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Artigo | Eleições, a sensatez ou a ausência dela

Tayvon Bet

*Hugo Paulo Gandolfi de Oliveira

No atual pleito eleitoral, o antagonismo que se formou diante das candidaturas de Fernando Haddad e Jair Bolsonaro apresenta um nível de paixão poucas vezes visto, historicamente, de tão exacerbado, às vezes irracional, que racionalmente impede até de se ver o quanto legítimo, saudável e insubstituível é um processo eleitoral dentro das regras da Democracia.

Em grande parte, esse quadro formou-se graças às plataformas das mídias sociais. Elas permitem a todos opinar, responsável e legitimamente, mas também a disseminar o falso, espalhar boatos, multiplicar mentiras. As notícias, as “news”, que não existem sem a verdade, passaram a ser “fake”, falsas.

Não há o exercício da prudência para não ser intempestivo, da sensibilidade que permita compreender o outro, ou a outra. Grassa o pensamento pueril, fútil, muitas vezes único, que seguidamente leva ao tratamento de assuntos sérios sem seriedade.

Constantemente se vê um claro exercício do fanatismo, eivado de fervor, intolerância, facciosismo, às vezes delirante. Amigos passaram a se ver como inimigos, familiares como estranhos, colegas como desconhecidos, como se o ápice das amizades, da vida e do futuro do Brasil não fosse além deste 28 de outubro.

Para o lado contrário, Bolsonaro é um despreparado que não administrou sequer um quartel, um deputado de mínimo desempenho, um bronco, tosco, homofóbico, fascista. Já para os opositores a ele, Haddad é um mero petista, comunista, mau administrador, poste do Lula e representa o pior dos riscos pela possibilidade de continuísmo dos governos do PT e da praga da corrupção.

A idolatria sobre um e outro candidato leva à intolerância quanto às ideias contrárias, políticas, partidárias e até comportamentais. Os ataques são gratuitos e fortuitos. Porém, há eleitores lúcidos, em muito maior número de um e de outro lado, que até já pensam não serem tão ruins os dois candidatos, mas que ruins são as ideias fanáticas, simplistas, de ódio, de muitos seguidores, pelo culto, a admiração exagerada, o comportamento fundamentalista.

No meio de tudo isso, nem pensar nos rumos do País, nas conquistas democráticas e no respeito às liberdades individuais obtidas a duras penas após o regime ditatorial e no risco de perdê-las, na competência para administrar os poderes públicos, na possibilidade de que o combate à corrupção e outras mazelas políticas fiquem no segundo plano diante de ideias mirabolantes e da falta de planejamento e da ausência de homens públicos gabaritados para conduzir o País.

Enfim, que de 2019 em diante, finalmente, haja um novo rumo no desenvolvimento do País e no bem-estar do cidadão, não de governos incompetentes como têm sido. Que não sejam tempos negros para o ir e vir, o pensar e o fazer, mas que sejam de crescer, não estagnar, não regredir. Que os novos tempos sejam de construção coletiva para a satisfação individual.

*Jornalista e professor universitário na Unochapecó


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