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Entrevista | Próximo de Bolsonaro, Kennedy Nunes se diz mais preparado para disputar a Prefeitura de Joinville

Por: Marcos Schettini
07/01/2020 16:17
Sérgio Rocha

Inspirados no ex-presidente dos EUA, John Kennedy, os pais do deputado estadual Kennedy Nunes batizaram o filho sem ter a mínima ideia de que ele se tornaria um político influente. Completando 50 anos no próximo dia 16, o parlamentar de Joinville está no quarto mandato na Assembleia Legislativa. Líder na Igreja Assembleia de Deus, Kennedy possui bandeiras contra às drogas, violência contra às mulheres e prevenção ao suicídio e automutilação. Com estes temas, presidiu a União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale) em 2019, percorrendo o Brasil e vários países, se ausentando, às vezes, na Alesc. Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Marcos Schettini, criticou a gestão do governador Moisés, falou sobre sua ida para o Aliança Pelo Brasil e disse que povo considera Udo Döhler o pior prefeito da história de Joinville. Sem sucesso nas eleições municipais de 2004, 2008 e 2012, quando disputou para prefeito, Kennedy se diz mais preparado para governar a maior cidade de Santa Catarina. Confira:

Marcos Schettini: Qual sua avaliação de 2019 em Brasília e Santa Catarina?

Kennedy Nunes: São dois movimentos antagônicos. Brasília foi protagonista para facilitar a vida do cidadão, fazer as reformas que precisavam ser feitas, com iniciativas do Governo Federal. Já em Santa Catarina, aconteceu o inverso, o Governo do Estado enviou para a Assembleia Legislativa projetos que prejudicavam, e muito, o setor industrial e a comunidade em geral, isso reflete um governo sem preparo para estar à frente de um Estado como o nosso. Mas como esses projetos precisavam do aval dos deputados, muitos deles, nós conseguimos reverter.

Schettini: O efeito de 2018 no processo estadual pegou todos de surpresa. Vai seguir assim em 2020 nas municipais?

Kennedy: Entendo que essas mudanças abruptas tem um ciclo. No Brasil e no Estado houve uma mudança do eleitor para a ruptura total. Creio que em SC, nas eleições municipais, será diferente, pois a aposta (cegamente) que foi feita em 2018, elegendo um nome desconhecido, refletiu num cenário ruim para nosso Estado. Entendo que o eleitor vai continuar buscando mudança, mas agora não em um nome desconhecido como aconteceu com Carlos Moisés, mas sim uma mudança com um nome de alguém que ele já conheça e sabe o histórico.

Schettini: A Alesc vive um sentimento de cobrança da sociedade com os gastos. Por que esta ofensiva?

Kennedy: A população exige cada vez mais transparência na gestão do dinheiro público. Existe uma cobrança muito grande por aqueles que não conhecem o funcionamento da gestão pública e criticam todo o processo. Particularmente, já tive colegas deputados que falavam uma coisa na campanha e depois de eleito perceberam que precisariam de uma disposição de tempo muito grande para percorrer o Estado, o que gera custos, e eles não tinham essa noção. A população questiona quando há gastos e não vê resultados, e está correta toda cobrança. A máquina que trabalha mais, acaba gastando mais, porém há reflexo de retorno positivo para a população.

Deputados são iguais a taxistas ou motoristas de Uber, se ele ficar em casa, não vai gastar nada, porém também não ganha nada. Por outro lado, se sair de casa para trabalhar, vai gastar e também vai ganhar com a sua produção.

Schettini: Quando Carlos Moisés ignora Raimundo Colombo na inauguração da Hercílio Luz, o que ele mostra?

Kennedy: Além de não ser republicano, mostrou o contrário do que o partido dele dizia, que seria de uma geração nova, sem partidarismo. Colocou apenas os “amigos do rei” lá em cima. Partidarizou a inauguração de uma ponte que é símbolo para Santa Catarina e quis viver esse momento sozinho como se ele fosse o único.

Schettini: O Sr. busca assinaturas para construir o Aliança Pelo Brasil. Já está fora do PSD?

Kennedy: A minha saída do PSD já está comunicada desde o início do ano por uma decisão minha. Já tenho a carta de liberação assinada pelo Gilberto Kassab (presidente nacional) e pelo Milton Hobus (presidente estadual) e estávamos em uma conversa com outros partidos, dentre eles o Democratas.

Mas quando surgiu a ideia do partido Aliança, eu decidi ir por esse caminho. Tive a oportunidade de conversar com o Bolsonaro, mesmo antes dele ser eleito. Acredito e confio nas propostas dele, na forma como ele lida com o Governo, e decidi ir por esse caminho porque sei que o Carlos Moisés não estará nesse partido.

Para Santa Catarina, as pessoas vão perceber que o Bolsonaro continua o Bolsonaro, e o Carlos Moisés apenas entrou na “Onda Bolsonaro” e aproveitou-se da oportunidade, mostrando que ele nunca foi, de fato, apoiador do Bolsonaro. Agora o eleitor vai saber que o Carlos é apenas o Carlos e o Bolsonaro é o Bolsonaro.


