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Líquido valorizado

Por: LÊ NOTÍCIAS
23/03/2017 09:18 - Atualizado em 23/03/2017 09:19

Imprescindível para a sobrevivência na Terra, a água teve seu dia nesta quarta-feira. Com isso, os governos estadual e federal prepararam longos e articulados textos para a imprensa contar à comunidade o que é que está sendo feito para proteger o tesouro natural. O líquido incolor e sem sabor, que pode ser doce, salgado, líquido, sólido ou gasoso, esteve em evidência e, após ter passado batido o ano todo, em 22 de março foi valorizado por todo canto, como aconteceu no último dia oito com as mulheres. As crianças saíram das escolas com uma gotinha de cartolina azul na mão; com uma redação no caderno; e, na ponta da língua, todas as formas de economizar ao escovar os dentes, tomar banho e até ao cozinhar – isso aos quatro anos.

Os professores, homens e mulheres que têm passagem direta para o céu, até tentam. Mas, em casa é mangueira aberta por todo lado; óleo de cozinha direto na pia; e esterqueira aberta no córrego. Lá em Brasília ou Florianópolis também é um constante acreditar que está dando certo. De 1 a 10 ou de A até Z. São incontáveis listas de como preservar a água. Mas, se nem os professores – com tanta moral para ensinar – não estão conseguindo, imagina eles – os políticos – com quem se deve aprender pouco, bem pouco. Ou, não somente a água, mas a ética coletiva escorrerá pelo ralo.

Clichê falar em preservar água e em político corrupto? Sim, assim como comemorar o 22 de março nas escolas e nas praças sempre da mesma maneira, essa que até as crianças já perceberam que não está funcionando. Por que é que em julho ou agosto o Governo do Estado não envia seus engravatados às salas de aula para contar o que está sendo feito com o imposto pago nas moedinhas trocadas por pirulitos? Logo cedo tinha manchete de que entre este e o ano passado foram repassados R$ 9,6 milhões para recursos hídricos no Estado para “ações de proteção e defesa, recuperação, estudos e manutenção”. Interessante é que os brasileiros alegram-se com quase R$ 10 milhões gastos com proteção e recuperação de algo que nos foi dado de graça e que não seria preciso comprar. Mas, no Brasil, até o metro quadrado do céu é preciso ser pago por quem vai construir um prédio, então não é de se estranhar o parcelamento divino da água.

Adianta pedir para fazer redação sobre a água; imprimir cartazes; rabiscar leis; e ainda gastar milhões para recuperar o resultado de toda essa campanha inócua? É porque professores e políticos não podem rir de “coisa séria” ou negarem-se a aclamar o líquido em praça pública, mas que é um verdadeiro teatro, no fundo, ninguém discorda. Peça terminada, todos voltam para suas casas onde banho bom é banho demorado; piscina boa é de 50 mil litros no quintal; e pegadas de gato só saem com mangueira aberta por horas todas as manhãs bem cedo. Mal sabem as crianças que o moço engravatado da TV – que ontem ensinou o bê-á-bá da preservação ambiental – hoje está viajando para Miami Beach para mergulhar nas únicas águas que realmente lhe importam. Melhor que não saibam mesmo, pois aí elas é que vão pedir mudança no roteiro de março e, afinal, quem é que consegue negar a um pedido de criança? É, pois é.


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