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SONHO REALIZADO

Xaxinense conclui doutorado no Rio Grande do Norte

Professor de Matemática em Universidade Federal, Daniel Ecco saiu de Xaxim em 2003
Por: Felipe Giachini
30/09/2016 16:35 - Atualizado em 30/09/2016 16:36
Apresentação de Daniel foi em julho, no departamento de Física da UFRN (Fotos: Arquivo Pessoal) Apresentação de Daniel foi em julho, no departamento de Física da UFRN (Fotos: Arquivo Pessoal)

A facilidade com os números e o comprometimento em ajudar os colegas foram fatores de grande influência para o futuro profissional do jovem Daniel Ecco. Além das habilidades no esporte e na música durante a vida escolar, o destaque nas disciplinas de Matemática e Física traçaram o caminho do estudante xaxinense. Com o forte apoio da família, que sempre incentivou o estudo, o desempenho durante os anos de carteira foram regados ao compromisso com os cadernos e livros, tudo para que o sonho do filho de agricultores fosse alcançado. Graduado em Matemática, mestre em Ciência e Engenharia de Petróleo e hoje, aos 29 anos, doutor na mesma área, Daniel acredita que o principal para se chegar aonde almeja é a dedicação aos estudos.

“Antes mesmo de ir para a escola adquiri o hábito dos estudos graças a minha primeira professora, minha mãe”. Assim Daniel descreve a razão do sucesso que, amparado aos pais Rosália e Serafim, e à irmã Liliane, encontrou inspiração em cada etapa da vida acadêmica. “A família é a base de tudo, sempre com os melhores incentivos possíveis, dando total liberdade de fazer minhas escolhas”, afirmou. Ele ainda conta que no Ensino Fundamental tinha dificuldades em algumas disciplinas, o que exigiu muito esforço. No Ensino Médio também, mas sempre procurou ser organizado e com o grande objetivo de ser aprovado no vestibular. Alvo do jovem aprendiz: a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), uma das 20 melhores do País. Aprovado, Daniel ingressou no curso de Matemática em 2004, formando-se em 2007. Como educador ele lecionou em todos os níveis de ensino em escolas públicas, privadas e, no maior campo de atuação, o Ensino Superior, nos cursos de Engenharia - disciplinas de Cálculo, Geometria Analítica e Álgebra Linear -. Atualmente ele é professor no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN).

Daniel queria se qualificar ainda mais e por isso ingressou no Mestrado em Ciência e Engenharia de Petróleo, também na UFRN, em 2009 e finalizou em 2011. Mas ele não parou por aí, a tese de doutorado do xaxinense começou a ser preparada em 2013 e foi concluída neste ano, o que para ele é motivo de sorrisos, afinal foi a realização de um sonho, sonhado junto com a família. “Doutorados por si só requerem dedicação exclusiva, normalmente os alunos recebem bolsas para isso e, em alguns casos, funcionários públicos conseguem afastamento para se dedicarem exclusivamente. No meu caso, as dificuldades foram potencializadas, pois não tive afastamento e muito menos bolsa. Desta forma foi preciso ter dedicação ainda maior, principalmente aos finais de semana. Após quatro anos atingi os resultados que queria: o desenvolvimento de um algoritmo que pode ser usado em várias áreas, principalmente na Engenharia de Petróleo”, expôs.

Com o diploma em mãos, Daniel acredita merecer um descanso e focar no trabalho, inclusive algumas viagens estão sendo providenciadas. Futuramente planeja retomar os estudos com as sugestões propostas em sua tese e também realizar projetos de ensino e extensão para preparar jovens para a Olimpíada Brasileira de Matemática. O resultado do esforço é o que motiva o xaxinense às conquistas e ele reforça a ideia de que para se chegar aonde quer é preciso acreditar no sonho, especialmente jovens do interior. “Precisamos de bons professores, médicos, engenheiros e, não menos importantes, técnicos nas mais diversas áreas. Diferentemente de um passado até recente, hoje nos interiores temos infinitas oportunidades de qualificação nos níveis médio, técnico e superior. Não há mais tanta necessidade de sair do interior para se qualificar. Devemos acreditar nos estudos, pois seremos recompensados”, destacou.

A TESE

As pesquisas tiveram foco no desenvolvimento de um algoritmo para estudar propriedades críticas no problema de percolação em redes bidimensionais e tiveram orientações dos professores Luciano Rodrigues da Silva, do Departamento de Física e Joaquim Elias de Freitas, do Departamento de Matemática. O trabalho mostra fundamentos importantes de Matemática, Física, Estatística e Computação na Engenharia de Petróleo, bem como estes assuntos se revelam importantes para os estudos de otimização na recuperação de petróleo. O contexto principal se caracterizou pela busca do desenvolvimento de um algoritmo para entender como os modelos geológicos estão definindo as conectividades de suas células. Desta forma tornou-se necessário o desenvolvimento de métodos rápidos de modelagem através do estudo do limiar de percolação e da dimensão fractal da fronteira do aglomerado percolante.

Os reservatórios de petróleo são rochas porosas ou fraturadas, normalmente sedimentares, cujo processo deposicional induziu heterogeneidades e com características de um fractal. Essas heterogeneidades são, em grande parte, responsáveis pela baixa taxa de extração do óleo já que dificultam o deslocamento do hidrocarboneto através do meio poroso, deixando grandes quantidades bloqueadas ou seladas dentro da rocha. Quando, após o início da exploração da jazida, a pressão natural do reservatório diminui, recorre-se aos métodos de recuperação secundária.

Quando um campo de petróleo é descoberto, o primeiro passo dado pela indústria é estimar o volume dos hidrocarbonetos (gás, petróleo) no reservatório e avaliar o quanto pode ser recuperado, observando se vale a pena investir na recuperação. Na maioria dos casos, a produção se faz por meio da perfuração de dois tipos de poços: injetores e produtores. Nos primeiros injeta-se algum fluido, como água ou gás, que empurre o petróleo na direção dos poços produtores. Para otimizar a recuperação, se faz necessário escolher a melhor disposição desses poços e determinar a estratégia ótima de injeção. Temos várias regiões diferentes com óleo, mas muitas não estão conectadas. Os poços injetores e produtores devem estar em sítios de um mesmo aglomerado para que haja conexão entre eles.

Através desses estudos foi determinado se uma rede bidimensional percola, percorrendo apenas parte das fronteiras dos aglomerados, verificando se existem dois sítios da fronteira conectados em lados opostos da rede, isto é, sem a necessidade de preencher todos os sítios que formam os aglomerados. Percorrendo apenas parte das fronteiras dos aglomerados, foi possível estudar redes de tamanhos jamais alcançados (superiores a um trilhão de sítios), com complexidade menor que um e um baixo custo computacional em relação aos algoritmos já desenvolvidos sobre o tema percolação. Estudou-se o comportamento do limiar de percolação e da dimensão fractal da fronteira em redes dos mais diversos tamanhos e com uma grande quantidade de simulações, as quais os resultados permitiram fazer comparações e confirmar as previsões feitas através de leis de escalas já conhecidas na literatura.


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