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Entrevista | Mario Cezar de Aguiar vê cenário econômico positivo em 2020 e pede atenção à infraestrutura de SC

Por: Marcos Schettini
27/01/2020 16:45 - Atualizado em 27/01/2020 16:49

Empresário reconhecido no ramo da Construção Civil, Mario Cezar de Aguiar tem décadas de dedicação ao setor e em entidades de classe. Com know-how importante para presidir a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), com a formação em gestão empresarial pela Pennsylvania State University, nos EUA, Mario tem defendido importantes bandeiras para o setor industrial catarinense, pleiteando necessários e urgentes investimentos públicos na infraestrutura do Estado.

Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Marcos Schettini, o presidente da Fiesc observou 2020 com entusiasmo econômico, pediu mais diálogo entre poderes e entidades, falou do papel social do Sesi e Senai e lembrou da importância de um mercado interno fortalecido. Confira:

Marcos Schettini: Qual é o cenário que o senhor vê em 2020?

Mario Cezar de Aguiar: Iniciamos o ano com boas perspectivas e otimismo em relação à economia. O ano de 2019 foi positivo, especialmente para Santa Catarina, que obteve um crescimento de 2,2% da sua atividade econômica e a expansão do emprego superior aos últimos dois anos. Apesar da queda nas exportações, a carne de suína apresentou aumento de 35% em relação ao ano de 2018. Há indicativos de que o consumo interno já voltou a ter capacidade de movimentar a economia. Os índices mostram a força da nossa economia e como a indústria tem um peso importante nessa recuperação. O Brasil também apresenta sinais de recuperação econômica, com o aumento dos índices de emprego e renda. Por conta deste cenário, os empresários estão confiantes de que o consumo terá uma aceleração em 2020. À exceção do final de 2018, que foi um ano de eleição, a confiança do empresário industrial nunca esteve tão alta e as intenções de investimentos acompanham esta expectativa.

Schettini: Como o senhor define o dólar hoje?

Mario: A corrente de comércio é um elemento de grande peso para a economia catarinense, mais aé que a média brasileira. O dólar tem importante influência nisso. Flutuações no câmbio sempre vão existir, assim como as instabilidades no comércio internacional, que já estão no cotidiano dos exportadores. Mas, para a indústria catarinense, o mercado interno também é muito importante e, para que ele se fortaleça, é fundamental criarmos um ambiente interno mais favorável, por isso as reformas em curso são fundamentais. Com uma legislação modernizada, simplificada, permitindo a segurança jurídica, conseguiremos também competir em melhores condições com os concorrentes internacionais.

Schettini: Qual é o maior desafio que os empresários da indústria têm pela frente?
Mario:
Há uma série de desafios no ambiente de negócios que afetam negativamente o bom desempenho da indústria. Um dos principais é a precariedade da infraestrutura de transporte que não condiz com o dinamismo da nossa economia. Com o objetivo de contribuir para a busca de uma melhoria da eficiência logística, lançamos anualmente uma agenda com as demandas catarinenses. A publicação de 2020, apresentada em dezembro de 2019, estima que Santa Catarina necessita de R$ 11,5 bilhões no período entre 2020 e 2023 para manutenção, modernização e ampliação da matriz de transporte. Defendemos a realização de um planejamento logístico sistêmico e integrado da logística, considerando as peculiaridades e a pujante atividade industrial catarinense. Esta medida é importante para construir um banco de projetos, definir prioridades e permitir a atratividade para o investimento privado. É também objeto de preocupação a gestão das obras. Acompanhamos, pontualmente, a execução de 40 obras de infraestrutura de transporte que totalizam R$ 5 bilhões. Destas obras, 97% estão com o prazo previsto em edital expirado ou com o andamento comprometido.

Tratamos desse assunto tanto com o governo estadual quanto com o federal. Em outubro passado, por exemplo, tivemos audiência com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e solicitamos o esforço do governo para inserir o Estado no planejamento logístico nacional, ampliar investimentos da União destinados a Santa Catarina, assim como melhorar a gestão das obras.

Acompanhamos também a execução do orçamento da União e demonstramos que, historicamente, Santa Catarina não tem sido devidamente contemplada com investimentos federais. Esta realidade não é compatível com a contribuição do Estado para o país em termos de geração de impostos, emprego e renda. Investir em Santa Catarina é uma questão de justiça e inteligência, quando os resultados são positivos e imediatos.

Schettini: A Fiesc tem vários programas. Qual deles é o mais importante?

Mario: O objetivo de nossa atuação é garantir a competitividade do setor e construir condições favoráveis para o seu desenvolvimento. Dentre os vários temas, destacamos ações e projetos visando à melhoria da infraestrutura, o incremento da corrente de comércio internacional, da inovação tecnológica, e da inclusão de pessoas e empresas na nova ordem mundial.

