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Entrevista | Presidente da Amunesc, Ademar Borges defende união de prefeitos para fortalecer municípios

Por: Weliton G. Lins
06/03/2019 22:07

Em entrevista concedida ao jornalista Weliton G. Lins, o prefeito de Balneário Barra do Sul e presidente da Associação dos Municípios do Nordeste de Santa Catarina, Ademar Henrique Borges, falou dos desafios em comandar a maior associação de municípios do Estado. Com o fim das ADR’s, as associações ficarão fortalecidas com a união dos prefeitos para buscar recursos no Governo do Estado e Federal. Ainda, falou do futuro político e dos desafios do MDB. Confira:

Weliton G. Lins: Qual a importância do desafio de assumir a presidência da Amunesc?

Ademar Borges: Para mim é uma honra poder presidir uma entidade que há 50 anos vem prestando um bom serviço para a região. Entendo que o trabalho em conjunto fortalece todos os municípios da região. Não adianta Joinville e Araquari se expandir e Barra do Sul ter problemas. Eu vou com uma missão hoje de regionalizar realmente. O problema de Barra do Sul é o problema de Joinville, o problema de Campo Alegre é problema de Balneário Barra do Sul, tentar trabalhar regionalmente.

Weliton: O prefeito Rubens fez um trabalho num tempo diferente que o Sr. Diferente porque será a primeira gestão depois do fim das ADR's, e com isso a importância das associações de municípios aumenta ainda mais. Prefeito Rubens, garantiu que deixaria meio milhão em caixa. Como o senhor começa o seu trabalho?

Ademar: Com a extinção das ADR's, nós sabemos que teremos uma visibilidade muito forte. Principalmente por ser a associação mais forte do Estado, Joinville a maior cidade do Estado. Esse é o ponto positivo. Eu sempre digo que eu sou um instrumento, nós vamos trabalhar em conjunto, nas assembleias, para poder sentar com o governador, ser respeitado pelo Governo do Estado, ser respeitado pelo Governo Federal, principalmente nessa pauta que eu defendo, que é o Pacto Federativo. Nós não vamos brigar sozinhos. Inclusive, quero propor uma reunião com todas as Associações do Estado. Em Brasília, nosso Presidente da República já tem esse entendimento, que os problemas estão nos municípios e o dinheiro está em Brasília, então por isso essa dificuldade, de trazer o recurso para cá. Então temos isso como propósito número um. Já temos a Fecam e a CNM, mas queremos fazer um trabalho forte, em cima da associação. Tentar sensibilizar o Governo do Estado para ajudar. Eu gostaria de citar a situação da nossa orla, que é preocupante. Nós comemoramos muitos avanços do nosso governo, citando dois exemplos importantes, como o PA 24 horas e o asfalto na Salinas, mas a nossa indústria, que é o turismo, corre um risco sério. Eu fiz algumas obras paliativas, mas não temos condições de deixar esse assunto, que é o mais importante. Temos dois problemas em relação a nossa orla, além de nós perdermos o turista, corremos o risco de ter o avanço do mar. Então, eu cito esse exemplo como número um, porque isso é problema de Joinville também, porque o nosso turista é joinvilense. Eu quero sensibilizar os prefeitos para poderem me apoiar e quando tiver uma situação em outro município, eu também estarei presente. Então com a extinção da ADR, a Amunesc vai ganhar muito mais visibilidade. Nós queremos aproveitar essa visibilidade para fortalecer uma região.

Weliton: Como foi o entendimento para o senhor chegar à presidência da Amunesc?

Ademar: Todo mundo sabe que o entendimento é a partir de um rodízio. Outra pessoa poderia ter sido candidato e disputar uma eleição normal. Mas esse entendimento já acontece há anos e é interessante que, independente de partido, cada município garante a sua representatividade. Passei por uma eleição também, recebemos essa missão de conduzir os trabalhos, sendo que o prefeito Rubens vinha conduzindo um trabalho muito bom, mas cada gestor tem um perfil. Eu vou tentar, ainda, fazer muito mais pela região. Vou seguir algumas linhas do Rubens, mas eu tenho outras ideias. Uma ideia que está no meu coração é o turismo, porque turismo não é só o litoral. Na Serra tem o turismo, Joinville é um exemplo também de cidade turística, sendo uma cidade empresarial. Então, nós vamos fortalecer muito o turismo, no nosso caso, turismo regional, Norte, Nordeste. Para mim vai ser um grande honra, uma alegria, integrar os prefeitos e os municípios. Eu acredito que posso fazer. Estou reeleito, tenho mais tempo, quero despachar mais na Amunesc. Inclusive, os outros prefeitos não tinham um gabinete lá, mas eu vou ter um para poder, terça à tarde e quinta à tarde estar lá também, conhecendo um pouco mais da estrutura, principalmente nessa parte de projetos, para ajudar, para poder ter um bom relacionamento com os colaboradores da Amunesc. Essa sala, até eu falei, que não quero colocar sala do presidente, quero colocar sala dos prefeitos. Prefeito de Itapoá, despacha em Joinville com o empresário, vai ter uma sala lá na Amunesc para poder atender. Não tinha essa sala, eu acho que é um ponto de encontro de negócios, que eu entendo que Joinville é para o Estado o que São Paulo é para o Brasil.

