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Perda do irmão inspira jornada de coragem e empreendedorismo em SC

MB Comunicação  Empreendedor presta homenagem ao irmão assumindo seu negócio Empreendedor presta homenagem ao irmão assumindo seu negócio

Recomeçar por meio da perda inesperada. Foi em meio ao luto pelo irmão que Romoaldo Cardoso, de 56 anos, natural de Três Palmeiras (RS), assumiu a gerência de um ponto de lavação de veículos, em Chapecó (SC). A decisão, primordialmente, ocorreu para honrar temporariamente a memória de Romeu Cardoso, que infartou em 2014. “Ele gostava muito da profissão. Pensei em administrar o local até que encontrássemos novos proprietários. Era uma forma de ficarmos próximo a ele e de agradecer, respeitosamente, os clientes do posto pela confiança”, afirma Romoaldo.

Após cinco meses à frente dos negócios, a perspicácia empreendedora garantiu a segurança que Romoaldo necessitava para firmar o compromisso de gerenciar permanentemente a empresa. “Percebi que dava certo. Apesar de ter desenvolvido rapidamente a habilidade com a atividade e ter me identificado com o espaço, na época, ainda não tinha experiência. Aprendi na prática e foi um sucesso. Minha vida sempre teve reviravoltas, mas nunca fui inferior aos desafios. Com coragem, busquei me igualar. Empreendo, ao lado da minha esposa, há 11 anos”.

Além de lidar com a dor da partida de Romeu, Romoaldo lidou com os desafios financeiros. “Com a empresa, assumi também todas as dívidas. Meu irmão tinha emprestado recursos da Credioeste. Muita gente acredita que quando alguém morre as contas se extinguem, mas não funciona assim. Fiz questão de pagar, mas tem muito a ver com os meus valores, com o que aprendi no nosso contexto familiar. Nunca espero que as pessoas ajam da mesma forma, mas essa é a maneira que lido com o mundo. Isto é, para mim, o correto”.

Depois de quitar as dívidas, Romoaldo seguiu um cliente fiel à agência de microcrédito. “Emprestei recursos para reformar a empresa e regularizá-la, pagar o Habite-se e comprar materiais. Além disso, buscamos suporte, porque nossa atividade muitas vezes depende de fatores que não podemos controlar, como o tempo. Quando chove, nosso atendimento oscila bastante, então as linhas de crédito auxiliam com capital de giro. Sempre que precisamos fomos recebidos de portas abertas”, expôs o empreendedor.

O apreço pela ordem, pela objetividade, pelos valores, pela simplicidade e pela resistência construiu-se no interior e por meio das experiências profissionais. “Fiquei dois anos no Exército, morei 15 anos em São Paulo, fui garçom e trabalhei seis anos em uma agroindústria. Nesse período, com esforço, consegui comprar um terreno, mas não tinha dinheiro para construir. Recebi ajuda e, sem sequer ser servente, comecei a erguer a casa. Paguei somente o reboco. O restante fiz tudo. Errei muito. Muitas vezes colocava a massa na boca do tijolo e caía do outro lado. Mas deu certo. Foi assim que me tornei pedreiro. Entregava os imóveis com a chave na mão”.

Para o empreendedor, esse esforço é vontade de aprender e de viver. “Nunca foi fácil, tropecei muitas vezes. Minha jornada foi importante para chegar onde estou e garantir que a StopCar cumpra com o seu papel”. Apesar de atender mais de 300 clientes por mês, com a higienização interna e externa dos veículos, Romoaldo optou por não ampliar o quadro de funcionários. “Trabalho somente com minha esposa. Mão de obra é um desafio, tanto pela dificuldade de encontrar pessoas com disposição para atender da forma que necessitamos, quanto pela confiança”.

Acreditar integralmente nas pessoas, para o empreendedor, é uma missão difícil. “Já tive algumas situações que me fizeram perder a admiração pelo outro, mesmo em casos de indicação. Nos preocupamos com isso, porque prezamos pela qualidade no atendimento, atuamos com respeito para com o cliente e também temos cuidado pelos objetos que muitas vezes eles deixam nos automóveis. Sempre fizemos nosso melhor e as pessoas percebem e nos elogiam. Essa é a nossa satisfação. Sei que poderíamos fortalecer a equipe para aumentar a procura, mas preferimos fazer menos, seguir nossos princípios e seguir o que é certo”, aponta Romoaldo.

Em uma história em que as dificuldades são protagonistas, mas em que a superação se sobressai, Romoaldo motiva aqueles que, assim como ele, buscam sucesso profissional. “Lutamos para sobreviver. Eu me considero um grande guerreiro. Tive muitos altos e baixos, mas sigo forte. Não podemos nos entregar. Se temos saúde, podemos trilhar novos caminhos. Se não for aqui, vai ser em outro lugar. Então, nunca desista. Principalmente no início, não é fácil. Porém, às vezes, você está em situações pouco favoráveis e, repentinamente, boas notícias chegam e a vida surpreende”, motiva o empreendedor que, emocionado, com lágrimas no rosto, manifesta o apego à crença de que, com amor e fé, tudo dá certo.


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