Deputado Kennedy Nunes com o presidente Jair Bolsonaro, durante solenidade em Brasília (Foto: Divulgação)

Schettini: O senhor não estaria disputando com os deputados Ismael dos Santos e Geovania de Sá o controle dos evangélicos?

Kennedy: Nunca existiu esse tipo de controle e essa disputa dentro da igreja. A Geovania continua com o seu partido (PSDB), o Ismael continua no PSD e não demonstra que quer sair. Eu apenas busquei espaço em outro partido para concorrer as eleições municipais em Joinville.

Schettini: O efeito de destruição interna do PSD em 2018 tem quais consequências agora e no futuro?

Kennedy: O PSD viveu um momento em que outros partidos também viveram (PT, MDB, Arena, PSDB), quando um grande partido fica um grande tempo no mandato do governo e em seguida ele perde, esse processo de deterioração é normal, agora as consequências disso não é apenas para o PSD.

Todos os partidos deverão se reinventar, pois a nova geração requer mudanças em posicionamentos. Essa nova geração que vai votar em 2022 é totalmente diferente do que nós vimos até agora nos últimos 50 anos.

Nós temos três áreas do cérebro: trombo central, córtex e límbico. Essa nova geração vem com uma quarta área de pensamento que é uma supraconsciência. A geração de 0-15 não quer ter carro, pois existe o Uber; não quer ter uma casa, pois prefere viajar; ela não precisa de um emprego fixo, basta que tenha uma função e que lhe permita ter liberdade.

Por essa nova geração, com um quarto nível de consciência, vai impor aos partidos, aos políticos e ao sistema, uma nova forma de pensamento que possam adaptar as necessidades delas.

Schettini: O senhor é candidato a prefeito de Joinville?

Kennedy: O tempo só está me fazendo ficar melhor. Os cabelos brancos e os 50 anos me faz ser um homem mais preparado e ponderado do que quando fui candidato em 2012.

Schettini: O prefeito Udo Döhler não é injustiçado em sua gestão? Por que ele é tão atacado?

Kennedy: É fácil responder para quem mora em Joinville. Os moradores enxergam uma cidade abandonada, uma cidade fria e sem alegria. Costumo dizer que reflete a própria casa do prefeito. Quando vê uma casa arrumada, a cidade é arrumada. Quando vê uma casa desarrumada, a cidade é o reflexo. O prefeito de Joinville fez duas gestões ruins, e o povo diz que ele conseguiu ser o pior prefeito que Joinville já teve.

Schettini: O senhor entregou agora a presidência da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale). Que experiência Santa Catarina viveu?

Kennedy: Vivi uma experiência extraordinária, percorrendo o Brasil inteiro levando os temas “Suicídio e Automutilação, Combate à Violência contra as mulheres e Implementação do Sistema Único de Segurança Pública”. Foi um enriquecimento pessoal gigantesco. Em Santa Catarina tivemos um exemplo muito importante, em Caçador, onde o prefeito colocou um sistema de monitoramento da rede municipal em relação a esses problemas, virou referência e está dentro das propostas de políticas públicas em que vamos entregar ao presidente Bolsonaro por esses dias.

O Brasil está vivendo uma epidemia com esses temas (suicídio e automutilação, combate à violência contra as mulheres), muitas entidades, igrejas, comunidades estão buscando fazer alguma coisa para ajudar, porém não há um sistema integrado, o que acaba dificultado o avanço no combate.

O que conseguimos fazer durante o ano de 2019, é ter uma visão e um mapeamento no Brasil inteiro sobre esses assuntos, e vamos levar ao presidente Bolsonaro soluções para serem implementadas políticas públicas acerca desses assuntos.

Foi um ano extraordinários, onde tive a compreensão dos colegas e dos catarinenses que entenderam a minha ausência e a importância do nosso trabalho.

Schettini: Drogas, automutilação e suicídio são bandeiras que o senhor levanta. O que faz um ser chegar a estas violências?

Kennedy: Drogas é uma questão diferente, apesar de ser uma doença, às vezes é uma consequência de alguém que uma pessoa passou.

Mas a automutilação e o suicídio são de fato uma doença, que está na patologia da saúde mental. Precisamos entender que, quando alguém diz que está com depressão, não é besteira, não é falta de “terreno para capinar”, é realmente uma doença, como um câncer, uma gripe, que precisa ser tratado. Meu maior problema é quebrar o tabu dentro das igrejas de que depressão não é coisa do demônio, mas sim uma doença.

Assim como eu digo que quem está com cárie deve procurar um dentista, quem tem depressão deve procurar psiquiatra ou psicólogo. É uma jornada que continuo conversando com pais, adolescentes e grupos, levando informação e conhecimento.

Já tive vários depoimentos de jovens que, pela minha palestra, eles mudaram a vida deles e de muitos que estão ao seu redor. Temos em nosso estado profissionais de saúde mental prontos para realizar o atendimento necessário, como nos CAPS.

Com o veto que derrubaram em Brasília, as escolas também terão que ter psicólogos, o que é um avanço para o combate a essa epidemia. O mais importante de tudo é descobrir a causa e tratar como uma doença e não como algo diferente disso.


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