Weliton: O senhor está no seu segundo mandato como prefeito de Balneário Barra do Sul e no ano que vem se encerra sua gestão. O que pretende fazer depois de 2020?

Ademar: Eu tenho empresa, nossa família tem empresa há 40 anos em Barra do Sul. Não muda nada, se eu tiver que voltar para minha empresa. Eu amo política, amo o que faço. Eu tenho uma vontade grande de ajudar o próximo prefeito, sendo do meu partido, ou outro, no que precisar, nós queremos estar trazendo ideias, mas não farei parte do governo. Tenho convites de deputados para trabalhar de assessor, como do deputado Darci de Matos, e outros deputados já me procuraram, mas eu quero descansar um pouco, politicamente falando, e meu desejo, a princípio, é voltar para a empresa da minha família, mas não descarto uma chamada futura. O dia de amanhã pertence a Deus. Eu quero cuidar muito da nossa cidade. Se o outro prefeito, independente de partido, quiser ouvir algumas coisas que eu acertei, onde eu errei, quero estar junto, sendo um conselheiro do governo. Então a princípio é dar uma descansada, ficar com a família, mas o futuro a Deus pertence.

Weliton: Ainda é muito cedo pra falar em 2022, mas com exemplos recentes, de prefeitos de cidades menores que chegaram a ALESC, por exemplo, Volnei Weber, do seu partido, que se elegeu deputado estadual. O senhor pensa em disputar algum cargo eletivo no futuro?

Ademar: Sendo muito sincero, se o Mauro fosse nosso governador, o Mauro é meu irmão, é meu amigo, tanto ajudou Barra do Sul, esse sonho estava muito próximo, de tentar uma candidatura em 2022. Mas como o momento é outro e a gente respeita muito, a princípio não descarto isso. Mas se o Mauro fosse nosso governador, eu teria esse desejo com certeza, de colocar meu nome à disposição do partido. Mas hoje, faltam 3 anos e meio, nada está descartado. Que seja feita a vontade de Deus.

Weliton: O Tá na Rede entrevistou o ex-deputado Mauro Mariani, ainda presidente do MDB, e perguntado sobre a força do partido, ele disse que acredita que o MDB continuará sendo o maior partido de SC. O senhor é do mesmo partido. Como enxerga essa questão do MDB no Estado, tendo em vista que o Mauro Mariani não quer mais continuar frente a presidência e Valdir Cobalchini demonstra não ter mais a mesma disposição?

Ademar: O MDB é muito forte. É forte no Estado, no Brasil. Eu não acredito que esse desgaste que aconteceu com o nosso partido, como aconteceu com os outros partidos também, essa queda do PT, PSDB, vá nos fazer perder tanto espaço. Claro, corremos o risco de perder algumas prefeituras, mas eu acredito que o MDB continuará sendo o maior partido de Santa Catarina. Sou fã número 1 do Mauro, mas o MDB não depende só do Mauro, não depende só do Valdir Cobalchini, o MDB tem uma história, desde o saudoso Luiz Henrique. Isso é normal, perder quatro ou cinco prefeituras, mas eu ainda acredito que nós vamos continuar fortes. Tanto que me convidaram pra sair do partido e eu disse que não tenho o porque de sair do meu partido. PSL é um grande partido, mas o Bolsonaro não era PSL, era o nome Bolsonaro. Outros partidos também vão perder força. E o que eu digo do Mauro, eu conheço muito ele, é um irmão, temos que analisar ainda onde nós erramos e reconstruir. Daqui a um ano acredito que vamos falar outra língua já. Torço muito pelo Governo do Comandante Moisés, mas somos MDB e vamos continuar. Meu pai tem uma grande história, teve dois mandatos. Acredito que vamos continuar fazendo um grande trabalho por Santa Catarina. Vamos aguardar essa lua de mel do governo, para poder fazer essa leitura, de como vai ficar o Estado.

