O Boletim de Indicadores Econômico-Fiscais, divulgado em junho pela Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan), aponta que Santa Catarina mantém um desempenho superior à média nacional em diversos setores econômicos, mesmo diante da desaceleração global e brasileira. No acumulado de 12 meses encerrados em março, o Produto Interno Bruto (PIB) catarinense cresceu 2,9%, superando a expansão de 2% registrada na economia do país.
O principal motor desse avanço foi o setor de serviços, que cresceu 4,1%, impulsionado por atividades de tecnologia, conhecimento e inovação, com destaque para os serviços técnicos e profissionais, a administração pública e os serviços de informação. O comércio estadual também mostrou força ao crescer 2,3% no mesmo período, um resultado expressivo frente aos tímidos 0,2% registrados no cenário nacional, o que posiciona o estado no quinto lugar em crescimento do varejo entre as maiores economias do Brasil.
No comércio exterior e na produção agropecuária, o estado reafirmou sua competitividade e capacidade de adaptação às mudanças globais. O setor agropecuário avançou 3,1% nos 12 meses avaliados, sustentado principalmente pela pecuária, que teve alta de 4,4% impulsionada pela produção de aves e suínos, mantendo recordes históricos de faturamento nas exportações de proteínas animais. A China se consolidou como o principal destino dos produtos catarinenses em 2026, enquanto mercados como Japão, México e Países Baixos também ampliaram sua participação.
Já o desempenho da indústria mostrou-se heterogêneo: enquanto a fabricação de alimentos cresceu 4,9%, beneficiada pelo agronegócio, o setor de veículos amargou uma retração de 17,0%. Apesar disso, a indústria de transformação catarinense manteve-se estável, enquanto a média nacional recuou 0,9%, afetada por juros elevados, crédito restrito e tensões geopolíticas internacionais, como o avanço de barreiras tarifárias nos Estados Unidos.
O mercado de trabalho continua sendo um dos pilares mais sólidos do desenvolvimento econômico catarinense, ostentando a menor taxa de desemprego do país. Segundo o secretário estadual do Planejamento, Arão Josino, o estado também lidera nos menores índices de informalidade e subutilização da força de trabalho. No primeiro trimestre de 2026, a população ocupada somava 4,506 milhões de pessoas, representando 97,3% da força de trabalho estimada.
O emprego no setor privado concentrou a maior parte desses trabalhadores, e Santa Catarina registrou o maior percentual de empregados com carteira assinada do país, atingindo 86,7%, bem acima da média nacional de 74,7%. A distribuição ocupacional revela que a indústria geral é a principal atividade econômica do estado, absorvendo 23,6% dos trabalhadores, seguida pelo comércio e pela administração pública e serviços sociais.
Por fim, a dinâmica de geração de renda e emprego formal reforça a posição de destaque de Santa Catarina no cenário federal. Com uma taxa de desocupação de apenas 2,7% no trimestre — frente à média nacional de 6,1% —, o estado criou 63 mil vagas formais de trabalho até abril de 2026, garantindo o terceiro maior saldo de empregos do Brasil, atrás somente de São Paulo e Minas Gerais.
Esse dinamismo reflete diretamente no bolso da população, já que o rendimento médio do trabalhador catarinense alcançou R$ 4.298, consolidando-se como o quarto maior do país e superando significativamente a média salarial brasileira, que ficou em R$ 3.722.
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