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Artigo | Consumo de bebida alcoólica na infância e adolescência

Por: LÊ NOTÍCIAS
15/02/2019 10:57 - Atualizado em 15/02/2019 10:59

*Por Roberto Deitos

Hoje se fala sobre o consumo de bebida alcoólica na adolescência como uma das principais causas de morte. Tal informação não deixa de ser verdadeira. Todavia, antes que isso ocorra outros prejuízos já aconteceram de forma sutil e indelével. Poderíamos perguntar que fatores levam a isso? Pode-se dizer que são vários fatores, mas os que mais sobressaem são a sensação de onipotência, o desafio à estrutura familiar e social, à curiosidade e impulsividade, necessidade de aceitação, busca de novas experiências e baixa autoestima.

Segundo os dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar divulgado pelo IBGE (2016), referente ao ano anterior, o consumo de bebida alcoólica na idade entre 13 a 17 anos amentou em 55,5% no último ano do ensino fundamental, e desses 21,4% já sofreram um episódio de embriagues na vida. A partir desses dados do IBGE leva a autoridade brasileira a cunhar uma lei, alterando o dispositivo do Art. 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente “Vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar, ainda que gratuitamente, de qualquer forma, a criança ou a adolescente, bebida alcoólica ou, sem justa causa, outros produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica: (Redação dada pela Lei nº 13.106, de 2015). Pena - detenção de dois a quatro anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave. (Redação dada pela Lei nº 13.106, de 2015)”.

Diante disso, cabem algumas indagações pertinentes: quais os danos de ingestão de bebida alcoólica por crianças e adolescentes? Além da penalidade da lei que outros instrumentos poderiam auxiliar as famílias para evitarem o consumo de bebida alcoólica?

Primeiro, a ingestão de bebida alcoólica na infância e na adolescência pode apresentar danos neuroquímicos, emocionais, déficit de memória, perda de rendimento escolar, retardo no aprendizado e no desenvolvimento de habilidades, entre outros problemas advindos do uso. Quando isso acontece à aprendizagem fica lenta, sente muita dificuldade de reter conhecimentos e informações, perda de reflexos, baixa motivação para aprender, entre outros prejuízos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso precoce da bebida alcoólica afeta o desenvolvimento global da criança e do adolescente, trazendo sérias consequências e algumas delas podem ser irreversíveis.

Segundo, infelizmente há uma prática de que para ser aceito no grupo precisa beber. A ideia é muito presente, pois há uma cultura estabelecida de que para fazer parte precisa compartilhar com os hábitos do grupo. Se houver uma conscientização de pais, uma fiscalização mais apurada em casas de show, show de cantores famosos, entre outros, pode-se prevenir e diminuir o consumo.

Terceiro, o uso e excesso de bebida alcoólica pode vir torná-lo, na idade adulta, um dependente físico e/ou psíquico. E mais, o álcool pode vir a ser uma porta de entrada para outras drogas. Se fosse feito um levantamento nos CAPS AD, a maioria diria que começou com uma cerveja, depois foram para outras bebidas com maior teor alcoólico até chegar às drogas.

Quarto, o uso de bebida alcoólica e droga podem estar associados a vários fatores, tais como sensação de onipotência, o desafio à estrutura familiar e social, à curiosidade e impulsividade, necessidade de aceitação, busca de novas experiências e baixa autoestima.

Por fim, trabalhar a prevenção ainda é o melhor instrumento para conscientizar crianças e adolescentes dos malefícios da ingestão do álcool, especialmente nas fases iniciais e cruciais do desenvolvimento. Para isso, família, escola e instituições vinculadas à saúde poderiam planejar ações conjuntas com regularidade para que se possa diminuir esses índices elevados de consumo de bebida alcoólica, principalmente, na infância e na adolescência. Caso contrário, a sociedade brasileira pode vir amargar tristes cenários de embriagues, acidentes e doenças crônicas irreversíveis, além da possibilidade de ser a porta de entrada para as drogas.

*Psicólogo e professor universitário na Universidade Comunitária da Região de Chapecó - Unochapecó


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