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FASCÍNIO DO INTERIOR

Modelo xaxinense que desfilou na SPFW sonha em retomar os trabalhos

Anne C. tem características ímpares, mas precisa de apoio para aproximar-se do mercado
Por: Felipe Giachini
23/11/2016 15:34 - Atualizado em 23/11/2016 15:44
Jovem quer voltar às passarelas e seguir o sonho de ser uma top (Foto: Felipe Giachini/LÊ) Jovem quer voltar às passarelas e seguir o sonho de ser uma top (Foto: Felipe Giachini/LÊ)

Ela tem medidas ideais para a moda internacional: 1,80 m de altura, 55 kg, 89 cm de quadril, 65 cm de cintura e 85 cm de busto. Os números que alcançam as exigências do ramo são aliados aos traços marcantes presentes nos olhos castanhos esverdeados e no longo cabelo castanho de Katiane Cereza, de 18 anos. Inspirada em grandes nomes da moda mundial, a jovem alimenta o sonho que, ao olhar no espelho, a traz a certeza de um futuro promissor. Porém, a realidade vivenciada pela jovem por ter nascido e crescido em uma cidade do interior, numa região pouco valorizada nesse meio, e também pelas condições financeiras não serem favoráveis ao constante deslocamento para os grandes centros, onde os trabalhos em que é solicitada são realizados, impedem que ela consolide e construa seu futuro profissional. Desde os 15 anos, quando foi descoberta por especialistas, Anne C. – nome que usa para contato – já realizou diversos trabalhos em São Paulo, polo da moda no hemisfério Sul, onde, inclusive, seu maior trabalho foi a passarela mais disputada pelas modelos na América Latina, a São Paulo Fashion Week (SPFW), no ano passado. Hoje ela ainda é requisitada para produções, mas devido ao investimento não ser suportado pela família e pela falta de empresário, o sonho da jovem está sendo adiado.

Katiane é filha única de Ari e Cleci Cereza. O pai é pedreiro e a mãe costureira, seus maiores incentivadores. Ela conta que sua altura sempre chamou a atenção e nunca se importou em ser chamada de “Olívia Palito” na escola. Desde criança, seu amor pelos animais parecia definir o futuro da menina que sonhava ser veterinária, mas a veia artística da xaxinense que também queria ser atriz começou a ser lapidada, mas em outro campo, o da moda. Ela enfatiza que nunca gostou muito de tirar fotos e que nunca pensou em ser modelo, mas que a insistência dos familiares e amigos para que ela seguisse essa carreira a impulsionavam para esse mundo. Ao completar 15 anos, o sonho de seu Ari e dona Cleci em ver a filha estampada em fotografias por todos os lados começou a ser traçado quando a mãe levou Katiane até um estúdio para tirar as tradicionais fotos de debutante. O resultado das imagens encheu os olhos da mãe, que não hesitou em apresentá-las ao scouter (olheiro) Diego Comarella, conhecido na região por promover seleções de modelos e atores. Dito e feito. Katiane foi aprovada em três etapas: teste de medidas, passarela e fotos. Na seleção, das oito agências que avaliavam os candidatos todas aprovaram a jovem. Como escolha, Katiane preferiu a Tango Management, agência de Florianópolis, até por estar mais próxima ao lar. Mas, devido às suas peculiaridades, ela foi contratada também pela Way Model Management, uma das mais conceituadas agências de modelos do País, aos 15 anos.

Inicia um projeto de vida

A partir do agenciamento os trabalhos começaram a movimentar a rotina da família. A primeira vez em que foi para São Paulo, onde ficou três dias para a produção do book profissional, a mãe foi junto. Após quatro meses, as produções começaram a solicitar Katiane, que ficou durante um mês realizando desfiles, fotos e comerciais para lojas e marcas. Os pedidos não paravam e as viagens a São Paulo começaram a ser frequentes. Ela ficava por lá cerca de 15 dias, uma semana ou apenas dias dependendo da agenda. “Hoje posso dizer que gosto muito de tirar fotos, principalmente as feitas ao ar livre. Essa rotina de produção de cabelo, maquiagem, figurino e posar para fotógrafos conceituados no mercado, com marcas de grande renome nacional e internacional me encantam muito”, expõe.

No período em que ficou por lá, aulas de passarela, postura e fotografia eram realizadas três vezes por semana, duas horas por dia. A preparação constante garantiu que Anne C. conseguisse realizar o sonho de milhares de jovens: pisar em uma das passarelas mais cobiçadas pelas modelos, a SPFW, que nada mais é do que o maior evento de moda do Brasil e o mais importante da América Latina, considerada a quinta maior semana de moda do mundo, atrás apenas das realizadas em Paris, Milão, Nova York e Londres. Foi na edição de 2015, realizada em abril, que a xaxinense conquistou a vaga, que ela descreve como seu maior trabalho. “Era numa sexta-feira, o último dia daquela semana, quando fui selecionada por uma agência entre dezenas de meninas. Era uma coleção de Verão 2016 da Apartamento. Fui em quem abriu o desfile e foi uma sensação incrível após, claro, aquele friozinho na barriga”.