Weliton: Em 2007, Mauro Mariani trocou Rio Negrinho por Joinville, e veio disputar a prefeitura da maior cidade do Estado. Gelson Merisio agora está por trocar o Oeste de Santa Catarina por Joinville. Segundo uma entrevista concedida, ele está vindo trabalhar em Joinville e, para pessoas próximas a ele, acabou confidenciando o desejo de se envolver na política joinvilense. Como o senhor avalia essa situação?

Ademar: Conhecendo Joinville, como eu conheço, e com todo respeito ao Merisio, Joinville é uma cidade bairrista, e tem bons nomes ali. Vou citar três para não dizer que estou sendo emedebista; eu conheço o Darci de Matos, tem o sonho de ser prefeito de Joinville; Fernando Krelling, menino agora, um jovem que está se destacando, e o próprio Rodrigo Coelho que vem despontando com bons projetos. É um direito do Merisio ser candidato, mas eu acho Joinville uma cidade bem bairrista. O Mauro tinha o Luiz Henrique, que chegou a colocar a jaqueta dele lá, e não foi fácil, com uma história que o Mauro tinha. Mas, temos que respeitar as pessoas, porém vejo que a eleição em Joinville deverá ficar entre esses três nomes que citei. Nós acompanhamos muito Joinville e vemos falar desses nomes. Eu sou um irmão do Darci de Matos e gostaria muito que ele fosse o próximo prefeito de Joinville. Mas quem vai falar isso são as urnas né.

Weliton: O senhor não vai disputar nenhuma eleição no ano que vem, e tem sido visto como um grande cabo eleitoral, não só na sua cidade, mas também na região, podendo apoiar, prefeito Marlon, de Itapoá, Júlio Ronconi, de Rio Negrinho, Rodrigo, de Garuva e Clenilton, de Araquari. Como pretende atuar?

Ademar: Olha, é muito cedo para falar. Porém, eu acho que nós nunca tivemos um grupo de prefeitos tão unido. Temos até um grupo de prefeitos, amigos, não são partidos, e brincamos, a gente ri quando discute partido, mas com certeza é muito cedo ainda e eu quero me preocupar com a minha cidade. Vou ajudar alguns amigos, no que eu puder fazer para ajudar. Temos bons exemplos de prefeitos, em nossa região, quero acreditar que foi uma safra muito boa de prefeitos. Pessoas novas, eu estou reeleito, mas estou com 48 anos e com muita vontade. Os prefeitos que estão hoje na região da Amunesc são prefeitos guerreiros, trabalhadores, independente de partido. Prefeito de São Francisco do Sul, Renato, é meu irmão, Marlon, de Itapoá, não é do meu partido, é do PR, Rodrigo, prefeito de Garuva, é do meu partido, nosso amigo. Joinville, o prefeito Udo tem um perfil diferente de governar, mas nós respeitamos também, e o Clenilton, prefeito de Araquari, é meu irmão, a gente não se larga. Eu quero é cuidar é de Barra do Sul. Nós temos nossos nomes, vamos apoiar, quero fazer meu sucessor, as pessoas me falam para descansar, desligar um pouco, mas não, eu não quero me acomodar, desejo trabalhar até o último dia do meu governo e meu sonho é fazer meu sucessor. Não vou jogar para cair no desgaste e amanhã não poder voltar a ser candidato. Independente, eu vou trabalhar muito pelo meu sucessor. Até nós temos bons nomes, eu cito do meu partido que é o vereador Borba, um cara que vem sonhando em ser prefeito, e eu sempre digo, não só o Borba, nós temos que lançar mais nomes para a população. Quem estiver melhor nas pesquisas, vai ser nosso candidato. Nós temos uma coligação muito forte, com o próprio PSDB, PSD, então nós vamos trabalhar. Está na hora de nós sentarmos, não só o MDB, sentar com o grupo da governabilidade, e quem quer ser candidato a prefeito, se tiver mais nomes, colocar para o pessoal analisar através de uma pesquisa, principalmente vocês da imprensa, que acabam ouvindo até melhor do que a gente. Mas o meu sonho, é entregar a prefeitura ao meu sucessor.

Weliton: Na nova prefeitura?

Ademar: Na nova prefeitura (risos). Por isso que eu quero inaugurar logo, quero ficar pelo menos um ano lá.


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