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Na Essência | Aposentar-se, já pensando nisso?

Por: Júnior Chisté
24/07/2019 09:00 - Atualizado em 24/07/2019 09:08

A Reforma da Previdência é tão necessária quanto você beber água pra saciar sua sede.

O terrível erro cometido pelo Brasil foi de não ter descoberto ou não ter usado o antídoto lá atrás quando éramos mordidos e não nos damos conta da picada ardente e súbita em nossos calcanhares.

Hoje só resta uma solução, ou seja, fazendo o que está sendo feito, com alguns ajustes ou desajustes.

Mas o que, como Psicólogo gostaria de pontuar é algo que tem me deixado perplexo.

Por que se pensa tanto na aposentadoria? O que a palavra aposentar-se significa literalmente para milhões de brasileiros?A aposentadoria surgiu no Brasil no início do século XX, sendo a classe operária a mais ativa pela busca de defesa e amparo financeiro aos funcionários com mais idade. Essa luta deu origem aos movimentos a favor da criação de leis, institutos e caixas previdenciárias.

Sabemos que cada pessoa vive a aposentadoria de uma forma singular, atribuindo à ela diferentes significados. Estes só poderão ser compreendidos se percebidos no contexto de vida e dos meios socioeconômico, político e cultural dos quais o sujeito faz parte.

Fatores como a história de vida, habilidades e limitações, o valor que o trabalho e seu contexto têm na vida da pessoa, a existência de outros círculos sociais e de amizade, estão relacionados ao modo como cada um lida com seu processo de aposentadoria.

Há quem diga que se aposentar é recolher-se à vida privada, experimentando abandono e inatividade. Outro sentido bastante aplicado à aposentadoria é o de jubilamento, ou seja, um afastamento remunerado do trabalho como meio de premiar ou recompensar os esforços empregados durante todo o período produtivo.

Uma pesquisa realizada por Graeff (2002) aponta para as diferentes formas de perceber e vivenciar a aposentadoria.

Para alguns idosos, a aposentadoria adquire significado de recompensa pelos seus anos de contribuição e esforço. Trata-se de um momento para usufruir de descanso financiado pelo Estado.

Entretanto, a quantia recebida mensalmente pelos aposentados é percebida como insuficiente para a manutenção de suas despesas. A sensação de injustiça por não receberem o que acreditam ter contribuído, juntamente com a perda do status social faz com que as expectativas positivas em relação ao futuro diminuam e o sentimento de desilusão aumente.

O pesquisador identificou que a falta de uma rotina ajudaria os aposentados a encararem essa etapa de suas vidas como um momento de ociosidade ou de férias permanente, devido à ausência de certas responsabilidades comuns no período de trabalho.

É interessante ressaltar que descanso e desocupação assumem significados diferentes.

A primeira opção é percebida enquanto uma escolha pessoal, enquanto a segunda é vista enquanto incapacidade e inatividade do próprio indivíduo. A sensação de serem pessoas “paradas”, improdutivas, sem reconhecimento social pode gerar sofrimento e afastar a euforia presente no início do processo de aposentadoria.

Por fim, a aposentadoria foi descrita como uma Segunda Vida, podendo ser vivenciada de modo positivo, como um momento para começar um novo caminho buscando novas atividades e desenvolvendo outras aptidões, ou de modo negativo, à medida que relacionam aposentadoria com improdutividade e morte.

Diferentes estudos afirmam que o afastamento do trabalho é a principal perda vivida pelo sujeito adulto, cujos desfechos alternam-se entre a possibilidade de desenvolvimento psicológico e a estagnação.

No período de aposentadoria, esperanças de uma melhor qualidade de vida intercalam-se com diversos medos, como por exemplo, o de adoecer, envelhecer e empobrecer, revelando o caráter ambíguo dessa experiência.

Trata-se de um período de inatividade reconhecido e autorizado pela sociedade em que, passado os primeiros momentos de euforia, o tempo livre pode transformar-se em sensação de solidão e inutilidade. O isolamento social e a falta de projetos para o futuro favorecem a perda de papéis sociais e adoecimento físico e mental.

Os indivíduos que não planejaram seu afastamento podem vivenciá-lo como a perda da identidade e do equilíbrio emocional.

Para os idosos cujas relações familiares são insatisfatórias, a aposentadoria pode adquirir o significado de “fim do refúgio”. Enquanto inseridos na rotina do trabalho, esses sujeitos viam-se livres dos conflitos domésticos. Uma vez afastados do trabalho, passam a participar mais freqüentemente da dinâmica doméstica e domiciliar.

Mesmo para os que a desejam, a aposentadoria pode gerar ansiedade, devido às mudanças que acarreta. Dentre as transformações, citamos a dissolução ou o enfraquecimento das relações sociais e dos círculos de amizade, mudanças na rotina e a perda do status social, afetando a identidade e a autoestima do sujeito.

Diversas pesquisas fazem referência às mudanças financeiras trazidas pelo afastamento da atividade produtiva. Algumas pessoas aposentam-se, mas continuam exercendo a profissão ou outras formas de trabalho, para a complementação da renda. Outros permanecem ativos com o intuito de preencher o vazio social experimentado.

Ainda relacionado ao aspecto financeiro, sabemos que o envelhecimento provoca o aumento dos gastos, principalmente os relacionados à saúde. Além disso, o período de aposentadoria pode coincidir com o ingresso dos filhos na universidade, fato que preocupa muitos aposentados. Tais pessoas referem inquietação em não ter condições econômicas para arcar com os estudos dos filhos, pois percebem a aposentadoria como um corte na renda financeira.

Por fim, como sempre falo "encontrar sempre um propósito, ocupar-se de forma gentil consigo mesmo, realizando boas intenções e tendo atitudes diante da vida será sempre a melhor fase na aposentadoria ou agora.


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