O outro lado do glamour

Ela relata que as dificuldades enfrentadas pelas modelos são constantes. A primeira vez em que esteve por lá, Katiane ficou em uma casa com 20 meninas; noutra oportunidade em um apartamento com outras 12. Ela conta que as noites mal dormidas por terem de acordar cedo e voltar para casa tarde mexiam com o psicológico das jovens, pois os trabalhos, castings, provas de roupa, e deslocamento para os locais definidos pelos contratantes a deixavam exaustas. Elas recebiam uma quantia para se manterem durante a semana, mas a pressão da estética, de ter de manter as medidas perfeitas comprometia a alimentação delas, que optavam por frutas, barras de cereais e alimentos mais leves. Ainda conforme ela, as agências informavam os locais e horários dos trabalhos e elas tinham de ir por conta, seja por metrô, ônibus ou taxi. Quanto ao banheiro, no apartamento havia somente um para as 12 meninas, o que “era uma confusão e pressão na hora de se arrumar”, explica.

De volta à antiga rotina

O desfile da SPFW foi o mais importante para Anne C. até hoje, mas desde que saiu daquela passarela e voltou para Xaxim, o sonho da carreira começou a ser adiado. Isso porque ela estava concluindo o Ensino Médio e não queria abandonar os estudos, pois ela foi requisitada pelos agenciadores a ficar morando lá. “Eles sempre falaram que não era para desistir porque eu tinha potencial”. Desde então a jovem não retornou mais a SP, pois quis terminar as aulas. Nesse período, ela também foi solicitada a desfilar na Fashion Rio (RJFW), semana da moda no Rio de Janeiro, mas a preocupação de Cleci foi maior que a vontade de Anne de explorar a passarela, pois a distância e por ela ter de viajar sozinha a noite aflorou o sentimento da mãe.

Porém, além de toda a experiência adquirida, a frustração em ter realizado diversos trabalhos ao longo do ano em que ficou em função da carreira se dá pela falta de retorno financeiro, também porque, segundo ela, alguns trabalhos são cobrados pela agência e se ela quiser continuar tem de pagar o que está acumulado. “Nesse tempo não recebi nem mil reais, inclusive no desfile da SPFW eu deveria receber R$ 10 mil, mas não vi um centavo”. O contrato com a agência ainda está aberto, inclusive eles continuam ligando e mandando e-mail para ela fazer trabalhos, mas devido às condições financeiras não consegue ir. Atualmente ela faz faculdade de Processos Gerenciais e trabalha como auxiliar de cabeleireiro.

O sonho não acabou

“Eu quero continuar. Parei porque eu era menor de idade, mas agora já atingi a maioridade e quero continuar. É uma carreira muito gratificante e se engrenar quero trabalhar para ajudar minha família e inspirar outras meninas”. Ela reconhece que o meio veio até ela por acaso, pelas características físicas que chamam a atenção e ela, assim como profissionais da área, acredita em seu potencial e que tem condições de seguir na carreira. “Tive a oportunidade de trabalhar com a moda que é o que muitas querem, mas poucas tem condições para conseguir. Eu, assim como a maioria das modelos, me inspiro na Gisele [Bündchen], que também saiu do interior e é hoje o nome mais conhecido da moda mundial”.

Se precisar morar longe da família, Anne tem total apoio da família, mesmo que o coração fique dividido por ficar longe dos pais, que sentem o maior orgulho por terem uma filha modelo, principalmente ao ver a satisfação nos olhos da filha a cada trabalho. “Pra nós é um orgulho, mas a preocupação é maior que o orgulho, pois ela está sempre viajando. A gente não pode incentivar apenas por um sonho nosso, mas ela decidirá o que é melhor para ela. Se ela estiver disposta a ir viajar a gente vai apoiar sempre, pois a base será sempre a família e estaremos do lado dela”, destacou a mãe.

Seu Ari também se preocupa com a segurança de Katiane e afirma que, se as condições ajudassem, não se importariam de seguir com a filha para onde ela fosse e acredita que o apoio de algum empresário seria fundamental para que o sonho da família fosse concretizado. “A gente sempre incentivou, mesmo ela sendo tímida e com vergonha como no início, mas agora está mais solta. Teria de ter alguém que acompanhasse sempre, como um empresário, um “padrinho”. Se ela resolver ir a gente vai dar todo o apoio e estamos torcendo para que tudo dê certo, sempre buscando o melhor para ela”.


Agradecimento:
Looks: Jana Modas
Maquiagem: O Boticário


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