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TRANSTORNO

Empresário reivindica retirada de barranco na BR-282

Obstáculo atrapalha visão ao estabelecimento comercial e traz insegurança aos moradores
Por: Felipe Giachini
22/11/2016 09:49 - Atualizado em 22/11/2016 09:53
Barranco esconde comércio que fica às margens da BR-282 (Foto: Felipe Giachini/LÊ) Barranco esconde comércio que fica às margens da BR-282 (Foto: Felipe Giachini/LÊ)

Desde que o comércio de derivados de suínos “Salame Colonial Bide” mudou-se de Cordilheira Alta para Xaxim, há um ano e meio, o que deveria ser motivo de satisfação com a nova empreitada vem trazendo preocupação ao empresário Alcebíades Dal Santo, de 57 anos, popular Bide, e a esposa Noeli Camargo, de 52. Envolvido no ramo há mais de 30 anos, Bide quer mais apoio do Poder Público para a empresa, principalmente no que se refere à segurança do local, que é ameaçada a cada anoitecer devido a uma barreira entre o comércio e residência e a rodovia. Os produtos da empresa são requisitados por xaxinenses e visitantes de todo o País e o movimento, segundo ele, se agrava no fim do ano impulsionado pelas festas e destino dos turistas ao litoral catarinense. As datas comemorativas, que deveriam ser motivos de entusiasmo com as vendas, trazem receio à família, pois a virada do ano nunca mais será a mesma, pois no dia 1º de janeiro eles foram alvo de assalto, este que deixou, além de marcas no psicológico dos empresários, as cicatrizes no corpo após Bide ter sido atingido por quatro tiros.

Foi no dia 19 de fevereiro de 2011 quando Bide e Noeli decidiram abrir a empresa em Cordilheira Alta. Após quatro anos, eles decidiram inovar e mudaram-se para Xaxim e instalaram a empresa e residência próximo ao Acaci Park Hotel, em 9 de junho de 2015. As vendas feitas diretamente do balcão para o consumidor final são até hoje o diferencial do estabelecimento, que preza pela relação olho no olho com a clientela. Além de fazer com que os clientes se sintam em casa, os produtos naturais e de qualidade atraem consumidores dos quatro cantos do Brasil. “O povo reconhece a qualidade do produto, tanto que nosso nome está conhecido no País inteiro, afinal os caminhoneiros compram e fazem propaganda para os amigos e colegas. Temos uma boa clientela de argentinos que passam por aqui quando vão para as praias do Estado, principalmente nessa época de fim de ano”, conta Noeli.

Como atrativos, o Salame Colonial Bide produz 14 tipos de produtos com matéria-prima vinda de diversas cidades da região: salame de carne suína defumada colonial; salame tipo italiano; linguiça fina de carne suína; torresmo temperado; costela suína resfriada sem carré; queijo de porco; codeguim; copa; banha; kit feijoada; ossinho; linguiça de legumes; hambúrguer e linguiça campeira. Bide não esconde a satisfação de “abrir as portas pela manhã bem cedo com a esperança e fé de ser um dia especial, com boas vendas. É uma atividade que gostamos muito, criamos amizades, temos um ambiente bom de trabalho e trabalhamos com o povo. A maior dificuldade que encontramos é com a falta de incentivo do governo. Precisamos que as autoridades olhem também para o pequeno empresário e não só para o grande”, destacou.

Quanto ao maior empecilho, um barranco às margens da BR-282, que, além de tirar a visão dos motoristas, que muitas vezes não encontram a empresa, que só é vista no sentido Xaxim-Chapecó, é um incentivo à ação criminosa devido também à falta de iluminação adequada. Bide conta que projetos foram feitos para a retirada dessa barreira, que as máquinas já foram pagas pelo dono do terreno para remover o incômodo, mas que a realização da obra ainda não foi autorizada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). “Precisamos de um empurrãozinho para tirar esse barranco e já estamos há mais de um ano com o projeto pronto. Se tirarmos aumentará a visibilidade e consequentemente os lucros, assim aumentaríamos a equipe, o que irá gerar mais empregos. Além disso, o retorno de impostos para o município será maior”.

