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Entrevistas | Mário Hildebrandt faz leitura de Blumenau, define pilares de um homem público e analisa Bolsonaro e Moisés

Por: Marcos Schettini
13/12/2019 00:22 - Atualizado em 13/12/2019 00:30

Prefeito da terceira maior cidade de Santa Catarina, Mário Hildebrandt assumiu o cargo há um ano e oito meses, quando o prefeito eleito em 2016, Napoleão Bernardes, renunciou para disputar as eleições de 2018. Convicto do trabalho que vem realizando, o prefeito de Blumenau vê a eficiência na gestão, com economia e corte de gastos, como essenciais para o desenvolvimento social. Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Marcos Schettini, Hildebrandt comentou sobre os desafios do mandato, falou de religião e também analisou os comportamentos do governador Carlos Moisés e do presidente Jair Bolsonaro.

Marcos Schettini: Qual a avaliação do ano?

Mário Hildebrandt: É muito positiva. A respeito da crise econômica que atinge todo o país conseguimos, com muita gestão e respeito aos recursos públicos, fazer economia nas atividades meio para ampliarmos os investimentos nas atividades fim. Até porque nossa gestão prioriza o benefício que a população necessita. Em menos de dois anos a frente do governo conseguimos avançar em importantes obras e ações como a finalização da Humberto de Campos, umas das principais vias da cidade. Mas também não podemos deixar de citar atitudes corajosas que o governo tomou para reduzir o desperdício e a ineficiência, como a extinção da URB - Companhia Urbanizadora de Blumenau, que apresentava um prejuízo de R$ 1.300.000,00 por mês e o corte de mais de 100 cargos comissionados. Como gestor não posso compactuar com a manutenção da ineficiência.

Schettini: Blumenau sempre é um grande desafio. Qual é o maior?

Hildebrandt: Com certeza. Blumenau é um grande desafio. Gerir a terceira maior cidade do Estado, com tamanha importância econômica para Santa Catarina, não tem sido uma tarefa fácil. Nesses 1 ano e 8 meses que estou a frente da Prefeitura trabalho todos os dias em busca do grande objetivo e o maior desafio: proporcionar serviços de qualidade, com eficiência na gestão. Estamos entregando mais saúde e educação, com novas unidades, novas creches, valorização dos professores (instituímos o abono por dia trabalhado aos professores, que será pago já nesse ano e que servirá como um 14º salário) e implementação do ensino bilíngue. Sabemos também que a mobilidade urbana interfere muito na vida das pessoas, pois um minuto a mais dentro do carro é um minuto a menos para se estar em casa. Por isso temos mais R$ 300 milhões de investimentos em grandes obras, pavimentações, pontes, ciclovias e passeios. Posso citar muitos outros exemplos, pois os desafios são muitos, mas estou trabalhando incansavelmente para entregar à população a Blumenau que todos queremos.

Schettini: As eleições começam a ferver as discussões. Qual é a rota?

Hildebrandt: Eu insisto que a melhor rota é a da boa gestão, dos resultados positivos para a cidade, se você foi eleito para administrar da melhor forma possível uma cidade, foque neste trabalho. O recado das urnas foi claro em 2018. Não podemos continuar fazendo política pela política. Não podemos nos eleger apenas como projeto de poder, apenas para se manter no poder. Temos que entregar resultados. O resultado eleitoral deve ser uma consequência do trabalho realizado e não o contrário. Portanto, respondendo a sua pergunta, minha rota é seguir fazendo o melhor trabalho por minha cidade, por Blumenau. Acordo cedo todos os dias, vou dormir tarde, não tenho finais de semana livres para minha família, mas isto vale a pena quando você vê o resultado do seu trabalho nos olhos de uma criança bem atendida em uma das nossas muitas escolas, ou alguém bem atendido em um posto de saúde em um momento de doença e dificuldades. Essa é nossa missão.

Schettini: Como o senhor se observa depois de chegar ao poder? Ele modifica ou aumentam as responsabilidades?

Hildebrandt: Ambas. Modifica porque as suas responsabilidades antes de ser prefeito são com aqueles que pensam como você, comungam das mesmas ideias. Quando você assume o cargo você passa a ter responsabilidades com todos, mesmo com aqueles que pensam muito diferente de você. O respeito por ideias diferentes está na base da democracia e esse aumento das responsabilidades enquanto prefeito faz parte do dever e também é uma das maneiras de se estar mais próximo de cada um dos cidadãos.

Schettini: 2019 está fechando com expectativas amarelas para a grande maioria dos prefeitos. O que o ano ficou devendo?

Hildebrandt: Estou apenas 1 ano e 8 meses a frente da Prefeitura. Dizer que estamos devendo não é verdade. Apesar dos diversos desafios que estamos enfrentando, principalmente com a crise que ainda não acabou, acredito que estamos entregando serviços de qualidade. Sei que há muito para melhorar, mas também tenho a certeza que estamos no caminho certo. Trabalhando bastante, ouvindo as pessoas e acreditando no trabalho dos nossos servidores, vamos alcançar os objetivos que desejamos.

Schettini: O governador Carlos Moisés é um líder de pouca conversa. Este é o caminho?

