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Editorial | A democracia falida

Por: LÊ NOTÍCIAS
29/06/2018 11:42

Estará a democracia representativa em falência? Estarão os alicerces da democracia política corroídos que ameaçam a sua própria sustentação? Seja qual for a resposta, a democracia representativa está doente, e muito. O que, verdadeiramente, distingue um sistema democrático de qualquer outro regime político, é o respeito pela vontade popular. Se a Queda de Dilma não foi um caminho sinistro de destruição da democracia, então qual é a senha disso?

Como aconteceu na queda da presidente eleita por um parlamento completamente sujo, sustentado em roubos, esquemas e ladroagem plena de seus representados nos cargos comissionados, vai ter quem condene esse editorial em que direção? Nunca será verdadeiramente democrático um sistema político cujos deputados e senadores, titulares absolutos de seus votos, se desvinculam da vontade dos que dizem representar.

As piores ameaças à democracia política, vêm daqueles que se acham superiores ao comum cidadão ou, então, que se julgam portadores de verdades inquestionáveis. Os exemplos mais recentes, aqueles visto em Brasília, são patéticos e, pior que isso, aplaudido pela sociedade. Muitos deles, há décadas lá dentro, são como fósseis de um passado de terror, da ditadura, por exemplo, enquanto outros se beneficiam disso. Como foi possível que tudo isso aconteça abertamente e o cidadão não percebe? A sociedade é feita de tolos e, tolos, são comandados por espertos que foram à tribuna de declaração de voto, pedir a queda de uma presidente reeleita pela maioria esmagadora do País, em nome, inclusive, de meretrizes. São as imperfeições dos regimes democráticos.

Aproveitam-se, inescrupulosamente, das fragilidades de um povo e transformam, algumas das virtudes das democracias, em defeitos tenebrosos. Para qualquer ditador, real ou em potência, o povo nunca está preparado para exercer em plenitude as liberdades ou para escolher, em consciência, os seus próprios dirigentes. O povo deve apenas obedecer porque, mandar, é tão difícil que apenas seus superiores estão aptos a fazê-lo. As liberdades, dizem eles na tribuna do golpe, conduzem à anarquia social e, por isso, o povo não deve ser chamado a decidir o seu próprio destino.

Antes, o povo deve ser conduzido pelas suas elites, sejam elas iluminadas vanguardas políticas ou simplesmente um caudilho de ocasião que aparece chicoteando o cidadão que foi ver seus ex-presidentes da República. Atiram balas em seus ônibus, jogam ovos nas pessoas, pedras e, se necessário, bala para matar. Para eles, o conjunto dos cidadãos constitui, em tese, uma massa de patetas que serve apenas para aplaudir e aclamar as decisões que tomam sem nunca as questionar e, muito menos, reclamar.

Os ditadores garantem sempre que as suas medidas são as melhores ou as únicas viáveis e em favor destes. Esta cultura da idiotice, está hoje em atuação. Em busca de paz e sossego, de segurança e proteção à sua família, ele vota em um doente mental, lunático que pegou este sentimento e transformou em discurso de ódio entre os simples.

Nas democracias frágeis, é o uso da força que garante a emergência e subsistência desses tolos, mas antes o ardil, o engano, o logro e a mentira que o cidadão não entende que, ameaçador, volte um líder de massas que represente seus sonhos e liberdade. Eles, os falsistas, recuperaram um dos mais emblemáticos paradigmas das tiranias, ou seja, a distinção entre a vontade e o interesse do povo colocando governados a serviço de seus ditadores.

Como qualquer ditador mascarado de homem de bem, diz que suas ações são sempre em favor do interesse geral ainda que contra a vontade dos seus beneficiários, ou seja, de quem os elegeu. E porque o povo, raramente, aceitaria o coturno pisado em seu pescoço, se não fosse imediatamente em nome do interesse geral, sempre com a missão de cumprir um grande desígnio patriótico.

Por isso é que, o mais importante para eles, iniciado no golpe, é a conquista do poder em dois turnos. Um no golpe e outro na democracia de cima para baixo.

São essas situações que levam ao apodrecimento da democracia e à descrença de muitos cidadãos nas suas virtudes. É neste ambiente de degradação ética da política e de degenerescência moral da democracia, que as serpentes costumam botar os seus ovos. Aí, quem sabe o que virá, fica a temer estas consequências

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