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Entrevista | Dário Berger se diz disposto para 2022 e vê ingratidão de prefeitos cooptados pelo PSL

Por: Marcos Schettini
29/02/2020 14:31 - Atualizado em 29/02/2020 19:52

Prefeito reeleito em São José e Florianópolis, o senador Dário Berger tem priorizado os trabalhos em Brasília e apenas observa as movimentações partidárias em Santa Catarina. Presidindo a importante Comissão de Educação, Cultura e Esporte no Senado, o emedebista é um dos principais e mais articulados nomes para a majoritária em 2022 em Santa Catarina. Derrotado pelo deputado federal Celso Maldaner na eleição interna pela presidência do MDB/SC, diz não ter abandonado as decisões partidárias.

Em entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini, o senador falou de eleições 2020, elencou razões para o susto de outubro de 2018 e avaliou os nomes de Antídio Lunelli e Udo Döhler como promessas políticas. Ainda, condenou a cooptação de prefeitos realizada pelo PSL, sob tutela do governador Carlos Moisés da Silva, o que intitulou de “abuso de poder político”. Confira:

Marcos Schettini: Por que o senhor ficou todo este tempo silencioso e distante das discussões do partido? Foi por causa da eleição que elegeu Celso Maldaner presidente do MDB?

Dário Berger: Nunca deixei de participar das decisões partidárias. Eventualmente estava menos ou mais envolvido.

Schettini: Os ulyssistas perderam a eleição de 2018 ou foi um recado geral?

Dário: Acho que uma série de fatores influenciaram e foram decisivos nas eleições de 2018 aos quais destaco algumas: governos burocráticos e ineficientes; carga tributária elevada e serviços públicos de péssima qualidade; crise fiscal; desempregos; desigualdades sociais; burocracia; insegurança jurídica; judicialização da política e criminalização da política. O resultado foi desesperança, indignação e revolta. O povo queria mudanças e deu recado nas urnas.

Schettini: O senhor acredita em um movimento parecido em 2018 nas municipais de outubro?

Dário: Difícil prever. Porém, se formos buscar na história, fatos como estes não se repetiram. Além do que, eleição municipal é completamente diferente das eleições nacionais. Eleição municipal, as pessoas estão preocupadas com um projeto local. Estão preocupadas com a escola dos filhos, com o sistema de saúde para sua família. Enfim, a preocupação se volta para infraestrutura local. Sendo assim, acredito que as pessoas vão analisar com equilíbrio, serenidade e sensatez quais os candidatos estão mais preparados para administrar as cidades brasileiras e catarinenses.

Schettini: As movimentações do PSL, fazendo feirão em prefeitos, vices e vereadores, é normal?

Dário: Acho, sinceramente, muito anormal. Reprovável na forma de agir e sobretudo quanto as suas consequências. Não me parece ser um método aconselhável pela nova política. Além disso, isso é muito preocupante, porque pode ficar configurado o abuso do poder político, o que é lamentável e condenável em todos os aspectos. Ademais, me referindo agora aos cooptados, devo dizer que não se deve trocar de partido sem avaliar bem o cenário e, sobretudo, as suas consequências. Na política não tem lugar para oportunistas. E no rol das virtudes, a gratidão talvez seja a mãe de todas as virtudes. Quero registrar a minha decepção com dois prefeitos que foram seduzidos. Prefeitos emedebistas de Quilombo e de Jaguaruna, os senhores Silvano de Pariz e Edenilson Montini da Costa, respectivamente. Esses dois prefeitos foram os que melhores foram atendidos pela minha atuação como senador. O município de Quilombo recebeu, nos últimos anos, aproximadamente R$ 3,4 milhões. Já o município de Jaguaruna recebeu aproximadamente R$ 2 milhões. Gratidão não se compra e não se vende. Com a palavra os prefeitos de Quilombo e Jaguaruna.

Schettini: O senhor e o senador Esperidião Amin fizeram as pazes e podem estar juntos no futuro?

Dário: Eu e o Esperidião, já estivemos juntos, depois viramos adversários. Nessa longa caminhada da minha vida pública, já vi muita coisa acontecer, porém entre um traidor e um adversário, fico com o adversário.

Schettini: A eleição majoritária para as próximas estaduais tem muitos desafios porque não tem coligação nas proporcionais. O que muda?

Dário: Esse fator é consequência da reforma política aprovada por nós no Congresso Nacional no ano passado. Muda muito. Fim das coligações proporcionais representa ao mesmo tempo o fortalecimento dos partidos políticos e o fim dos partidos de aluguel. O Brasil não pode continuar convivendo com mais de 30 partidos políticos.

Schettini: Dário Berger é candidato a governador em 2022?

Dário: Eu me considero um sobrevivente, um vencedor, um guerreiro sempre pronto para o combate. Estou à disposição do meu partido. Se o partido me oferecer a oportunidade, estarei pronto para enfrentar os desafios.

Schettini: A Tríplice Aliança de LHS é um movimento possível ou morreu?

Dário: A Tríplice Aliança já aconteceu no passado e por que não poderá acontecer no futuro? Acho possível.

Schettini: Qual seu papel nas municipais em Santa Catarina e em Florianópolis?

Dário: Meu papel é de agradecimento ao apoio que recebi quando fui candidato a senador. Vou retribuir esse apoio ajudando a organizar as eleições municipais, motivando os candidatos para obtermos um grande resultado nas eleições de 2020. Ajudei e vou continuar ajudando nossos prefeitos e prefeitas com recursos do Governo Federal para obras, projetos e ações que dignificam a vida das pessoas que moram nos municípios catarinenses.

Dário Berger preside a importante Comissão de Educação, Cultura e Esporte no Senado (Foto: Pedro França/Agência Senado)

Schettini: O prefeito Antídio Lunelli, de Jaraguá do Sul, é um nome para qual espaço na majoritária estadual?

Dário: Antídio é um grande nome, um prefeito consagrado, um homem bem-sucedido. Uma grande alternativa para compor a majoritária de 2022.

Schettini: A saída de Mauro Mariani da vida pública coloca Udo Döhler na preferência?

Dário: A história se repete com Udo Döhler, prefeito reeleito da maior e mais importante cidade de Santa Catarina. Um homem respeitado, também bem-sucedido e consagrado. Testado e aprovado. Um nome perfeito para 2022.

Schettini: Falar de Julio Garcia, Gelson Merisio, Eduardo Pinho Moreira, Jorginho Mello, Raimundo Colombo e Gean Loureiro representa qual cenário amanhã? Quem é quem?

Dário: Pessoas que tem o meu respeito pelo que fizeram, pelo que representam e pelo que podem representar.

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