Hildebrandt: O governador tem o estilo dele, eu respeito. Formas diferentes de trabalhar podem dar bons resultados também. Mas eu penso que a arte da política, em um estado democrático, passa por muita conversa. Precisamos chegar a consensos, precisamos eleger prioridades. Minha forma de fazer política sempre foi conversando e agindo, mas o diálogo tem de ser o ponto de partida e a ação é a mola propulsora que faz a sociedade avançar. Primeiro você esgota as conversações e elege as prioridades, depois você age. Um homem público, principalmente executivo, tem de ter bem claro a importância destes dois pilares: diálogo e trabalho.

Schettini: Com a saída de Jair Bolsonaro do PSL o senhor vê quais alterações no campo de força?

Hildebrandt: A grande confusão que se encontra na vida partidária brasileira só nos indica uma coisa: ela precisa de uma reforma. E estas modificações estão acontecendo espontaneamente, gradativamente. Alguns partidos estão buscando se reposicionar no espectro ideológico, alguns estão se aproximando por afinidades outras, enfim estamos vendo uma movimentação em busca de identidade. Há alguns meses era inimaginável a saída do presidente do PSL. Mas acho que as forças políticas no país ainda se mantêm inalteradas. Vejo o presidente com muita força popular, uma esquerda perdida, sem rumo, e agora um centro tentando se reorganizar, mas ainda sem identidade.

Schettini: A violência contra as mulheres preocupa a todos. É pouca educação ou o machismo está aumentando?

Hildebrandt: O problema é muito antigo, porém está ganhando visibilidade, e isso é muito importante. A falta de educação leva ao machismo e as duas coisas juntas geram violência. Essa é uma luta diária que temos que travar em todos os ambientes sociais. Nas escolas, com campanhas educativas, nas empresas, buscando mais igualdade, nos lares, através do apoio do poder público para evitar a perpetuação do problema. Essa é uma batalha que deve ter a participação de toda a sociedade. Blumenau se destaca também nesse segmento, pois temos programas fortes e importantes nessa área. Além de um abrigo que acolhe mulheres vítimas de violência, algo raro no Brasil, o município oferece também apoio aos agressores, que reconhecem o problema que tem e buscam uma maneira de melhorar. Ações essas que implantei e fortaleci nos oitos anos em que estive à frente da Secretaria de Assistência Social de Blumenau, entre 2005 e 2012.

Hoje prefeito de Blumenau, Hildebrandt durante anos trabalhou na recuperação de dependentes químicos (Foto: Arquivo/LÊ)

Schettini: Grandiosa parte da violência tem raízes na desigualdade. Isso tem qual cura social?

Hildebrandt: Santa Catarina e cidades como Blumenau, embora ainda tenham desigualdade, já dão uma demonstração ao país de que desigualdade se combate com muito trabalho, público e privado. Combate à corrupção que desvia os recursos dos investimentos em saúde, saneamento, educação, que geram oportunidades de crescimento profissional e, consequentemente, econômico. Santa Catarina tem números que se destacam no país e em Blumenau eles são ainda melhores, com índices de desigualdade ainda mais baixos. Somos provavelmente o Estado mais igualitário do país, portanto, respondendo sua pergunta: sim, desigualdade tem cura e é nosso dever, enquanto Gestores Públicos, trabalhar muito em busca desse objetivo.

Schettini: O presidente Bolsonaro se diz evangélico, mas defende tortura e armar todo mundo. Isso aumenta ou diminui a violência?

Hildebrandt: A violência no Brasil atingiu números absurdos. São mais de 57 mil homicídios por ano. Somente algumas guerras provocam estes números. Todos os brasileiros concordavam que algo deveria ser feito. O ministro Sergio Moro defende, não só a liberação de armas para mais alguns segmentos da sociedade, bem como uma série de medidas para tentar diminuir a violência e combater o crime organizado. Este pacote de medidas busca exatamente diminuir estes números, que destroem famílias brasileiras, combatendo o tráfico de drogas e o crime organizado que estão na base da violência em nosso país. Como cristão que sou, não sou a favor da violência e entendo que a função do Estado, impressa na Constituição Brasileira, é exatamente coibir a violência. Vamos aguardar os números e ver se conseguimos reduzir este grande flagelo do Brasil.

Schettini: O senhor é evangélico ou cristão?

Hildebrandt: Temos que lembrar que estas duas palavras têm a mesma fonte, a mesma origem. Me considero cristão e evangélico e busco viver na prática esses ensinamentos de uma vida honesta, zelosa pela família e enquanto homem público, fazer um governo justo conforme a Palavra de Deus fala. Como prefeito, participo, converso e conheço os líderes e frequentadores de várias religiões, inclusive a católica, porque acredito que a fé em Deus e o seguir Sua palavra é a base de uma sociedade mais justa, igualitária e com mais paz. Todas as religiões quando trabalham pela compreensão, pela comunhão e respeito entre os homens são muito importantes para o equilíbrio social. A Palavra de Deus diz que “quando o justo governa, o povo se alegra” (Provérbios 29:2). Dentro desse preceito busco fazer o melhor a cada dia para minha cidade. Que Deus nos abençoe para que, dentro de Seus ensinamentos e guiados por Sua Palavra, sigamos trabalhando e fazendo o melhor por Blumenau.


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