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Direito em Foco | Não surpreende, mas preocupa

Por: Gustavo de Miranda
23/05/2018 18:24
(Foto: Juan Barreto/AFP) (Foto: Juan Barreto/AFP)

Não surpreendeu a notícia da reeleição de Maduro na Venezuela, pelo menos os números lá ainda foram variados para uma ditadura tradicional sem muitas pompas, pois na Coreia do Norte, o outro doente lá anunciou 99% de votos favoráveis na última eleição.

Uma eleição com apenas 52% do eleitorado, menos de metade do povo indo a voto, que era pra terminar às seis da tarde e foi até as nove da noite, porque o boneco chavista queria “garantir o direito” ao sufrágio do povo, através de coação e compra de votos, levados a cabo pelos coletivos chavistas, as milícias do governo federal, uma repaginação venezuelana da Gestapo.

Num regime mentiroso, autoritário e tosco como o de Maduro, fadado ao fracasso como mostra o desempenho econômico do país e a história, a democracia falece e o Direito é domado, surrado e acorrentado, as Cortes da Justiça são aparelhadas para ditar e não ditar a regra como melhor aprouver ao seu dono, como bem faz o Conselho Nacional Eleitoral, acadelado ao regime, desmoralizado e pedindo respeito, até parece um órgão sério, ao contrário da Assembleia Nacional, que sofreu um golpe e foi destituída do seu poder legislativo, que agora é exercido pela Constituinte, formada por cupinchas do regime.

Não se leva a sério um lugar onde o Direito e a Lei são moldados sem Justiça, onde não são a base da construção de um povo. Por consequência, a democracia some, leva a liberdade junto e termina por arruinar as mais fortes bases de qualquer país. A Venezuela hoje só tem empresas estatizadas, opositores presos, economia desmanchada, inflação a 14.000% (!), desabastecimento, e um povo que foge de lá às pencas por não ter o que comer. Pergunte aos imigrantes venezuelanos que chegarão às nossas cidades em breve.

A situação tanto chegou a um extremo que mais da metade do povo não foi votar, em um impactante boicote ao governo cada vez mais ditatorial e ineficiente de Maduro, comediante também, inclusive, pois prometeu pagar bônus a quem fosse votar – pra ele, claro, mas deixa quieto – e apresentasse a carteira da pátria nos pontos vermelhos, essas bases do governo montadas perto e até dentro dos postos de votação, a boca de urna escancarada que o Conselho Nacional Eleitoral deixa de boa. Surpreendentes 10 milhões de bolívares, ou 11 dólares, ou 37 reais. Pelo menos, o valor regula com o que se paga aos figurantes de militância por aqui.

Acontece que a eleição de Maduro não é reconhecida pela União Europeia, pelo Canadá, pela Colômbia, pelo Brasil, pelos EUA, entre outros países, e isso pode ser um fator de agravamento para a situação dos vizinhos, que vão ter que padecer no paraíso da revolução bolivariana até não se sabe quando, isso é preocupante, pois a Constituinte pode terminar a nova Constituição logo, e terminar de destruir o pouco que resta de identidade à Venezuela.


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