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Direito em Foco | O mal nosso de cada dia

Por: Gustavo de Miranda
29/08/2018 12:03

Diz Hannah Arendt, em A Banalidade do Mal: “Sabemos agora, que o pior mal, o mal radical, nada tem a ver com motivos humanamente compreensíveis e imorais como o egocentrismo. Pelo contrário, está ligado principalmente ao seguinte fenômeno: o de tornar o homem supérfluo”.

Acontece que o ser humano sempre foi supérfluo, cada cultura torna outros povos como supérfluos pelo seu tipo de utilitarismo, pelas suas finalidades ou crenças em relação aos outros e isso veio se acentuando com o tempo. Aqui no Brasil, um povo instruído mal e parcamente não distingue os limites do que é certo e errado, Direitos Humanos é "direitos dos bandidos"; a Lei Maria da Penha é supervalorização da mulher; as ações afirmativas são privilégios para alguns brasileiros. Enquanto isso, homicidas se queixam de ameaças de morte, mulheres enciumadas ou vingativas mentem agressões e minorias propagam ódio. Isso pra citar pouquíssimos exemplos.

Veja lá também o exemplo da política nos últimos anos, agora ela é anticorrupção, caçadora de ladrões do erário, e muitos se promoveram com essa deixa, mas estavam coligados e aliados com os ladrões até ontem. As relações político-partidárias também são supérfluas e ocasionais, rendendo elogios ou impropérios conforme a aproximação do momento, vide o petê e o PSDB, adversários históricos, cujos líderes não descartam uma aliança contra Bolsonaro, se ele for ao segundo turno esse ano, ou seja, a militância vai e vem conforme a onda, é formada por supérfluos.

A cultura e a arte moderna talvez sejam os maiores arquétipos dessa maldade banalizada, uma vez que o padrão hodierno se ouve a lo largo nas músicas e estilos mais ouvidos, onde a objetificação das pessoas e a incontinência são requisitos pra diversão e pro conceito estético.

A revista Época trouxe o artigo “A Bolha dos Ultrajovens”, matéria de capa de uma edição de maio deste ano, onde diz, resumidamente, que enquanto países desenvolvidos se preocupam antes em ensinar e desenvolver tecnologia de ponta aos seus jovens, no Brasil se discute identidade de gênero, apropriação cultural e outros assuntos que, embora sejam relevantes, não ajudam a sair da crise um país onde 70% da população é analfabeta funcional quanto aos meios de produção, e por causa dessa falta de conhecimento, ela se torna supérflua e substituível, uma massa que acha que salário é benevolência (ou não) do empregador e não uma função da produtividade, não tem capacidade pra compreender isso e cai no colo dos movimentos políticos de divisão social, abarrotados de gente supérflua, liderados por iguais.

Eis aí o mal nosso de cada dia, essa esteira maligna que joga todos na mesma poça de estagnação, a falta de instrução e a cultura do lixo, a perpetuação dos modos do ladrão e do relapso.


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