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COMPREENSÃO SOCIAL

Pesquisadores de Rondônia lançam dicionário bilíngue para haitianos em Xaxim e Chapecó

Arquivo de Valnei Brunetto Livro bilíngue também foi lançado na Unochapecó, juntamente com estudantes, professores e pesquisadores da área Livro bilíngue também foi lançado na Unochapecó, juntamente com estudantes, professores e pesquisadores da área

A língua crioula é uma das línguas oficiais do Haiti, após o francês. Por ser muito diferente da escrita e fonética do português, quando haitianos vêm ao Brasil, não conseguem ou têm dificuldade de se comunicar com brasileiros. Com o objetivo de tornar a compreensão melhor entre haitianos e brasileiros, os professores Marília e Geraldo Cotinguiba escreveram o dicionário bilíngue, que agrupa verbetes em ambos os idiomas. Eles vieram a Xaxim no final do mês de julho de 2018, onde divulgaram o trabalho desenvolvido por eles. Além disso, eles foram à Unochapecó lançar o livro para estudantes, professores e pesquisadores.

Em entrevista ao LÊ NOTÍCIAS, os pesquisadores relatam sobre a experiência que tiveram de ir para o Haiti e buscar informações acerca da língua crioula, idioma que falam fluentemente. Marília é professora universitária na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), graduada em Letras Português, especializada em Linguística, mestre em Teoria Literária e doutora em Linguística, com estágio pós-doutoral em Ciências Humanas, além de ser coordenadora do Mestrado Acadêmico e Letras na instituição. Já Geraldo é professor no Instituto Federal de Rondônia, é graduado em Ciências Sociais, especializado em Educação, mestre em História e Estudos Culturais e doutor em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente.

Ambos são fundadores e coordenadores do Grupo de Pesquisa Migração, Memória e Cultura na Amazônia Brasileira - MIMCAB e do Observatório das Migrações em Rondônia – Obmigron.

O LIVRO

De acordo com eles, a ideia de escrever o glossário português-crioulo haitiano veio em 2011, quando começaram um trabalho voluntário de ensino de português para haitianos, em Porto Velho, capital de Rondônia. “Nós começamos como parceiros e voluntários da Paróquia São João Bosco e Serviço Pastoral do Migrante. Ao longo desses anos e diante da necessidade de um conjunto de palavras com equivalência nas duas línguas, começamos a aprender o crioulo haitiano e, ao mesmo tempo, criar um banco de palavras”, revela o professor Geraldo ao LÊ NOTÍCIAS.

Ainda, segundo os pesquisadores, em 2013, eles foram convidados pelo SESI/SC para um curso de formação, para os professores da rede, sobre como ensinar português para haitianos. “Fomos duas vezes a Florianópolis com esse objetivo e o fruto foi a publicação de um livro, em 2014, intitulado Português para Haitianos, que consistia em um caderno do estudante e caderno do instrutor. Eesse livro consta com um vocabulário com cerca de 1.100 palavras. Esse livro, o nosso projeto, a necessidade de comunicação e a ausência de um dicionário com o português e o crioulo foram a motivação principal para escrevermos o glossário e trazer para as duas línguas essa obra inédita em todos os sentidos”, relata a pesquisadora Marília sobre o livro.

Os professores Marília e Geraldo reforçam que a obra que tem um forte viés humanitário, pois possibilita acesso por parte dos imigrantes à língua portuguesa e consequentemente, permite maior inserção deles na sociedade. De igual medida, permite a quem trabalha com os haitianos conhecer um pouco da língua e do vocabulário dessa população. “Podemos dizer que foram 6 anos e meio de muito trabalho, pois desde que começamos a pesquisar sobre a migração haitiana, percebemos que não havia um livro assim e isso serviu de inspiração”, pontuam.

PUBLICAÇÃO DO TRABALHO

Nas palavras dos autores, o livro foi publicado primeiramente no Haiti, primeiro na Université Valparaiso, instituição que os recebeu e proporcionou estadia deles no país. Depois, publicado na Faculdade de Linguística Aplicada, da Université d'État d'Haïti e posteriormente no Centro Cultural Brasil Haiti (órgão da Embaixada Brasileira no país). “Ainda, lançamos na República Dominicana, onde deixamos exemplares no Centro Cultural Brasil República Dominicana e ao retornarmos para o Brasil, fizemos o lançamento em Porto Velho. No final de julho, fizemos o lançamento em Pato Branco (PR) e em Chapecó”, contam sobre o trabalho.

A obra que contou com o apoio da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), com o financiamento parcial da Fundação de Amparo à Pesquisa de Rondônia (Fapero) e com recursos próprios. Outra que agência os auxiliou foi a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que fomentou diversas etapas da pesquisa. Em Xaxim, a divulgação da obra aconteceu com o apoio de Valnei Brunetto, da Paróquia São Luiz Gonzaga, com Laurore, que é presidente da Associação Haitiana de Xaxim e com o Serviço Pastoral da Igreja Matriz São Luiz Gonzaga. O livro também está disponível em forma de e-book e encontra-se disponível para ser baixado gratuitamente no site do MIMCAB no link https://goo.gl/UQT52u.

EXPERIÊNCIA NO HAITI

Marília e Geraldo estiveram no Haiti em momentos diferentes, mas para ambos, foi uma experiência importantíssima, e depois disso, de acordo com eles, passaram a compreender muitos aspectos culturais, políticos, econômicos e sociais da sociedade haitiana e da migração desse povo para o Brasil e para o mundo. “Também estivemos algumas vezes na República Dominicana, país que divide a ilha com o Haiti e que tem uma história marcada por diferenças culturais e políticas. Nos dois países, realizamos pesquisa de campo nas cidades, nas zonas rurais e nas fronteiras, entrevistas com cidadãos e autoridades políticas e visitamos instituições. Tudo isso foi fundamental para ampliar nosso conhecimento e compreender melhor os motivos da migração haitiana e seus "impactos" nos países que os recebem e no próprio Haiti”, relatam ao LÊ NOTÍCIAS.

PLANOS PARA O FUTURO

Conforme Marília e Geraldo, o planejamento é continuar com o trabalho de parcerias com colegas e pastorais. “Queremos oferecer um trabalho de acolhida a quem chega em nosso país na busca de uma vida melhor, continuar nossas pesquisas sobre a migração e a temas a ela relacionados, fazer com que o glossário seja transformado em um dicionário mais amplo e/ou publicar uma versão corrigida e ampliada do glossário e elaborar um novo material didático de ensino de português para imigrantes, não somente para haitianos”, finalizam.


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