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Entrevista | Somos um governo realizador, diz Clésio Salvaro ao ajustar contas da Prefeitura de Criciúma

Por: Marcos Schettini
28/02/2020 17:00 - Atualizado em 28/02/2020 17:03

Com o nome na urna nas últimas quatro eleições municipais de Criciúma, Clésio Salvaro tem se consolidado como forte liderança do PSDB em Santa Catarina. Prefeito da maior cidade do Sul do Estado, também venceu as eleições de 2008 e 2012, mas nesta última houve impedimentos judiciais que fizeram com que exercesse apenas por 40 dias em 2015, após liminar do Supremo Tribunal Federal.

Com dois mandatos de deputado estadual, Clésio Salvaro agora tem todos os requisitos para disputar a reeleição, inclusive com aval da Justiça, que não entendeu a eleição de 2016 como reeleição. Articulado e com diversos argumentos de transformação da Capital do Carvão, em entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini, ele falou sobre o cenário político brasileiro e catarinense, diz acreditar que o eleitor está mais amadurecido e que o PSDB está se organizando após o susto de 2018. Confira:

Marcos Schettini: Qual sua avaliação do Brasil e Santa Catarina neste momento?

Clésio Salvaro: O brasileiro estava muito cansado de tudo o que vinha acontecendo nos bastidores da política nacional. Muita corrupção em todas as esferas, falta de compromisso com a gestão, falta de compromisso com o Brasil. Isso despertou a revolta em massa da população, que, de forma firme e coerente, na base do voto, mostrou para a classe política que são as pessoas que comandam o país. Hoje, as mudanças nos altos escalões do Executivo, Legislativo e Judiciário, estão sendo colocadas à prova. O Brasil vive momentos de evolução, mas também de incertezas. Assim como nosso Estado. Todos nós temos que acompanhar, fiscalizar, trabalhar e ajudar o Brasil e Santa Catarina a se tornar lugares melhores para se viver.

Schettini: Como o senhor vê o desgaste do pedido de impeachment do governador nas eleições de outubro?

Salvaro: Todo o processo de impeachment precisa ser analisado com cautela. Santa Catarina não deve ser prejudicada por uma possível ação de impeachment apenas por motivos de espetacularização. Devem ser tratados com profunda reflexão e responsabilidade. Santa Catarina está caminhando para se consolidar como uma das cinco principais economias do país e não pode entrar em um momento de instabilidade econômica e política, sem, claro, uma acusação gravíssima, que indique má conduta, dolo, desvio de dinheiro público e má fé. A desestabilização da gestão pública leva a consequentes prejuízos e atrasos no desenvolvimento do Estado.

Schettini: O processo eleitoral de 2020 tem algo a ver com 2018?

Salvaro: Acredito que o eleitor está muito amadurecido. Isso mostra que o Brasil está no caminho certo. Acho sim, que é um processo de continuidade. O primeiro impacto era necessário para causar um abalo na estrutura viciada, corroída pela corrupção, maus gestores e incompetência que imperava. Agora, partimos, na minha visão, para um momento seletivo. O eleitor começa a perceber o cenário com aqueles gestores públicos que promovem e criam ambientes para efetivação de resultados. Apenas dessa maneira, escolhendo políticos que se preocupam com boa gestão de recursos, de pessoas e focados na inovação, é que o país vai avançar.


Schettini: Sua reeleição é baseada em qual histórico para convencer o eleitor?

Salvaro: Nunca fiz política preocupado com um “superplanejamento” antecipado, pensando em carreira e poder, perpetuação. Sempre acreditei que a boa política, com resultados e gestão eficiente, gerariam para o público, a percepção adequada de quem merece exercer a função. A política partidária, necessária, claro, para que haja o caráter organizacional, como em qualquer empresa, só existe quando as políticas públicas é que são o carro-chefe do processo. Meu estilo é esse. Buscar o resultado, atingir a expectativas de pessoas e, essas, com a percepção das nossas equipes de trabalho, escolhem ou não se devemos estar no cargo.

Schettini: Quais são os investimentos que o senhor vê como singular para fortalecer a cidadania?

Salvaro: Cidadania. Palavra que gosto. Condição da pessoa que, como membro de um Estado, se acha no gozo de direitos que lhe permitem participar da vida política. Eu quero sempre promover a cidadania externando aquilo em que acredito, liberdade de expressão, econômica, de credo, de ir e vir, de escolha, de imprensa, e onde a justiça funcione e valha para todos. Vou ser sempre desses, que defendem a democracia.

Prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, ao lado da sua ex-secretária e deputada federal Geovania de Sá (Foto: Divulgação)

Schettini: O PSDB quase sucumbiu na eleição passada. O que anima seu partido em 2020 para pensar 2022?

