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Entrevista | Luciane Carminatti não descarta disputar em Chapecó e critica falta de diálogo de Moisés

Por: Marcos Schettini
10/10/2019 16:13 - Atualizado em 11/10/2019 11:45

Eleita com 61.271 votos em 2018, a deputada Luciane Carminatti é uma das vozes mais ativas dos Partido dos Trabalhadores em Santa Catarina. Em entrevista concedida ao jornalista Marcos Schettini, a parlamentar analisou positivamente o mandato, criticou a falta de diálogo do governador Moisés, mas parabenizou o debate sobre pautas importantes. Indagada sobre a disputa em Chapecó, não descarta uma candidatura, mas garantiu que o PT está bem organizado para 2020. Confira:

Marcos Schettini: Mesmo com sentimento anti-PT, qual motivo do seu avanço eleitoral em 2018?

Luciane Carminatti: E eu sempre afirmo que nós somos respeitados pelo trabalho que fizemos. Quem fica numa esfera de só criticar ou só legitimar o que governo faz e não tem uma atuação direta e de diálogo com a população, de muito trabalho e muita presença no município, não sustenta seu mandato. Eu afirmo que muitos podem trabalhar como eu, mas dificilmente se encontra um parlamentar que trabalha tanto quanto eu, que visita tantos os municípios e escolas. Que a cada problema, a cada demanda, responde, que não tem medo de enfrentar as dificuldades, que fiscaliza o governo, que denuncia, que entra com representação quando observamos que algum direito constitucional está ameaçado. Eu penso que o resultado dessa atuação de muito trabalho, compromisso, diálogo e presença, é que nos proporcionou 61.271 votos.

Schettini: Qual a origem deste numeral de votos?

Luciane: Eu tenho uma atuação muito forte ligada à Educação. Todos me conhecem muito pela defesa na Educação e que envolve desde o direito à creche, à bolsa de estudos, à recursos para universidades, valorização do professor e melhoria da infraestrutura das escolas. Também, não permitimos o fechamento de escolas quando, de fato, os critérios não são convincentes. É uma atuação muito forte e muito próxima da Educação. Uma outra situação muito forte é na defesa das mulheres, no combate à violência contra mulher, o assédio que está muito forte, a cultura do estupro, a necessidade de recursos para que as mulheres tenham mais acesso à qualificação e renda. Além de um grande trabalho na área da Cultura, que iniciamos em 2017. Eu diria que sou uma deputada de uma região também, então além destas pautas estadualizadas, eu tenho uma região e não me canso de dizer, que a minha região é Oeste de Santa Catarina. A maioria dos meus votos, cerca de 80%, fiz no Oeste, sendo pela terceira vez a deputada mais votada de Chapecó. Isso é o resultado de um vínculo muito forte com Chapecó e um compromisso muito forte com o Oeste.

Schettini: Após as eleições, continua uma intensa polarização política. O que o PT deve fazer?

Luciane: Eu não gosto dessa polarização, do que o PSL ou PT diz. Vou fazer uma leitura com base no Estado Democrático de Direito, onde a Constituição de 88 diz que, até que se prove o contrário, você é inocente. O nosso presidente Lula está preso de forma ilegítima, porque além de não haver prova de que aquele apartamento é dele, todo processo está contaminado na medida em que surgem novas denúncias do Intercept. Nós identificamos que todas nossas leituras estavam certas, de um juiz que tem partido, que jogou junto com a oposição e prova disso é que hoje é ministro deste governo que ajudou a eleger. Tivemos um Ministério Público que não seguiu as regras da imparcialidade e da autonomia dos poderes, ou seja, esse processo está todo contaminado. Agora, com o livro do [Rodrigo] Janot [ex-procurador-geral da República], que comecei a ler, estou ainda mais indignada, porque fica claro que foi uma armação toda entre Congresso Nacional e setores do Poder Judiciário, não quero que julgar todos, mas esses que estão envolvidos e jogando com setores da mídia brasileira. Então se fosse um país sério mesmo, com instituições consolidadas, o juiz e promotor estariam na cadeia e não presidente Lula. Lá fora, nos países europeus, todo mundo manifesta sua indignação com o processo que o Brasil fez. Eu acho que ninguém é candidato a santo, nem Lula, nem Bolsonaro e nem a deputada Luciane. Nós não somos candidatos a santo, somos seres humanos. Temos uma Constituição que fala das regras democráticas, do trânsito em julgado, do direito a prova para condenar, do dever de apresentar prova para condenação e esse processo não foi seguido de acordo com os trâmites legais. Se não for seguido, não importa se é quem eu gosto ou quem eu não gosto, o processo perdeu a sua legitimidade.

Schettini: O PT tem cinco nomes para liderar o partido em SC. Por que há essa discussão interna?

Luciane: O PT tem uma história de muito debate democrático internamente e nós entendemos que isso é cultura política. Divergir não é problema, além da divergência tem que haver o respeito. Terminado esse processo de construção política, quando pensamos diferentes, nós nos abraçamos e conduzimos o PT. É dessa forma que eu sempre trabalhei, não abrindo mão das críticas que eu acho que devem ser feitas internamente, mas após esse congresso nós olharemos para o horizonte, porque nós temos uma eleição daqui a três anos e uma eleição no ano que vem. Nós temos o desemprego aumentando, o SUS sendo destruído e Santa Catarina vai perder 40% destes recursos no ano que vem. Isso é gravíssimo. O PT precisa responder a necessidade de luta, nós temos a reforma da Previdência e Trabalhista, que está cada vez mais colocando trabalhadores distantes de uma condição digna de vida. Temos todos os investimentos na área social sendo diminuídos, nós temos um país que a cada leitura do crescimento do PIB é avaliado para baixo. Nós temos muitas tarefas a fazer e são essas tarefas que devem nos unificar. Todos os partidos têm disputas internas, não é só o PT. A questão central é a gente ter maturidade para sair inteiro e construindo um projeto de sociedade que possa incluir a maioria da população.

