, sensibilidade dos governantes. Prova disto é que com apenas R$ 5.200, os fundadores do Pedal Xaxim melhoraram significativamente a comunidade em que vivem. Guarde bem estes nomes: Anacleto Ducati, André Detoni, Andrigo Reginatto, Fabiano Lunardi, Felipe Ballin, Fernando Lunardi, Junior Reginatto, Luis Paulo Lorenzon, Marcos Antonio de Faci, Marcos Correa Vieira, Matheus Barrionuevo, Matheus Detoni, Odair Di Domenico, Rafael Capello, Roberto Gabriel e Rudinei Gabriel. Dezesseis xaxinenses que, num ato de humanidade, investiram na compra e instalação de 12 placas de sinalização para prevenção de acidentes envolvendo ciclistas.

Há cerca de seis meses, os fundadores do Pedal Xaxim procuraram o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) e solicitaram autorização para patrocinar e instalar as placas. Conforme um dos ciclistas, Felipe Ballin, o órgão autorizou a iniciativa, desde que dentro dos padrões estaduais. Assim, os ciclistas utilizaram o dinheiro – fruto de parte de um patrocínio obtido pelo grupo para compra de uniformes – e instalaram por conta própria as placas, num espaço de aproximadamente 2,5 km cada uma, da Vila Florindo Folle, em Xaxim, até o município de Marema – um total aproximado de 30 km.

Desde o início do mês, quem passa pelo trajeto citado acima já pode notar a presença das placas. “Seguimos as orientações para não ter nenhum problema. Queríamos usar o dinheiro para ajudar a todos, não somente membros do grupo, por isto escolhemos o trecho, que é bastante utilizado. É uma iniciativa que ficará para sempre”, destaca.

Conforme Ballin, a conscientização dos motoristas aumentou nos últimos anos em comparação com 2012, quando o Pedal Xaxim foi fundado, mas ainda há muito que ser melhorado. “Falta educação no trânsito, até por isso insistimos bastante na mensagem com a proximidade entre as placas. Em nenhum lugar que pedalamos até hoje percebemos tamanha sinalização voltada aos ciclistas”.


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