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Memórias do Campo | Ecologia antiga nativa

Por: Luiz Dalla Libera
08/04/2019 11:28

Fiz várias colunas sobre árvores. No geral, essa coluna crônica é de uma árvore de muita importância e pouco valorização, é a palmeira ou o coqueiro. Muitos a conhecem porque hoje ela está em jardins e há muitas na praça Tiradentes, de Xanxerê. Apesar de ser a mesma árvore, com certeza as mudas são nativas, uma vez que o procedimento de cultivo é muito diferente. A palmeira de jardim tem o tronco grosso, de vigor, mais baixinhas, a nativa é mais fina, com mais alongamento e de lenho menos mole.

Hoje, a palmeira só é utilizada no embelezamento em praças e jardins não é aproveitada sua madeira como antigamente, na década de 1960 e 1970. O tronco de palmeira era muito aproveitado e suas folhas também. Todas as árvores têm vida, crescem e desenvolvem-se pelas raízes. A palmeira não tem raízes, comparando com a altura, exige um solo ou terra diferente do pinheiro. A palmeira nativa se adapta em terra férteis nas colinas e terras pedregosas. É uma das árvores que não larga folhas no inverno, não faz a maior brotação na primavera. Ela brota uma folha por mês e seca ao mesmo ritmo.

O tronco da palmeira nativa adulta é um pouco viçoso de casca dura. Há muito tempo, fazia-se ripas com a casca do tronco. Lascava-se e fraquejava em bitolas de ripas, para as pequenas tábuas dos cobertos de casa e galpões. Usava-se o tronco ao meio cavava o miolo a fim de encarnar água nas descidas. O nome era bica ou canal, eu me recordo daquele canal, era usado por todos que não tinham canos de esgoto para a saída da água da pia. Era um comprimento mínimo de 10 a 15 metros. A minha família uso um desse até 1970.

A palmeira é uma das árvores que mais resiste à estiagem. Eu me lembro de que 1966 houve uma grande seca, que chegou a matar as folhas do mato, enquanto que as folhas das palmeiras ficaram verdes e viçosas. Na contratação das derrubadas de mato, as palmeiras não eram derrubadas e ficavam vivas, resistindo ao forte fogo.

As palmeiras em altos morros eram uma das melhores previsões da meteorologia do tempo. Conforme o vento soprava, as folhas balançavam o vento vinha do Norte era tempo bom, mas perdia pela ciência da meteorologia de hoje, naquela época o tempo não era tão descontrolado.

As palmeiras produziam as frutinhas gostosas. O coquinho em italiano chamava “il balete de quoqueri”. Não era mais e quebrava os caroços para comer os miolos das sementes. Outro alimento da palmeira que era aproveitado, apesar do tamanho da árvore, era o broto macio, viçoso, dizia-se “o coração”, é semelhante ao palmito em vidros nos mercados, comíamos cru, cozido ou frito, era muito mais gostoso e saudável do que os conservados embalados de hoje.

Escrevo essa coluna este mês após ter muita recordação na minha infância ainda muito bem me recordo que as folhas das palmeiras juntamente com o caule eram utilizadas nas semeaduras das sementes de cebolas só plantava as mudas de cebolas crioulas, não havia em agropecuária dizia “I segoline o seolini”, as folhas das palmeiras eram utilizadas para a proteção do sol, em estufas.

Também as folhas eram muito usadas na decoração em festas especiais nas procissões no domingo de ramos. O meu pai dizia o “domingo de palmas”, naquela época não havia ramos de oliveira, então a maioria benzia com folha de palmeira. Na Quinta-feira Santa, as folhas com o caule nas Igrejas faziam a casinha com o cobertor em forma de arco para adoração do corpo do nosso senhor morto na cruz. A música “Maria Chiquinha! O que tu foi fazer lá no mato?”, se ela respondia, “fui colher coquinhos de palmeiras”, valia mais de todas as mentiras.

Esta é mais uma coluna da história da palmeira que escrevo no Jornal LÊ NOTÍCIAS. Um pouco curta, porque o meu saudoso pai não gostava das coisas longas, às vezes quando as coisas eram ruim ele dizia:“lá ze longa come il lano dila fame”. Queria dizer “é comprido igual ao ano da fome porque ninguém gosta de passar fome”.


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