Uma ampla investigação sobre corrupção e fraudes em licitações no setor de eventos mobilizou o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público de Santa Catarina, na manhã desta terça-feira (07).
Batizada de "Operação Pão e Circo", a ação mirou um sofisticado cartel formado por empresários que manipulavam preços e eliminavam a concorrência para dominar o mercado de shows com artistas de renome nacional no estado.
O esquema criminoso contava com o pagamento de propinas a agentes públicos e uma rede de lavagem de dinheiro para ocultar os recursos desviados dos cofres municipais.
As diligências, autorizadas pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina devido ao envolvimento de investigados com foro privilegiado, resultaram no cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão em sedes de órgãos públicos e residências espalhadas por 18 municípios catarinenses — incluindo cidades como Brusque, Bombinhas, Palhoça e São Bento do Sul — e também na capital gaúcha, Porto Alegre.
Além disso, um empresário foi alvo de um mandado de prisão preventiva. Como parte das punições e garantias de ressarcimento ao erário, o Poder Judiciário determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 9 milhões em bens e valores, além de aplicar medidas cautelares severas, como o afastamento de servidores de suas funções e a proibição de que os envolvidos contratem com a administração pública ou acessem repartições municipais.
Todo o material recolhido durante a ofensiva passará por exames periciais da Polícia Científica antes de ser minuciosamente analisado pelas equipes do Gaeco para dar sequência ao desmantelamento da organização.
O caso segue tramitando sob segredo de justiça. O nome da operação faz uma alusão direta à famosa expressão da Roma Antiga, em que governantes utilizavam a distribuição de alimentos e grandes espetáculos públicos para entreter a população e mascarar os problemas políticos, enquanto uma elite privilegiada desfrutava do poder e enriquecia de forma ilícita.

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