Schettini: A senhora é candidata a prefeita de Chapecó?

Luciane: [Risos]. Essa pergunta está sendo tratada internamente pelo Partido dos Trabalhadores, nós criamos um grupo de trabalho eleitoral, onde há uma comissão trabalhando desde o início do ano. Nós estamos avaliando indicadores, situação, composição, o papel que cabe aos deputados neste contexto nacional e estadual. Obviamente que a discussão interna do PT de Chapecó é fundamental e eu estou participando de todas as reuniões, à disposição para construir o melhor projeto para Chapecó, mas é uma decisão que o PT vai tomar e a gente vai respeitar a decisão do PT.

Schettini: Qual sua avaliação sobre a postura do governador Moisés em taxar os agrotóxicos?

Luciane: Eu fiz uma avaliação com as entidades ligadas à agricultura familiar, que produzem orgânicos, mas há também quem utiliza agrotóxicos. O governador trouxe uma pauta extremamente atual e necessária, quando todos nós queremos uma alimentação saudável. Existe a necessidade de fazer esse debate, pois nossos alimentos têm um acúmulo de resíduos de agrotóxicos. Historicamente, em Santa Catarina, produzimos alimentos, soja e milho, com o uso de agrotóxicos, em função da exportação. O nosso modelo é também pró-exportação. Mais de 30% do que a Aurora produz é para exportação. O que faltou, na minha avaliação, é discutir uma estratégia com todos, colocando metas para daqui a 10 e 15 anos, com porcentagem de diminuição de agrotóxico. Não vamos diminuir isso por lei e taxação, então entendo que o governador teve uma boa intenção, mas não ouviu a todos e esse é um erro que, infelizmente, ele está acumulando. Ele tem dificuldades de dialogar com uma sociedade e com o parlamento. Eu sou uma deputada que nunca vou pedir um cargo para o governo, que nunca vou pedir algo que seja insensato e indefensável, mas eu não consigo conversar com o governador. Por que que não tem diálogo? É assim comigo, com setores ligados aos orgânicos e às indústrias. Alguma coisa está errada no meio disso, acho que está faltando um diálogo maior, que isso tem que partir do Executivo. No ponto de vista do resultado final, eu acho que Santa Catarina não perdeu com esse debate, porque a gente levantou a polêmica. No final das contas, o governador entendeu que medidas assim não são feitas só com a caneta na mão, medidas assim precisam ser construídas com a sociedade.

Schettini: Qual sua avaliação do Governo do Estado e Federal?

Luciane: No Estado, a maior dificuldade que nós sentimos é a falta de diálogo. Não vejo que é um governo que tenha ações de questionamento ético e moral, mas é um governo que ainda não dialoga, que está isolado e se isolando cada vez mais, que desconfia de todo mundo. Em algumas Secretarias a gente consegue conversar mais, mas tem outras que também não estão dialogando com a sociedade. No ponto de vista federal, é uma tragédia, eu não tenho outra palavra para expressar. É um presidente da República que ainda não desceu do palanque, que governa para seus súditos das redes sociais. Eu não quero um presidente assim, eu quero um presidente estadista, que olha para todo mundo e diga que vai melhorar o emprego, incentivando as boas práticas para fortalecer a democracia. Eu quero um presidente que, quando vá se apresentar nos outros países, respeitado como a nona economia mundial, entenda de Meio Ambiente e respeita a história da construção da soberania dos países. Mas ele é um sujeito que não apresenta uma proposta para alavancar a economia, dizendo que tem que ter reforma da Previdência e Trabalhista, mas que não vão gerar emprego. Temos mais de mil obras paradas em Santa Catarina. Na saúde, é anúncio de corte de 40% no SUS em Santa Catarina. Tivemos cortes na Universidade Federal de Santa Catarina, nos Institutos Federais, com desrespeito à comunidade acadêmica na nomeação de reitor. Nós temos um estado policialesco, que não respeita os valores democráticos. A gente pode não concordar com outro, mas temos a obrigação e o dever de respeitar o pensamento do próximo. Eu diria que esse governo vai muito mal e não é leitura só minha, todas as pesquisas de avaliação, tanto do setor empresarial quanto dos trabalhadores, ele está em queda livre, porque o Brasil não vai aceitar retrocessos como os que gente está vendo.

Schettini: Qual é a avaliação que a senhora faz do seu mandato?

Luciane: Sou muito exigente. Se eu tivesse 100 pessoas trabalhando ao meu lado, eu teria 100 trabalhando todo dia, com mais trabalho ainda. Temos uma avaliação muito positiva, porque é um mandato que responde, que não deixa ninguém na estrada, atuante e que enfrenta os problemas. O grande desafio do nosso mandato é ter perna para atender esse Estado inteiro. Eu fui a deputada que só não fez votos em três municípios do Estado. Temos expectativa de fazer agenda em Joinville, Guaramirim, no Alto Vale, no Sul do Estado, no Planalto Serrano, além do nosso Oeste.

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