Estamos sempre atentos às questões que repercutem na atividade. Nosso lema é: Indústria forte é desenvolvimento. Acreditamos que a defesa do setor beneficia diretamente toda a sociedade, garantindo emprego, renda, além de outros benefícios socioeconômicos. Quando cobramos por rodovias mais seguras, humanizadas e eficientes, sabemos que toda a sociedade se beneficia com a redução dos índices de acidentes e óbitos. Na área de educação, a atuação da Federação, por intermédio do Sesi e do Senai, não só capacita a força de trabalho para a indústria, como para todos os setores. Este conhecimento fica incorporado nas pessoas, permitindo ampliar substancialmente as perspectivas de emprego, melhoria da renda e da qualidade de vida.

Mario Cezar de Aguiar inicia o terceiro ano na presidência da Fiesc com importante bandeira em defesa da infraestrutura catarinense (Foto: Fiesc)

Schettini: O que difere as relações públicas da participação política? É regra da Fiesc?

Mario: Vejamos, o fato de que uma entidade de representação não deve apresentar uma bandeira partidária, não quer dizer que ela deve estar avessa ao tema. A política é um importante instrumento da democracia. É por meio dela que construímos os rumos do nosso país.

Nos últimos tempos, temos observado o aumento da participação de cidadãos nas questões que envolvem a sociedade e a política. A internet permitiu uma aproximação sem precedentes dos cidadãos com parlamentares. Mesmo havendo alguma polarização, esta condição traz ao cidadão a possibilidade de manifestar seus anseios e frustrações e o que é mais importante: cobrar pela maior transparência e integridade dos gestores públicos. E esta tem sido nossa atuação na política, com diálogo e base técnica na defesa do setor.

Temos observado também o aumento da participação de empresários nos cargos públicos, inclusive em Santa Catarina. Acreditamos que esta realidade é muito positiva, quando os mesmos podem contribuir com a maior eficiência da gestão pública, incorporando as boas práticas da iniciativa privada, o que representa ganhos para toda a sociedade.


Schettini: Os Poderes Legislativo e Judiciário têm vivido uma difícil relação com o Executivo. O que isso dificulta para o PIB de SC?

Mario: O foco principal dos poderes constituídos deve ser o interesse comum dos cidadãos. Por isso, defendemos o constante diálogo, tecnicamente fundamentado e harmonioso, como variável fundamental para o desenvolvimento socioeconômico do Estado. Divergências são comuns e próprias de regimes democráticos, porém o que deve ser prioritário é o interesse da sociedade como um todo.

Schettini: Carlos Moisés vive se distanciando de entidades e lideranças. Isso fortalece o pedido de impeachment do governador? O que o senhor pensa disso tudo?

Mario: Não há nenhuma correlação. Entretanto, de fato, seria importante termos um diálogo maior com o Poder Executivo. A Fiesc pode contribuir em muitas áreas quando prima pela fundamentação técnica, e sugere medidas e ações para resolver as dificuldades da indústria, que afetam a sociedade como um todo.

Nossos posicionamentos e contribuições não têm como objetivo de impor esta ou aquela medida, ou de criticar a gestão deste ou de qualquer outro Governo. Também não temos a expectativa de que o Governo concorde sempre com nossas propostas. Acreditamos, sim, que temos o direito de sermos ouvidos. Isso é o mínimo que podemos esperar se considerarmos a importante participação da indústria na geração de emprego e renda e no desenvolvimento socioeconômico do Estado.

Schettini: Ele não conversa com a Fiesc, Fecomércio, FCDL, Facisc, Fetrancesc, entre muitas. Isso não é um recado de isolamento?

Mario: Como mencionado anteriormente, para o benefício de todos, é essencial que haja um diálogo harmonioso e tecnicamente fundamentado entre os poderes constituídos e a representação da sociedade organizada. Nossas relações com as Secretarias da Fazenda, Agricultura e Educação têm sido as melhores possíveis. Da mesma forma, mantivemos sempre um diálogo profícuo tanto com a Assembleia Legislativa quanto com o Poder Judiciário.

No início da gestão do Governo Moisés, por exemplo, tivemos algumas divergências em relação aos incentivos fiscais. Porém, ao longo do tempo, por intermédio de muita discussão, sustentação técnica e mobilização, chegou-se a uma solução que atendesse aos interesses do Estado e do setor. Esta é uma constatação de que deve prevalecer sempre o diálogo. No contexto, nos colocamos sempre à disposição para contribuir com estudos, análises técnicas e posicionamentos, que, aliás, podem ser instrumentos importantes para o processo de decisão e uma boa gestão de qualquer governo.

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