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Artigo | Decisões sobre o COVID-19 e os impactos na economia

Por: LÊ NOTÍCIAS
06/04/2020 10:36

*Por Cassia Ternus

Diante da situação delicada ocasionada em virtude da ampla disseminação do COVID-19 pelo mundo, diversas questões surgem no aspecto econômico. Estamos vivendo algo atípico e com consequências ainda difíceis de serem estimadas. Primeiro, porque não há clareza sobre o comportamento do vírus na nossa sociedade, tanto que em função de sua mutação não há como afirmar se o indivíduo contaminado desenvolverá imunidade ou não. Depois, os números disponíveis para o Brasil (casos, mortes) em decorrência do COVID-19 não são passíveis de comparação com outros países, porque estamos realizando poucos testes, ou seja, não temos diagnóstico para todos os casos, apenas para os mais graves.

Em função dos números ainda não serem alarmantes para o caso brasileiro, há a tendência de negligenciar os fatos. Talvez, essa seja uma possível explicação para a dificuldade em manter isolamento social, interromper atividades produtivas e imaginar que os impactos possam ser tão devastadores quanto previstos por algumas entidades. Neste ponto, precisamos recordar que o desenvolvimento do novo coronavírus costuma apresentar aumento exponencial (ou algo próximo a isso), de modo que o crescimento se torna expressivo em pouco tempo.

A meta coletiva deve estar centrada em evitar o colapso do sistema de saúde, tanto público quanto privado. Enquanto não conseguimos ampliar a capacidade do sistema, aumentar o número de testes para isolar a população contaminada, desenvolver vacinas para prevenção ou medicamentos para cura, o isolamento social parece ser a única alternativa.

Enquanto a discussão paira entre cuidar da saúde ou da economia, é preciso ter em mente que o problema econômico é a pandemia e não o governo. Trabalhadores informais, autônomos, pequenos empreendimentos - que em geral não possuem uma reserva financeira para passar por um período sem receita - são apontados como os mais prejudicados. Além destes, também, indivíduos em situação de vulnerabilidade social, especialmente porque, em geral, vivem aglomerados e não possuem as condições básicas de higiene, visto que estes são pontos essenciais para evitar a contaminação e transmissão.

A economia enfrentará dificuldades, mesmo que os governos liberem a retomada total das atividades. Isso acontece porque, com o cenário de incerteza e, possivelmente, em breve, de ampliação do número de infectados e mortes pelo COVID-19, as pessoas não irão consumir mais do que o essencial. Ainda, se houver o colapso do sistema de saúde, teremos uma perda significativa da força de trabalho, o pânico aumentará e a exemplo de outras países, haverá necessidade de um novo lockdown, desta vez por um período mais longo. Neste caso, o prejuízo econômico será ainda maior.

Mas, então, o governo não tem nada a ver com isso? Tem e não pode ser omisso. As estratégias governamentais para lidar com a situação serão decisivas para recuperação econômica, a proteção social deverá ser mais efetiva e precisará ser ampliada.

*Professora do curso de Ciências Econômicas da Unochapecó


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