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Exclusivo | Governador define lançamento de Merisio como impressionante e garante que não irá negociar cargos pró-Mauro

Por: Marcos Schettini
19/06/2018 18:19 - Atualizado em 19/06/2018 22:58

Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Marcos Schettini nesta terça-feira (19), no gabinete do governador no Centro Administrativo, em Florianópolis, Eduardo Pinho Moreira disse que não irá abandonar a vida pública, garantiu que não vai negociar cargos em troca de apoio, afirmou que o MDB é o único partido que possui candidato e definiu o lançamento de Gelson Merisio como suntuoso.

Marcos Schettini: Sua decisão assustou Santa Catarina, que contava com sua presença nas eleições...

Eduardo Pinho Moreira: É um processo complexo, pois é uma decisão que não é tomada de supetão. É algo que vem sendo amadurecido, eu pesei todas as circunstâncias fundamentais para que essa decisão, em meu entender, fosse a mais acertada. A situação do Governo do Estado de Santa Catarina é complicada, exige uma dedicação exclusiva. Para eu ser candidato a governador, precisava passar por uma disputa interna dentro do partido e vencendo esta etapa, iria para a disputada verdadeira na eleição. Isso é inconciliável, a campanha interna no MDB e depois na sociedade, com o ato de governar. Eu lembro que quando era vice do Luiz Henrique, em 2006, ele renunciou o mandato para ser candidato à reeleição. Ele dizia que não há como ser candidato no exercício no cargo. Em 2014, o Raimundo Colombo e eu nos licenciamos no cargo, por 45 dias, para que o presidente do Tribunal de Justiça assumisse. Eu não tinha condições de fazer isso agora, pois tenho que tocar o barco dentro do Governo neste momento de extrema dificuldade, pois é muito difícil o momento que a máquina pública vive. É necessário um ajuste diário, então despacho diariamente com o secretário de Estado da Fazenda, fazendo dia a dia uma análise da receita, para saber onde temos que cortar e o que temos que priorizar como ação do governo.

Schettini: Isso não seria um desafio?

Pinho Moreira: Mas fazer isso e ser candidato é complicado. Como vou deixar de atender as demandas internas do governo, que são complexas, para percorrer o Estado pedindo voto? Teria que fazer isso já, agora, a partir desta semana, se fosse o caso de disputar internamente com o Mauro Mariani, então isso não tem sentido. O MDB tem um candidato, que é o deputado Mauro Mariani, com todas as qualificações e todas as condições de ser um grande governador por Santa Catarina. Ele tem uma trajetória política limpa, de realizações, pois foi prefeito, deputado estadual, federal, secretário de Estado da Infraestrutura. Temos uma alternativa, se não tivéssemos, teríamos que fazer um sacrifício.

Schettini: O senhor não traiu a confiança de vários prefeitos que gostariam que estivesse neste jogo? Por que não foi feito uma consulta com as bases?

Pinho Moreira: A consulta com as bases é a convenção, que é algo que irá acontecer daqui a mais de um mês. Eu não ia ser pré-candidato e ficar dentro do gabinete, pois ia ter que ir a Xaxim, Xanxerê, Chapecó, Ponte Serrada, Faxinal dos Guedes. Ia ter quer correr o Estado todo. Então é incompatível, mas tomei essa decisão de forma muito tranquila, pois estou muito tranquilo. É claro que tenho seguidores, como Mariani tem seguidores, as pessoas têm seguidores. Uns a favor, outros contra, uns mais ferrenhos e outros menos ferrenhos. Isso faz parte do jogo político, mas agora é trabalhar, nos unirmos, ter a união interna do MDB para ganharmos a eleição.

Schettini: Mauro Mariani disse que o senhor havia dado a palavra. Mas essa palavra não foi circunstancial, lá trás, uma vez que não se sabia se Colombo iria ou não renunciar?

Pinho Moreira: Claro que sim. Na verdade a palavra foi no sentido de que ele se viabilizasse, no ano passado, lá por setembro e outubro. Então disse para o Mauro ir a campo, trabalhar, se viabilizar, e ele percorreu o Estado, isso precisa ser reconhecido. Naquela época, eu não sabia quando o Raimundo iria sair, em que condições ia sair, como sairia e se nós estaríamos junto com o PSD, pois esta possibilidade existia no ano passado. Então eram circunstâncias diferentes. Depois que assumi o governo, passei a ter uma exposição maior, tomei decisões duras e necessárias, mas aplaudidas pela população. Assumi e propus prioridades na área da Segurança Pública e Saúde, com boas conquistas, então meu nome começou a ser aventado com mais força. Muitas pessoas queriam que eu fosse, é verdade, mas eu tenho dito a todos que temos um bom candidato que é Mauro Mariani.

