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Entrevista | Precisamos falar menos de eleição para termos mais tempo na administração, diz Mário Hildebrandt

Por: Marcos Schettini
04/06/2019 11:57

Herdando a cadeira de Napoleão Bernardes na Prefeitura de Blumenau, Mário Hildebrandt assumiu o comando da terceira maior cidade de Santa Catarina em abril de 2018. Com perfil discreto e ágil, Hildebrandt concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini e afirmou que é necessário falar menos em eleição para se ter mais tempo para administração pública. Ainda, relatou algumas ações do seu mandato e avaliou os Governos Bolsonaro e Moisés. Confira:

Marcos Schettini: O senhor não gosta de falar em reeleição, mas o debate eleitoral já começou. Com quem tem conversado?

Mário Hildebrandt: O melhor agente político com quem um gestor público pode conversar é com o cidadão. E o que mais tenho ouvido nessas minhas conversas é que os políticos precisam parar de pensar somente em eleições. Este é um dos motivos para a descrença nos políticos. Um político quando ganha uma eleição tem que pensar apenas na função para a qual foi eleito. Temos que parar de falar em eleição a cada dois anos para sobrar tempo para a administração pública. Os políticos precisam voltar a ter compromisso com aqueles que o elegeram. Minhas forças estão completamente voltadas para administrar e fazer a melhor gestão dos recursos da nossa cidade em benefício do contribuinte.

Schettini: Qual é o maior desafio a ser debatido nas próximas eleições em favor de Blumenau?

Hildebrandt: A eleição municipal é que mais impacta a vida das pessoas. Por isso, a prioridade desta eleição são as prioridades do dia-a-dia do cidadão. Na mobilidade urbana ter-se-á que manter e ampliar os investimentos nas obras estruturantes que estão em andamento, como corredores de ônibus, novos terminais com estacionamentos, novas pontes e, principalmente, investir em elevados nas áreas de conflitos de tráfego.

Outro ponto que sempre é debatido é a saúde. Blumenau já investe hoje mais de 32%, enquanto nossa obrigação é 15%, atendendo também a população de outros municípios, papel de responsabilidade do Governo Estadual. O grande desafio é cobrar esses recursos do Estado, dinheiro suficiente para calçar todas as ruas da nossa cidade.

Por fim, temos a geração de emprego e renda. Blumenau tem que continuar investindo fortemente no aperfeiçoamento do nosso turismo e na qualificação de mão de obra (exemplificar o que tem sido feito). Porém, as pessoas precisam de tranquilidade para trabalhar. Por isso, temos construído novas vagas em creches e preparando a construção do primeiro centro de acolhimento de idosos, pois o país está passando por uma rápida inversão da sua pirâmide etária e, em pouco tempo, teremos mais idosos do que jovens. A ampliação da rede de acolhimento de idosos será um desafio cada vez maior em todas as administrações.

Schettini: O eleitor está exigindo transparência. O que Blumenau tem feito nesta direção?

Hildebrandt: Estou como prefeito há pouco mais de um ano e implantei um jeito novo e técnico de administrar o município. Começamos com a reforma administrativa e as maiores ações foram o fim de mais de 100 cargos comissionados e o fechamento da empresa de urbanização de Blumenau, a URB. Esta era uma empresa que tinha um prejuízo mensal de R$ 1.300.000,00 e uma dívida acumulada de mais de R$ 70 milhões com fornecedores, previdência e causas trabalhistas, além de não realizar as suas obrigações de forma satisfatória. Com estas ações será possível economizar mais de R$ 14 milhões até o fim deste mandato de forma a reverter em benefícios para a população, como obras em ruas de mutirão, ações na área da saúde e em educação.

Schettini: Os partidos, sem coligação na proporcional, terão que mostrar voto. Isso é chance do eleitor escolher os melhores?

Hildebrandt: A cada eleição que passa fica ainda mais evidente que as pessoas estão dando cada vez menos importância a partidos e mais importância aos candidatos. Mas, infelizmente, no nosso sistema político nem sempre os eleitos são os que foram mais votados. Todavia, enquanto não tivermos eleições distritais e sem coeficientes eleitorais, os eleitos não serão necessariamente os mais votados ou os que melhor representam a vontade do eleitor. Porém, acredito que está tendo uma maior conscientização do eleitorado sobre os seus escolhidos graças, principalmente, ao importante papel que a mídias sociais têm apresentado, principalmente democratizando a informação.

Schettini: O que é de fato melhoria da qualidade de vida e da cidadania?

Hildebrandt: Melhoria da qualidade de vida e da cidadania é o poder público investir fortemente em mobilidade para que o cidadão passe mais tempo em casa com a família e menos tempo no trânsito, é poder sair para trabalhar com a certeza de que voltará em segurança para casa, pois os agentes de segurança estão atentos às ameaças, é saber que a sua família está sendo bem atendida por serviços públicos que os atende com qualidade como as escolas públicas bilíngues em alemão e inglês da rede municipal de Blumenau que estão preparando e capacitando nossas crianças e jovens para o mercado de trabalho. Nessa linha, também podemos citar o Entra21, programa da Prefeitura, em parceria com Governo do Estado e iniciativa privada, que capacita centenas de jovens para o mercado de trabalho da tecnologia da informação, uma das referências econômicas da cidade.

Schettini: Como avalia o desempenho dos governos federal e estadual?

Hildebrandt: O Brasil já mudou muito. O Governo Federal está acabando com o toma-lá-dá-cá que gera tanta corrupção, propondo leis que punem de forma mais severa os criminosos. Ainda falta muito a ser feito, como o pacote anticrimes, a reforma política, tributária, mas principalmente, a mais urgente de todas, a reforma da previdência para que o nosso país volte a crescer. E para a maioria das prefeituras do Brasil, e em Blumenau não é diferente, a Reforma da Previdência é de grande importância para equilibrar as contas públicas. Todos sabemos da dificuldade do Bolsonaro em se comunicar. O Brasil precisa do nosso apoio.

Na esfera estadual, a reforma administrativa do governador Moisés foi aprovada com ajustes propostos pela Assembleia. Com esses balizamentos, a administração estadual já pode começar a governar e mostrar para a população o seu jeito de administrar. Eu, assim como a comunidade, espero ver essa forma de governar.

Schettini: Blumenau sofre com o terror de um possível retorno das enchentes?

Hildebrandt: Gostaria de esclarecer que há uma diferença entre alagamentos e enchentes. Com relação aos alagamentos, a administração municipal tem aproveitado as obras viárias para substituir as antigas tubulações, que eram pequenas, por grandes galerias de forma a facilitar o escoamento de água. Muitas pessoas dizem que com isso estou enterrando votos, prefiro pensar que estou enterrando o medo e a angústia das pessoas em verem suas casas invadidas pelas águas. Além disso, estamos realizando a limpeza de nossos ribeirões. Somente no Ribeirão do Salto Norte já retiramos mais de 10 toneladas de lixo e entulho. Gostaria de aproveitar para pedir a conscientização da população, essa é uma responsabilidade de todos.

Com relação às enchentes, esse é um problema que extrapola Blumenau. Se um grande volume de chuvas atingir o Vale, principalmente se o nível do mar estiver elevado, pouco podemos fazer para evitar. O que podemos e temos feito é aperfeiçoar os planos da defesa civil para termos a resposta mais rápida e efetiva possível para minimizar os efeitos caso isso venha novamente a acontecer. Além disso, cobrar, como já fiz em Brasília, pelo pleno funcionamento das barragens em Santa Catarina.

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