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Entrevista | Focada em Brasília, Angela Amin critica mobilidade urbana de Florianópolis

Por: Marcos Schettini
26/08/2019 00:11 - Atualizado em 26/08/2019 00:19

Prefeita de Florianópolis por duas vezes e exercendo mandato na Câmara dos Deputados pela terceira vez, Angela Amin concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini. Dedicada aos trabalhos em Brasília, é cautelosa e prefere não analisar o Governo Moisés nestes oito primeiros meses, mas foi incisiva na leitura da capital catarinense, definindo a mobilidade urbana como estagnada. Refutou a ideia de velha política, avaliou o cenário de 2020 e defendeu a redução no número de siglas partidárias no Brasil. Confira:

Marcos Schettini: O efeito da eleição de 2018 pode se repetir nas municipais do ano que vem?

Angela Amin: Eu acredito que repetir o que houve em 2018, com a intensidade que foi, será muito difícil, e avalio que certamente ainda haverá uma influência em razão da proximidade entre os dois pleitos. Mas sem dúvida foi um sinal de alerta, um recado muito forte do eleitor descontente com o modelo da atividade política que vinha sendo exercido até então. Agora, se a onda de 2018 continuará onda ou se vai se transformar em uma marola, só o tempo irá nos dizer.

Schettini: A senhora foi duas vezes prefeita da Capital. Como avalia Florianópolis hoje?

Angela: Florianópolis tem a peculiaridade de ser uma cidade onde as pessoas sonham em viver, por isso, cresce muito. Em algumas regiões, desordenadamente. Em muitas áreas a cidade avançou, em outras, permanece estagnada. O principal exemplo da estagnação com certeza é a mobilidade urbana. Hoje, em 2019, discute-se a integração do transporte coletivo como alternativa ao grande fluxo de automóveis que entopem nossas vias. Esse problema enfrentamos de forma muito forte durante a nossa gestão, na década de 1990, com a participação de técnicos do BNDES, da UFSC, além de outras entidades. Foi um projeto muito bem estudado e planejado, então implantamos a integração do transporte coletivo da Capital. As demais cidades da Grande Florianópolis, apesar de terem participado de todo o processo, infelizmente, por um movimento de pequenez política, não deram continuidade à implantação do projeto. O resultado é que hoje qualquer pessoa que venha de municípios da Região Metropolitana e tenham como destino algum bairro da parte continental da cidade, precisa ir ao Centro trocar de ônibus para poder chegar, o que é um completo absurdo. E o que acontece atualmente? Se discute como uma das soluções para o problema da mobilidade urbana justamente a integração que começamos a implantar lá atrás. Ou seja, se o sistema tivesse sido efetivamente concluído, hoje a realidade do trânsito na cidade e da região seria completamente diferente, para muito melhor.

Schettini: Como será a participação dos Progressistas no cenário de 2020?

Angela: Será de protagonismo, de busca pelo espaço que o partido merece. Vamos trabalhar intensamente para viabilizar o maior número de candidatos a prefeito (a), vice e vereadores (as).

Schettini: Qual tipo de eleitor está sendo construído pelas redes sociais?

Angela: Eu particularmente não vejo uma construção em curso. Avalio que atualmente existem basicamente dois tipos de eleitores nas redes sociais: o ingênuo e o raivoso. O ingênuo é o que ainda acredita em tudo o que lê e assiste na internet, sem a maturidade necessária para filtrar e aprofundar as informações e a partir disso formar sua convicção própria. E o raivoso, que é aquele que pretende, a ferro e fogo, impor suas opiniões e convicções, sem aceitar o ponto de vista contrário, sem respeitar o posicionamento do outro de forma democrática. É preciso fazer essa construção, e isso, na minha opinião, passa pela educação, principalmente.

Schettini: Quem tem um passado político positivo é também da velha política?

Angela: Para mim não existe velha ou nova política. Existe a má e a boa política, isso sim. Quer algo mais tradicional (ou velho, para alguns) na política catarinense do que a família Amin? E veja o que aconteceu na eleição passada: três representantes da família colocaram seus nomes à disposição dos eleitores catarinenses e foram honrados com a eleição, mesmo em um momento ímpar pela renovação na história recente da política brasileira. Esse fato demonstra uma coisa, indiscutivelmente: as pessoas não estão cansadas de políticos “tradicionais”, estão cansadas, isso sim, da corrupção, da malversação da coisa pública, da falta de caráter.

Schettini: A próxima presidência do Progressistas deve ter qual visão para se preparar nestes novos tempos?

Angela: A visão que sempre teve e que todo político deve ter, a de que sua função como agente público e político é servir, é trabalhar para melhorar as condições de vida das pessoas, e não fazer da política instrumento em defesa de interesses pessoais ou de grupos.

Schettini: O governo Bolsonaro é de enfrentamento ideológico. Quem ganha ou perde com este modelo?

Angela: O enfrentamento ideológico foi a marca de uma eleição que passou, portanto, deve ficar para trás. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil democraticamente, portanto tem o direito e o dever de implantar aquilo que apresentou na campanha.

Schettini: Como deve ser a reforma política para um país tão cheio de dúvidas?

Angela: Um grande passo para a reforma política já ocorreu, que foi o fim das coligações para as eleições proporcionais. Os partidos precisarão de nova organização e planejamento e isso vai promover uma redução drástica no número de siglas. Não é aceitável mais de 30 legendas ocupando espaço político e em torno de 50 sendo organizadas.

Schettini: A senhora avalia como o governo de Carlos Moisés?

Angela: Além de estar focada no trabalho em Brasília, onde passo a maior parte do tempo durante a semana, acredito ser oito meses pouco tempo para se ter uma avaliação do governo.


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