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Memórias do Campo | Biologia, Memórias Antigas e Mistas

Por: Luiz Dalla Libera
31/01/2019 14:12 - Atualizado em 31/01/2019 14:14
Arquivo/LÊ Nesta coluna, o colunista Luiz Dalla Líbera conta sobre suas lembranças de infância na Linha Limeira, em Xaxim Nesta coluna, o colunista Luiz Dalla Líbera conta sobre suas lembranças de infância na Linha Limeira, em Xaxim

Escrevi em algumas colunas passadas, mas repetir não faz mal. Acredito que ninguém sabe o dia da semana do seu nascimento. Eu também não sei ao certo, apenas tenho conhecimento de que foi em 10 de janeiro de 1944. Acredito que foi segunda-feira, mas não tenho certeza. Era um dia de sol e com céu limpo, minha mãe me contou que na véspera, tiraram o mel de 28 caixas de abelha. Ela contava que ao espremer o mel com as mãos, ganhou muitas mordidas e à noite, já não sentia as mãos. Ela teve sorte que não morderam na barriga.

O dia em que tiraram o mel era um domingo. Eles trabalhavam seis dias por semana, mas respeitavam o Dia do Senhor, o domingo. Era um dia claro, porque quando eu era criança, eu ajudava tirar o mel e tinha que ser dia de sol e céu limpo para as abelhas se retirarem das caixas e colmeias. Eles tiraram o mel na véspera do meu nascimento, mas tenho boas memórias antes de completar quatro anos. Recordo-me de um casal de noivos, João Rovani e a noiva Elvira Pianta, que vieram fazer o convite do seu casamento.

Era de manhã e eu estava emburrado. Não tinha tomado café. O motivo era que o pó dos cafés os mercados compravam em latas. Nelas, havia a marca e a cidade de origem. A marca era Pecin e a origem de Paiol Grande, posteriormente Boa Vista e hoje, Erechim. Os mercados vendiam no varejo em quilogramas, embalavam em papel adequado. O motivo de eu não ter tomado café não foi a falta de dinheiro, mas sim a falta do café.

Comprava-se no crédito em caderneta e acertava na venda da colheita. Foi por falta de tempo ir na Vila de Xaxim pela distância e comprar pouca coisa. A memória que eu tenho daquela manhã de falta de café, eu brincava no chão com o rosto para frente da casinha que era separada da casa e de costas, no caminho da entrada. Ao se aproximar, o casal veio sem eu tê-lo visto. Eles me deram um beliscão nas costas, não chorei e também não falei nada. O homem me pediu em italiano “quantos anos você tem?”, eu dei a resposta certa, mas de mudo, abri a mão e mostrei três dedos.

Parece inverdade, mas é a mais pura verdade, como muitas colunas que escrevi ao Jornal LÊ NOTÍCIAS. Nunca denegri ninguém moralmente.

Tenho outra recordação aos seis anos, no mês de janeiro, quando nos mudamos da beira do Rio Limeira para a estrada da Linha Limeira. O nosso saudoso pai, sua primeira moradia abrigou-se na beira do rio por conta da água, que ficava a 100 metros de distância de uma fonte de água, que era muito boa e nascia das rochas. A fonte pertencia à propriedade do saudoso José Gabriel (in memoriam), que hoje pertence a outras pessoas.

Na nova casa, fomos morar em um paiol por uns meses com o objetivo de ficar próximos à construção de 14 metros x 7,5 cm. Os carpinteiros foram João Palú e o filho Arcide em 1950. O meu irmão Carlos ainda mora na mesma casa, porém, ela passou por uma reforma. A descoberta da fonte foi pelos porcos. Meu pai gostava de engordar os porcos soltos na roça, derrubava o mato, soltava o milho no chão e em seguida, os porcos. Em dias quentes, os suínos gostavam de passar o focinho na terra fresca e úmida. E aí começou a aparecer o sinal de água, que se tornou uma sanga. Uma forquilha verde era o ramo de um pessegueiro. O João Palú fez pesquisas e ele teve suspeitas de que as raízes da árvore tinham seis metros de profundidade.

Na nova moradia, ficou mais perto para ir à igreja e esse foi o ano o qual comecei a dar aulas. O local onde havia a igreja, também ficou mais fácil para o carregamento dos produtos agrícolas e de suínos em pequenos caminhões. Antes tinha que puxar de carregador da beira do rio à estrada. Na residência nova, ficou mais perto para ir à missa, porque antes tinha que se abrir duas porteiras. Em 26 de maio, passei na 1ª Eucaristia e a sala de aula era a própria igrejinha. Hoje, lá existe a Igreja de Nossa Senhora do Caravaggio, de abril de 1954.