Salvaro: Acho que animação não seria bem a palavra, pois quem vive o ambiente público sabe que esses são cenários que podem acontecer. Todos foram tomados de surpresa na eleição passada. Empresários, trabalhadores, governantes em exercício ou aspirantes ao cargo, mas, principalmente, todos os partidos políticos. Sem exceção. O PSDB, assim como os demais, está buscando ampla reorganização, ouvindo mais as pessoas, entendendo quais direções o país precisa seguir e, a partir daí, conduzir essa reaproximação com o eleitor. Sempre, numa relação direta e honesta.

Schettini: João Doria entrou e saiu da prefeitura para o governo e, agora, e quer fazer o mesmo de olho na Presidência? Isso é política precoce?

Salvaro: As pessoas julgam mau, na minha opinião, o governante que é levado a servir em cargos superiores, mesmo estando no meio de um processo de gestão. Como em uma empresa, o estagiário recebe oportunidades para uma contratação. Esse, depois de contratado, pode galgar a um cargo de chefia. Não obstante, em meio a tantos projetos e conduzindo equipes diversas, recebe outro chamado para assumir um posto superior. No poder público, um governante que apresenta grandes capacidades, pode sim, ao meu ver, ser chamado para uma missão maior caso o seu Estado, ou seu país, precisar. E esse chamado não pode ser desconsiderado. Acredito apenas que, como na gestão privada, a função anterior tem que continuar em boas mãos, com líderes que mantenham o trabalho no ritmo de excelência.

Schettini: A deputada Geovania de Sá tem corrido SC ao lado de Gelson Merisio. É o projeto do partido para a majoritária de 2022?

Salvaro: Geovânia de Sá é uma revelação na vida pública. Começou conosco como secretária de Assistência Social, é um nome querido em Criciúma e no Estado e, hoje, uma das nossas principais representantes na Câmara Federal. Ela, até pela função que exerce no partido, tem que percorrer Santa Catarina promovendo a unidade, os novos momentos que a política pública exige, ouvindo as pessoas e encontrando parceiros para um projeto futuro. Gelson Merisio é um homem experimentado e disposto a ajudar Santa Catarina. Um amigo particular. Sobre a construção desses projetos, é como numa obra. Feita por etapas. Não é possível colocar o telhado sem antes firmar o alicerce e erguer as paredes.

Schettini: O seu interesse de coligação ideal para sua reeleição é com quais partidos?

Salvaro: Acredito que o mais importante na hora de formar um grupo é a busca por pessoas que queiram construir uma cidade melhor. As siglas partidárias são importantes porque fazem parte do processo burocrático e indicam o posicionamento de como pessoas que se sentem aptas a gestão pública, pensam e agem. Mas a experiência de quem sabe fazer, a habilidade de quem é técnico, o pensar estratégico de quem planeja, a proatividade de quem nasceu para liderar e a energia de mentes mais jovens serão fundamentais nessa composição.

Schettini: O Ministério Público afronta mais o Executivo que o Legislativo? Por quê?

Salvaro: Acredito que os poderes precisam respeitar os limites uns dos outros. Acredito na força do Ministério Público, temos, inclusive, muitos projetos em parceria com o MP. De fato, em alguns casos pelo Brasil, temos percebido intervenção de alguns poucos promotores no processo do Executivo e Legislativo. Talvez pela ânsia de buscar as respostas rápidas, o que é totalmente natural e compreensível. Mas em outras ocasiões, a intervenção pode se confundir com tentativa de governar ou legislar por quem foi incumbido dessa missão. E isso, é inadmissível.

Schettini: Em que o governo Clésio Salvaro acertou e errou neste mandato?

Salvaro: Difícil julgar o exercício de governar para as pessoas, quando você é o centro das decisões. A profissão de prefeito, às vezes, é muito solitária. Mesmo que uma equipe técnica e competente te ajude, a decisão final sempre é sua. E isso interfere na vida de muitas pessoas. Acredito que somos um governo realizador, conseguimos ajustar uma prefeitura quebrada, com mais de 170 milhões de reais em dívidas, e levá-la ao conceito B para conseguir o direito a acessar a um financiamento internacional para nosso projeto de mobilidade urbana, que aconteceu recentemente. Investimos em ginásios e escolas, fizemos a UPA de Criciúma, outras tantas Unidades de Saúde. Mas também apostamos na prevenção e saúde pela qualidade de vida, com a construção de três grandes parques. Hoje, pavimentamos e recuperamos quase 800 ruas nesse mandato. Rasgamos a cidade com a obra do Canal Auxiliar, hoje avançando mês a mês, e reduzindo o problema das cheias. Fizemos muito, mas não fizemos tudo. Erramos também, pois a cidade é um organismo vivo e, às vezes, priorizamos ações que, talvez, naquele momento, não fossem as mais importantes. Mas aprendemos a lidar com os erros, mantendo o compromisso de não mais repeti-los. Estamos no caminho certo.


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