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Entrevista | Líder de Governo, Paulinha reafirma honestidade de Moisés e diz que impeachment seria injustiça

Por: Marcos Schettini
16/05/2020 13:31
Bruno Collaço/Agência AL

Deputada com forte personalidade, Ana Paula da Silva é reconhecida dentro do Parlamento catarinense, conquistando a liderança do Governo Moisés na Alesc já no segundo ano do primeiro mandato.

Brizolista, Paulinha não recuou ao ser pressionada pelo PDT para não assumir cargo atribuído pelo governador Carlos Moisés, rebatendo críticas de lideranças históricas da sigla, como Manoel Dias, argumentando que o espaço ocupado não contrapõe com valores éticos e ideológicos.

Com experiência pública ao ser prefeita reeleita de Bombinhas, a pedetista tem pela frente um dos maiores desafios de sua história política, que é criar uma enorme ponte entre o Legislativo e Executivo para evitar que os processos de impeachment de Moisés avancem na Casa. Confira a entrevista exclusiva concedida ao jornalista Marcos Schettini:


Marcos Schettini: A Sra. assumiu a liderança enfrentando resistência do PDT. Por quê?

Paulinha: Primeiro, é importante que se diga que me surpreendi com a resistência. Porque o Manoel Dias, nosso presidente, tinha total conhecimento da nossa aproximação com o governo. E a decisão de aceitar o convite foi tomada em comum acordo com o deputado Rodrigo.

Naquele momento, atendi a um pedido do governador para auxiliar no diálogo com o Parlamento, apenas isso. Tarefa que em nenhum momento contrapõe valores éticos ou ideológicos, já que essa é uma atribuição em decorrência do mandato.

Por isso não cedi quando adversários internos do partido, que, ao perceber que não seriam beneficiados, pediram que eu largasse a liderança. Fui eleita para trabalhar por Santa Catarina. E ocuparei todos os espaços possíveis que possam trazer benefícios para população.


Schettini: Diante desta crise da pandemia e corrupção no governo, não seria momento de desembarcar?

Paulinha: Todos os governos enfrentaram crises e denúncias. É claro que não podemos defender o indefensável, e menos ainda deixar de cobrar responsabilidades de quem tem. Minha biografia não me permite fazer nada diferente disso, e por essa razão apoiamos a instalação da CPI. Mas a questão central para uma decisão como essa é: o governador está envolvido em algum ato de corrupção? Francamente, eu acredito que não. Se o Moisés tiver disposição de corrigir as fragilidades do governo, não vou me negar a ajudar. Estamos vivendo um momento de muitas incertezas, onde a intolerância toma conta das pessoas de uma forma nunca vista. Eu resisto, por princípio, a condenação precipitada de alguém. Meu compromisso maior é com a justiça, com o povo catarinense. E por isso continuo acreditando que o diálogo é a maior arma para combater os graves problemas que se avizinham em razão da crise. Precisamos, mais do que nunca, de união, de vozes lúcidas em favor de Santa Catarina.

Schettini: Carlos Moisés sempre repudiou conversar com os Poderes, entidades e sociedade. Agora não é tarde?

Paulinha: Em meu ver, nunca é tarde para o diálogo. E não sei se “repúdio” é a melhor palavra a se aplicar a essa situação. Moisés, pelo pouco que o conheço, me parece um homem mais reservado do que o normal, talvez mais reservado do que se esperaria de um governador. E a crise, pelas exigências do isolamento social, agravaram esse distanciamento entre os poderes, especialmente com o parlamento. Mas ele está muito disposto a mudar, a dedicar tempo qualificado para o diálogo. Importante dizer que a aproximação com os poderes depende exclusivamente do governador, porque as portas sempre estiveram abertas para ele. E acredito que continuam. A medida que o governador amplificar e exercitar o diálogo terá boas surpresas. Homens e mulheres de grandeza não são raros nesses ambientes.


Schettini: O pedido de impeachment do governador cresce nos Poderes e no desejo do cidadão. O que fazer para impedir?

Paulinha: Não podemos negar que o governo tem a sua confiança abalada junto da população, por conta desse trágico caso dos respiradores. Se afastar o governador em definitivo, olha, seria uma grande injustiça. Porque esse ato só se justificaria com o envolvimento direto do governador, e não há o menor indício que isso tenha ocorrido em nenhum dos episódios que classificam os pedidos de impeachment, pelo menos até o momento.

Penso que, em meio a pandemia, não é tempo para essas conclusões. Agora temos tarefas muito mais emergentes a tratar, como a recuperação econômica do estado, por exemplo. A medida em que a crise se arrefecer e os fatos forem esclarecidos, as responsabilidades apuradas, se o governo apresentar boas respostas, essa situação se resolve por si. Confio na responsabilidade do Parlamento para tomar a melhor decisão por Santa Catarina.

Deputada estadual e líder de Governo, Paulinha da Silva ao lado do governador Carlos Moisés e da primeira-dama Késia Martins na inauguração da UPA de Bombinhas, em 07 de março (Foto: Mauricio Vieira/Secom)


Schettini: A Sra. disse-se vítima de acusações infundadas e violência doméstica pelo seu ex-marido. Por que ele ataca agora?

Paulinha: A política é um ambiente muito hostil, muito cruel. E alguns adversários não têm o menor pudor em expor famílias, pessoas inocentes, para alcançar seus objetivos. Para os que não tem caráter, faz parte do jogo. A tal “velha política” continua por aí, mais nova do que nunca. Infelizmente.

O que me conforta é saber que ninguém que escolhe fazer o mal fica impune para sempre. As digitais se expõe ao longo do tempo. E a justiça divina nunca falha nessas situações.

Apesar das dores e tristezas que essa situação provoca a mim e em minhas filhas, aprendemos a superar. Não é a primeira vez que passamos por isso, e certamente não será a última.

Os que me conhecem sabem que o sofrimento só me faz mais forte. Como dizia Brizola, a boa vara enverga, mas não quebra jamais.


Schettini: A missão de ser liderança do governo derrubou os deputados Mocellin e Eskudlark. Qual será a sua?

Paulinha: O trabalho do líder depende exclusivamente das condições que o governo dispõe. E essas condições, no primeiro ano de qualquer governo, são muito apertadas, porque é o ano de chegada, de acomodação da equipe. Mocellin e Eskudlark sempre foram solícitos para com os colegas, e fizeram o máximo possível. Procuro seguir essa linha. Mas o desafio de agora não é menor. Tínhamos um planejamento de trabalho para esse ano muito legal, com abertura verdadeira ao Parlamento, em comum acordo com o governador, mas a crise interrompeu tudo isso. Agora é hora de, com muita serenidade, retomar medidas para o desenvolvimento de SC. E isso só será possível com a união dos poderes, de forma franca e amadurecida.

Não podemos viver um mundo fantasioso no governo, como se só as conquistas valessem a pena ser relatadas. O governo tem que olhar para as dificuldades da sua gente, do seu povo e se esforçar mais para superá-las. E o parlamento tem um papel fundamental aí.

Schettini: Como a Sra. vê o Governo Bolsonaro?

Paulinha: Um desastre. Decepcionante, para não dizer nada pior.

Lastimável que estejamos trocando o segundo ministro da Saúde ao meio de uma pandemia de proporções globais. Como brasileira, no entanto, torço que melhore. Porque a maior conta quem está pagando hoje são as pessoas mais humildes, as que precisam que o governo funcione.


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