Deixei o primário pelo encerramento da Escola Mista Municipal de Linha Limeira, estudei no Colégio Gomes Carneiro. A 4ª série em Ipiranguinha, na Escola Mista Municipal de Chapecó. Em 17 de abril, ocorreu o casamento civil de Luiz Dalla Líbera com Pierina Matiello, um fato histórico. Na véspera do casamento, houve a visita e missa com o saudoso Frei Joel Lorenzetti. O primeiro salão de festas do assoalho estava para ficar pronto. Ninguém esperou a inauguração e o primeiro baile aconteceu em 26 de maio. A diretoria foi atrás para arrecadar dinheiro e fazer o baile de casamento.

Com todo respeito, vieram pedir autorização para publicidade pela Rádio Cultura, com o conjunto de músicos, o Trio Irmãos Orlandin, o Laurentino Gaiteiro (in memoriam), Danilo e Mário violeiros, pandeiristas e cantores.

Um fato de uma piada na visita e missa mensal na Igreja, o padre perguntou ao conselho a respeito do novo pavilhão. O padre já estava ciente do baile de casamento e pediu aos noivos para ficarem em pé. O meu sangue ferveu nas veias. Eu estava apavorado. Naquele tempo, os homens ocupavam os bancos da direita e as mulheres da esquerda. Eu na direita cansei do padre ficar me olhando. Ele só olhava a esquerda para as mulheres e cansei. Bati forte em cima do banco com o anel de noivado e ele perguntou foi “Onde está a noiva?”.

Eu, esperto, sabia que era o início dos cursos de preparação do matrimônio. Eu, para isentar-me dos cursos, não perdi tempo, uma vez que o tempo era igual à vida. Eu respondi em voz longa e lenta, “Ela mora no Pocinho”. Com isso, me livrei dos cursos, mas com o compromisso de participar depois das palestras de casais.

Em 06 de fevereiro de 1980 meu pai morreu. No mesmo ano, em abril, meu irmão se casou e em julho, eu e minha família deixamos a querida Xaxim para a atual Xanxerê. Minha mãe viveu mais 22 anos. Em janeiro de 2015, cheguei ao LÊ NOTÍCIAS a fim de divulgar a festa de oitenta anos da minha irmã, Natalina de Coronel Freitas. Hoje, ela mora em Xaxim. Eu fui muito bem atendido. Obrigado pela mensagem, que até hoje tenho guardada. Ela foi divulgada no jornal impresso, edição nº 822.

Minha irmã foi a primeira gaúcha a morar na Linha Limeira, onde residiu até os 24 anos. Naquela visita ao , contei que era um prazer escrever em jornais. A direção me convidou para escrever as colunas em 03 de março de 2015 circulou minha primeira coluna. Em 17 de abril de 2015, eu e minha esposa completamos 46 anos de casamento e na época, saiu a minha quarta coluna no . Agradeço à Redação pela página inteira na edição nº 873.

Em 06 de novembro de 2016, meu irmão Carlos completou 80 anos. Ele foi a primeira criança a nascer na Linha Limeira. Pela gratidão, houve uma missa celebrada pelo Frei Antônio e a festa social foi coberta pelo LÊ NOTÍCIAS, pelo proprietário e Chefe de Redação, Axe Schettini, e pelo ex-colaborador, Luiz Felipe Giachini. A reportagem foi divulgada em um espaço de página inteira, na edição 1.174.

Em 21 de novembro de 2018, minha irmã Elza completou 80 anos de vida. Não houve festa em Ponta Grossa (PR), cidade onde ela mora e todos os parentes do casal, Fedelis Tonini (in memoriam), moram em Xaxim e nos arredores. Elza foi uma das primeiras crianças a nascer na Linha Limeira também, mas não tenho a informação certa, apesar de ter ido atrás em Cartórios. Observação: essas três crianças foram as primeiras moradoras que pertenciam à sociedade e à Igreja Católica da Linha Limeira.

Sou historiador e bom cobrador. Entreguei às mulheres eleitas vereadoras. Se também houver suplentes, não reparo a quantidade de votos, mas a qualidade do trabalho. O ato de dar o nome de uma rua em homenagem à minha falecida mãe das três crianças, pioneiras na Linha Limeira. Faço esse apelo às mulheres vereadores e aos vereadores, ao digníssimo prefeito Lírio Dagort, ao qual sou amigo e conterrâneo antigo.

As vereadoras poderão até dizer que que as mulheres do antigo lar não são merecedoras de serem reconhecidas. Não há muita necessidade de reconhecê-las. Elas são apenas lembradas no Dia das Mães e nos aniversários. Quando meu pai prestava seis dias no ano de ser no serviço braçal de abertura de estradas, trabalho voluntário nas construções, como a Casa Canônica, o antigo Salão Paroquial, que foi demolido, carregar tijolos na Linha Rondinha e descarregue no local da construção do Ginásio Vidal Ramos, hoje a EEB Neusa Massolini. Enquanto meu pai trabalhava, minha mãe tomava conta da casa, criação dos filhos e da roça.

As mulheres devem ser recordadas não apenas em datas de vida, mas na outra vida. Seria esse nosso pedido atendido e agradeço se assim acontecer.


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