Close Menu

Busque por Palavra Chave

Na Essência | A necessidade de se mostrar!

Por: Júnior Chisté
14/09/2018 10:10 - Atualizado em 14/09/2018 10:12

A necessidade de aparecer todos nós temos, uns mais, outros menos, seja por motivos ou princípios diversos. É normal que queiramos contar as boas notícias, mostrar as nossas vitórias, partilhar com quem gostamos tudo que conquistamos, seja no ponto de vista material, emocional e espiritual. Porém, esse processo de exposição precisa ser feito sem deslumbramento, com maturidade para não nos sujeitarmos forçosamente, uma vez que esse comportamento deixa de ser uma forma de comunicação e passar ser exibicionismo. Uma necessidade de supervalorização, seja por parte dos outros ou de nós.

Com a chegada da internet, das redes sociais, das fotos e dos vídeos instantâneos, tudo virou ostentação! Ter o melhor corpo, o melhor cabelo, o melhor carro, a melhor maquiagem, o melhor vestido, escolher a melhor viagem, os melhores locais para frequentar. Mas quem disse que tudo isso é questão de "melhor"? Somente para quem se deixa levar, se deixa persuadir tão facilmente. Por isso gosto das pessoas inéditas, das pessoas extraordinárias, dos seres verdadeiramente pensantes, daqueles que ousam fazer diferente, principalmente o que a maioria faz. São essas pessoas que me cativam.

E se mostrar, ostentar, não começou pelo menos pra nós brasileiros em 1988 com a chegada da internet. O sempre inesquecível Sigmund Freud, já em um estudo sobre o exibicionismo, constatou que cada um de nós começou a vida como um bebê exibicionista. Ele ainda verificou que a maioria das pessoas, na fase adulta, têm êxito em conter esse impulso, mas o exibicionista patológico não consegue superar tal aspecto.

Para a psicanálise, o exibicionismo é um modo de excitação erótica, que pode transformar-se em um ato de dimensão patológica, onde se busca uma satisfação exclusivamente egocêntrica. Assim, alguns indivíduos sentem o desejo de evidenciar sua potência sexual: os homens precisam mostrar a sua virilidade e as mulheres o seu erotismo.

O exibicionismo possui uma genealogia hostil, uma vontade inconsciente de revelar as genitálias, entretanto, isso é impossível diante do princípio da realidade. A negação do exibicionismo pode dar vazão às agressões físicas, verbais e insinuosas, que estão latentes ou escancaradas.

Essas coisas estão ligadas ao sentimento de inferioridade, uma necessidade de chamar a atenção alheia – para mostrar que se tem sucesso, fama, dinheiro, carros, títulos ou até mesmo capinhas de celular. Vivemos na era do exibicionismo, em que a grande mídia vende a ilusão que se pode ter tudo que quiser, contudo, ela não diz que isso tem – um custo elevadíssimo, que é o endividamento financeiro e o aumento da ansiedade e da angústia. As redes sociais transformaram-se num grande termômetro do exibicionismo, uma realidade artificial – que se alimenta das carências afetivas ou emocionais, que busca através de likes ou comentários aumentar autoestima, para se convencer daquilo, que não se tem certeza em si mesmo.

E o que mais me impressiona é que se uma foto postada, exibindo, por exemplo, o corpo tem 500 “curtidas” facilmente, agora se a mesma pessoa postar um texto interessante, vai receber 12 curtidas. O que isso quer dizer? Deixo pra você pensar!


Palhoça Você em Dia - Mobile
Covidômetro - Florianópolis - Julho
Alesc - Julho
Radial Julho
Rech Mobile
Publicações Legais Mobile

Fundado em 06 de Maio de 2010

EDITOR-CHEFE
Marcos Schettini

Redação Chapecó

Rua São João, 72-D, Centro

Redação Xaxim

AV. Plínio Arlindo de Nês, 1105, Sala, 202, Centro