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Direito em Foco | Verdades demais

Por: Gustavo de Miranda
12/09/2018 10:35

Cada dia que passa tenho mais firme a impressão de que as grande maioria das pessoas tende cada vez menos a querer ou buscar entender de fato a realidade e suas ramificações e só se preocupa mesmo em expressar suas teorias e suas crenças.

É natural. No contexto que vivemos nesse país onde muitos, levados pela glamurização da ignorância, preferem “não saber” as coisas, e se orgulhar disso ainda, do que buscar informação, conhecimento, a verdade, e se prende aos discursos que mais se alinham às suas desconfianças, pois não há como descobrir algo sem estudo.

Em Intermitências da Morte, Saramago sugere que cada um constrói as suas próprias verdades e se abriga sob elas, e esse parece ter sido o grande alicerce do sucesso da religião, uma resposta eficiente para algo que não tem resposta, mas cai como uma luva para justificar atos cada vez mais extremos.

É escondido debaixo dessas “verdades” que se encontram aqueles que polarizaram tão extremamente as camadas da nossa sociedade no contexto político, e é isso que me leva a questionar a morte de Eduardo Campos, Teori Zavascki, Marielle Franco e sabe-se lá quantos outros. A facada no Bolsonaro não é fato isolado, ele faz parte de atos levados ao extremo por gente que construiu, adotou, ou foi acorrentado a “verdades” perigosas demais.

Adélio Bispo de Oliveira, o agressor de Bolsonaro, em depoimento à Polícia Federal, respondeu: "(...) Que perguntado sobre a motivação religiosa, esclarece que recebeu uma ordem de Deus para tirar a vida de Bolsonaro, haja vista que, embora ele se apresente como evangélico, na verdade não é nada disso; Que questionado sobre a motivação política, informa que o interrogado defende a ideologia de esquerda, enquanto o candidato Jair Bolsonaro defende ideologia diametralmente oposta, ou seja, de extrema direita; Que se considera um autor da esquerda moderada; Que Bolsonaro defende o extermínio de homossexuais, negros, pobres e índios, situação que discorda radicalmente (....) Que declara que não foi contratado por ninguém para atentar contra a vida do candidato; Que não recebeu o auxílio de ninguém para o intento criminoso (...)”.

Cuidado com o que você está pensando agora, pode estar construindo as suas “verdades” conforme suas convicções, mas já identificou de onde elas vem? Observe se a sua reação não faz parte desse fenômeno da banalidade do mal, que citei semana passada, que torna o comportamento bestial em meio de militância.

E assim eu pergunto: quem conseguirá evitar o desmantelamento das instituições democráticas diante do mal banalizado e dos movimentos de verdades pessoais?


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