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Editorial | A decisão do MP é uma, arte é outra

Por: LÊ NOTÍCIAS
21/11/2018 09:12
Divulgação/LÊ Escultura dos três nomes que marcaram Chapecó no final do prolongamento da avenida Getúlio Vargas Escultura dos três nomes que marcaram Chapecó no final do prolongamento da avenida Getúlio Vargas

Já se arrasta, desde a inauguração das três esculturas de Auri Bodanese, Plínio Arlindo de Nês e Serafim Bertaso, diga-se muito bem feitas e digna de respeito, que o Ministério Público questiona o procedimento de contratação da obra e sua beleza na comemoração dos 100 anos de Chapecó. O MP está corretíssimo. Como envolveu dinheiro da sociedade, tem que questionar tudo e colocar seu ponto de vista para quer todas as dúvidas sejam, de fato, explicadas.

Mas arte precisa ir à concorrência? Se o talento é algo pessoal, apresentado com sua assinatura, suas digitais, precisa mesmo ir às menores disputas de preço? Como explicar que aquele artista faz a melhor pintura, escultura ou música se, de estimulação espiritual, algo que tira de si para gerar o que imagina, é criado por sensibilidade e fruto de sua impessoalidade?

Como colocar em licitação aquilo que é de sua riqueza natural e artística se, o outro, não sabendo o que vai ser criado ou gerado, pode concorrer entre eles sem saber a margem mínima do que podem realizar?

O Ministério Público está corretíssimo em seus questionamentos e assim deve prevalecer mas, sem saber o que de fato deseja com sua ação, quer imediatamente procurar uma agulha no profundo mar do oceano.

Só no Brasil que isso acontece de fato. O mundo, cheio de arte e belezas humanas, feitas do nada mas encantando por séculos, tem iniciativas de questionar a pessoalidade, a genialidade, o valor intelectual de um artista que, imaginando, gera. Como Michelangelo a Moisés, sua criação escultural, uma obra magnífica e perfeita, percebendo-se pleno, diz “Parla”.

Imagina, nos dias de hoje, um talento desta altura, realizar uma licitação para fazer uma obra histórica onde se exige o valor mínimo de uma criação intelectual, sem poder de cópia, pessoal, único e verdadeiro?

Respeita-se a iniciativa da promotoria, sua grandeza e força perante a transparência, mas há, ainda, coerência no que se precisa para emoldurar o mundo.

Coloca-se aí a falta de conhecimento do vereador que iniciou o questionamento. Sua altíssima ignorância cultural e história, raiva pessoal e falta de valor com o que é belo em arte, música e luz humana, estimulou-o nesta cegueira, ira e inconformismo com o talento que lhe falta e, por osmose, contamina seus iguais. Vê-se na escuridão em pleno meio dia intelectual.

Depois desta aberração, Chapecó retorna mais um passo rumo ao fosso em que estava, com as magníficas esculturas, saindo.


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