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Crônica Retrospectiva: Vi e Conheci

Por: Luiz Dalla Libera
31/10/2018 11:58

Hoje faz 35 anos que eu saí da área rural. Vou escrever uma crônica das retrospectivas que vi e conheci no campo e na cidade, nos tempos da velha política e da presente e ainda, me arriscarei em dar palpites aos futuros administradores.

Mas antes, peço desculpas, através do Jornal LÊ NOTÍCIAS, para os ex-candidatos a deputado estadual de Xaxim e Xanxerê. Escrevi uma coluna anterior que Xaxim era hora de ter mais um representante na Assembleia Legislativa, que Xanxerê tinha quatro candidatos: Mattiolo, Barbieri, Adrianinho e Badotti. Porém, tinha mais de quatro e o direito é democrático. O mesmo aconteceu em Xaxim, onde havia um candidato, que eu vi no LÊ NOTÍCIAS, mas não tinha o local de domicílio.

Ouvi, numa sessão na Câmara de Vereadores de Xaxim, a um vereador fazendo uma avaliação da renovação dos legisladores da eleição do dia 07 de outubro e lamentando que o candidato de Xaxim devia ter feito mais votos.

Eu penso que Xaxim é o segundo município da Associação dos Municípios do Alto Irani (AMAI) com maior número de eleitores. Os candidatos de Xanxerê em média, fizeram menos votos que em Xaxim. Xanxerê, com cinco candidatos a deputados estaduais, os quais 60% dos votos foram para os de fora.

Agora, escrevo a crônica geral iniciando da década de 1950, que pode ser até não agrado a todos. Esclareço que não sou político ou afiliado a partidos políticos ou o cabo eleitoral e fiscal de partido. Esta crônica não é local ou regional, mas sim, geral. É melhor ter paz e a amizade, do que ser tudo certo.

Na década de 1950, o Brasil foi governado por Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, pelos antigos partidos PTB e PSD. Getúlio governou 70% de seu mandato. Em 1960, houve a renovação, que faz recordar a de 2018, quando Jânio Quadros foi eleito pela UDN, com seu lema a “Vassourinha”, que varreria toda a sujeira do Brasil. O maior adversário de Jânio era o Marechal Teixeira Lott, sucessor de Juscelino do PSD, o qual seu lema era a “a espada”.

Jânio foi eleito e governou por sete meses, até que a vassourinha não aguentou mais. Então, assumiu o vice João Goulart, que concorreu a vice da chapa de Marechal Lott, que podia votar em presidente. Um partido e vice a outro durante a gestão do vice João Goulart “Jango”, entrou a falada Ditadura. Após vinte e um anos de governos militares, a ansiedade de um governo esperançoso foi eleito indiretamente, o velho guerreiro Tancredo Neves, governou 0% do mandato. Então, assumiu o vice José Sarney, e no final de seu mandato, a inflação chegou a 84% ao mês.

Após Sarney, na segunda eleição, foi eleito o adversário de Lula, Fernando Collor de Mello, com o lema “o caçador de marajás”. Ele governou menos de 50% do seu mandato.

Para recordar, eram promessas semelhantes às de 2018. Jânio, ao assumir o governo, fez várias mudanças com leis incertas, Sarney e Collor criaram o Plano Cruzado, Plano Funaro, Bresser e outros, que acarretaram no congelamento e aumento de preços. Será que não vamos enfrentar de novo isso? Quem não se lembra da inflação diária, onde anoitecia de um jeito e amanhecia de outro?

O combustível aumentava umas horas antes e ainda de noite, as taxas e prestações eram calculadas pelo dólar. O vice de Collor, Itamar Franco, criou o Plano Real, a moeda de hoje e os juros calculados pela Unidade Real de Valor (URV). Posteriormente à eleição, depois de Fernando Collor e Itamar Franco de vice, foi eleito e reeleito o segundo adversário de Lula, Fernando Henrique Cardoso. O povo dizia “entra Fernando, sai Fernando”. Era sempre o mesmo comando.

Agora, vou comentar sobre o que vi e conheci na atual campanha e nas passadas. Há um ano, vi nos meios de comunicação os políticos dizerem “A vez do interior chegou, tem vez e voz”. Eu penso que podia ter dito mais numa vez “o interior tem vez e voz”, porque vários candidatos no passado tiveram sua vez, tanto o governo e muitos a vice. Poderiam dizer “vice não governa”. Só Deus que sabe se governa e por quanto tempo. Após a década de 1950, em nosso Estado, o vice Casildo Maldaner acabou governando mais que o governador.

Muitos candidatos dizem “eu nasci no interior do município tal”, mas eles não dizem o local. Eu nasci na beira do rio Limeira, os primeiros vizinhos eram os bichos do mato. Só faziam visita ao galinheiro, não me envergonho de tal, dizer que nasci na colônia, que me criei na roça. É hora de mudar, não somente em nível Brasil, mas também nos Estados, insiste em continuar. Há vários anos, querem renovar de forma parcial, mas não no geral.

Vi promessas incertas, como mais saúde, segurança, não aumentar impostos e sim, abaixá-los. Conheci candidatos que fazem sua histórica vida política. Exemplo: foi o mais jovem vereador, o mais votado do Estado, não fala daquela eleição que não foi eleito.

Ouvi um outro dizer “o mais jovem prefeito”, mas não foi prefeito, nem vice, eleito apenas fez um terço do eleitorado. Conheci candidatos de muito tempo de vida pública, não podemos chamá-los de corruptos ou ficha suja, tampouco de corretos.

Nunca vi uma eleição de uma enorme salada de frutas igual a de 2018. Há 50 anos, conheci um político em Xaxim que dizia que “é melhor uma derrota de glória, do que uma vitória de inglória”. Até candidatos no Estado, que em 2014 para presidente se agarraram na corda forte vermelha e em 2018, na de cor verde e amarela. Isso eu vi também na minha cidade, Xanxerê, com o Collor de Mello, que “será um grande presidente”.

Conheci políticos e réus em juris. Não há muita diferença, uma vez que eu nunca vi um réu 100% errado ou uma vítima 100% certa. O presidente que foi eleito fará um ótimo governo, mas ao menos duas coisas deveriam ser levadas em conta, que são não aumentar os combustíveis e não colocar o valor da energia elétrica acima da inflação.

Dizem que a Previdência Social está quebrada! Mas não deve ser recuperada não, prejudicando os pequenos beneficiados. Devem cobrar, sim, dos grandes sonegadores. Alguns poderão dizer, que as minhas colunas são semelhantes às ladainhas ou via sacra. Contudo, é bom recordar o que se passou na política do Brasil e Santa Catarina, a partir do último meio século.


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