Schettini: Agora o senhor vai exercer o mandato despreocupado com a disputa interna no partido. Mas e se o quadro mudar, governador?

Pinho Moreira: (Risos) Não vai mudar, o quadro é esse. Deixa o Mauro trabalhar. Eu vou ajudar o Mauro. Eu disse para o Mauro, nas horas de folga, à noite, no final de semana, quando eu não estiver exercendo plenamente a função de governador, quando não tiver crises, eu posso ajudá-lo e vou percorrer o Estado junto com ele em algumas ocasiões. Quero ser um bom conselheiro, pois a vida pública, pessoal e profissional, me deu uma série de ensinamentos que eu posso, de alguma forma, ser conselheiro do Mauro se ele for governador. Governar Santa Catarina nestes momentos de dificuldade, principalmente, exige muito equilíbrio.

Schettini: Qual é o atual cenário econômico de Santa Catarina?

Pinho Moreira: Já fui governador em 2006, durante nove meses, mas era outro momento, com economia plena, não tínhamos problema para recursos do dia a dia. Eu devolvi o governo com dinheiro em caixa para o Luiz Henrique. Agora, dificilmente, qualquer governador, talvez São Paulo, em todo o Brasil, possa cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Está muito difícil a vida pública, e para isso vou dizer ao Mauro Mariani e vou defender, como tenho defendido, a diminuição da máquina pública. O Estado tem que enxugar o tamanho, não cabe mais na receita. Nós temos um déficit anunciado de R$ 1,5 bilhão para este ano. Há quatro meses, tínhamos um déficit de R$ 2 bilhões. Só com gestão nós economizamos R$ 500 milhões. Neste mês, tenho que pagar US$ 62 milhões para o Bank Of America. Estou negociando com o Banco Mundial R$ 2 bilhões para alongar uma parte da dívida, mas isso para o próximo governador. Eu não estou pensando só agora, mas no futuro de Santa Catarina.

Schettini: Como ficam os atrativos de Pinho Moreira para fazer um chamamento dos partidos para construir uma coligação?

Pinho Moreira: Eu vou ajudar. Veja bem, nenhum partido tem um candidato consagrado. Há 15 dias, houve um lançamento [de Gelson Merisio] suntuoso, forte, planejado, realmente impressionante. Só que o principal aliado [Esperidião Amin] será lançado a governador, em Criciúma, no próximo sábado. O PSDB diz que terá candidato. O DEM diz que vai ter candidato. O único partido que de fato tem candidato é o MDB, então largamos na frente. É claro que o deputado Mauro Mariani, como presidente do partido e agora como candidato, vai estabelecer conversas com outros partidos. Na semana passada, conversei muito com Marcos Vieira, Dalírio Beber, Napoleão Bernardes, Paulo Bauer e João Paulo Kleinübing. Tenho conversado com todos. Isso tudo é passado, da minha participação, eu vou agora construir em torno de Mauro Mariani. Vou continuar o governo e ajudar o Mauro.

Schettini: O senhor vai abrir o Governo e fazer uma articulação, neste sentido, para fortalecer a musculatura de Mauro Mariani?

Pinho Moreira: Não. Não faço concessões a nível público. Não tem espaço para isso. Tem que endurecer. Se há uma coisa que vou fazer, talvez, é cortar mais ainda. Vou repetir a frase que ouvi de Geraldo Alckmin: gasto público é como unha, tem que cortar toda semana. Temos que estar cortando, apertando, parafusando, e com isso estamos conseguindo vencer os meses. Volto a dizer, as despesas se avolumam, a dívida é de um R$ 1,9 bilhão e não tem como pagar esse ano. R$ 4 bilhões de déficit e R$ 3,5 bilhões para os poderes. É muito dinheiro, então está sobrando pouco para investimento.

Schettini: Há um entendimento com o Partido dos Trabalhadores para, de repente, fortalecer o projeto do segundo turno? Pinho Moreira vai liderar essa frente pró-Mauro?

Pinho Moreira: Não. Isso tem que ser encabeçado pelo candidato, mas eu ajudo. O Mauro tem trânsito junto ao PT e os demais partidos e é bom que ele converse e mantenha isso. Volto a repetir, eu estou para ajudar o Mauro, mas o comando é dele. Com certeza, quando chamado, estarei junto.

Schettini: O senhor vai abandonar a vida pública?

Pinho Moreira: Não tem como. Alguém que está na vida pública como eu, há 32 anos, não tem como fazer isso. Ainda com a experiência acumulada, com exemplo dos meus pais, que levo a meus filhos, como médico, prefeito, deputado, secretário de Estado, presidente da Celesc, vice-governador e governador. Como ir para casa? Eu vou servir, na pior das hipóteses, apenas militando no MDB.


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