SUSTO

Era por volta das 22h de 1º de janeiro, data que normalmente reúne familiares, amigos e bons sentimentos e pensamentos para o ano que inicia, quando o medo tomou conta do casal. Assim que os familiares que estavam hospedados na casa deram uma saída, Bide e a esposa ficaram sozinhos. Ele foi tomar banho e Noeli deitou um pouco para descansar. Bide se dirigiu à sala, onde assistia televisão e fazia um lanche. De repente, uma pancada na porta chamou a atenção dos dois, que foram até ela. Ao lado de fora, três homens os apontaram quatro armas. “Eles me levaram para dentro de casa pedindo dinheiro. Entreguei o relógio, o celular e eles me mandaram ir para o cofre. Ao chegar lá, ele foi na sala conversar com os comparsas e nisso tentei me defender, foi quando ele me atirou duas vezes. Ele voltou para o quarto e eu, meio inconsciente, entrei em luta corporal, foi aí que ele atirou mais duas vezes. Se eu não reagisse ele iria me matar. Com o barulho dos tiros, os outros dois foram até o quarto e nisso a Noeli correu para a parte de fora da casa gritando por socorro. Assustados ele correram. Após isso ficamos na sala esperando a polícia e os bombeiros. Eu ainda estava meio inconsciente e muito nervoso, tanto que não senti nenhum dos disparos, só percebi quando ela me falou. Levei quatro tiros (na barriga, cabeça, costas e braço), inclusive uma bala ainda está alojada na coluna. Vimos a morte de perto. Eles iam nos matar, mas Deus não quis”, relatou.

Com a chegada do fim do ano, tudo volta à cabeça. O trauma que ficou deixa o casal amedrontado, mesmo que a segurança já tenha sido reforçada e a iluminação intensificada. Noeli acredita que “se tirar esse barranco, aí sim conseguiremos dormir a noite, pois a visão estará livre e isso deixará os bandidos com receio de agir”. Mesmo após passar por essa situação, eles não desanimam em continuar com as portas abertas e manter a qualidade dos produtos e a boa relação com os clientes, o que os faz acordar todos os dias com o compromisso com a população e os amigos que fizeram ao longo dos anos.

PERTO DA SOLUÇÃO

Para realizar qualquer intervenção na faixa de domínio do Dnit, como o trecho em questão, projetos devem ser apresentados levando em conta aspectos técnicos exigidos pelo órgão. O caso está em andamento entre as partes interessadas (quem utiliza do trecho), Prefeitura de Xaxim e o Dnit. Conforme o supervisor do Dnit, Diego Fernando da Silva, a apresentação do projeto de engenharia tem de ser formalizada com a solução proposta, pois sem justificativa o Dnit não pode autorizar nenhum tipo de intervenção. Ele destacou que o processo está em andamento para encaminhar as melhores soluções para o trecho, inclusive na regulamentação de vários acessos no local, como o do hotel, inclusive. “Estamos tentando buscar uma solução que abranja a todos os envolvidos, nos comércios e hotéis próximos, até porque tem um fluxo considerável de veículos, o que requer uma saída que seja viável a todos e traga segurança a quem utiliza do local”.

Diego ainda informou que o Dnit está aguardando posicionamento da Administração Municipal para a apresentação dessas informações. “Estamos decidindo de que forma estaremos fazendo essa tramitação e assim que tivermos tudo em mãos analisaremos a proposta e assim operar. Queremos dar uma solução que traga benefício para todos, como a segurança da rodovia e para quem utiliza desses acessos”.

Em conversa com o secretário da Administração, Rodrigo Morás, ele informou que reconhece a importância de solucionar esse problema e que o município entrará em contato com o empresário para solicitar um pedido formal e encaminhar ao Dnit nos próximos dias.


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