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Entrevista | Glauco Côrte defende financiamento industrial direto do Banco Central para setor preservar empregos

Por: Marcos Schettini
04/06/2020 11:19
Nilson Sebastian

Executivo reconhecido no setor industrial do Brasil, Glauco Côrte assumiu a vice-presidência da Confederação Nacional da Indústria em 2018 após dois mandatos do comando da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina.

Com vasta experiência como conselheiro de importantes empresas, Côrte aperfeiçoou seu conhecimento econômico e financeiro no American Graduate School of International Management (Arizona, EUA) e Globalizing the Brazilian Corporation pelo (IMD), em Lausanne, na Suíça, tendo know-how suficiente para colaborar com o setor industrial brasileiro na superação desta grave crise provocada pelo coronavírus.

Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Marcos Schettini, o empresário vê queda no faturamento, produção e produtividades das indústrias e observa que a disponibilidade de crédito é crucial para preservar empregos. Ainda, falou da falta de experiência do governador Carlos Moisés e das ações do Governo Federal para auxiliar os afetados pela quebra da economia, embora argumenta que as medidas financeiras encontram dificuldades para chegar nas fábricas. Confira:


Marcos Schettini: A realidade das empresas com a pandemia indica qual direção?

Glauco Côrte: É preciso lembrar que as empresas estavam saindo de uma grave crise e iniciando um processo de recuperação, quando foram surpreendidas pelo advento da pandemia. Sondagem da CNI revela queda no faturamento, na produção e na produtividade das indústrias.

Qual a saída? O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, alerta que “a hora de salvar as empresas é agora”. A disponibilidade de crédito é crucial. Também, a preservação, ao máximo, dos empregos. Para o crédito, a CNI propõe o financiamento direto do Banco Central, com a aquisição de títulos privados no mercado primário. Também, a ampliação dos financiamentos do BNDES, através da aquisição de debêntures.

Schettini: O presidente da República não abusa e ignora a pandemia?

Glauco Côrte: Independentemente da posição do presidente, o Governo Federal tem tomado muitas medidas voltadas para a preservação do emprego e para o atendimento emergencial das famílias mais vulneráveis. O problema é que planos não são planos a menos que sejam implementados. As medidas encontram dificuldades para chegar nas fábricas.


Schettini: Como o Sr. olha o momento atual e futuro do país?

Glauco Côrte: Os tempos são extremamente duros, mas não devem ser de pânico. O setor produtivo brasileiro já passou por outras crises (diferentes, é claro) e demonstrou capacidade de reação. O que atrapalha é o atual ambiente político e institucional. Angela Merkel [primeira-ministra da Alemanha] aprovou um programa de resgate da economia, no valor de 600 bilhões de euros. A mais drástica reengenharia alemã, desde a reconstrução do pós-guerra, sem oposição significativa. No Brasil, os ambientes são de oposição, contestação e, muitas vezes, de esbanjamento. Quando deveriam ser de união e austeridade. Os Poderes estão simplesmente desconectados.


Schettini: O governador Carlos Moisés ignorou entidades, instituições empresariais e Poderes paralelos. Por quê?

Glauco Côrte: Faltou experiência ao governador e ao núcleo central de sua equipe. Esperamos que as novas peças se movimentem no sentido da boa governança corporativa.

Schettini: Qual a saída contra a corrupção? Não é do cotidiano do Brasil?

Glauco Côrte: Manter firmeza no seu combate. Uma pequena fração de maus cidadãos utiliza esse ardil para enriquecer. Não representam, ao contrário, envergonham a sociedade.


Schettini: A democracia está ameaçada?

Glauco Côrte: Não acredito.


Schettini: A Fiesc completa 70 anos e tem o que a comemorar em um país atrasado e burocrata?

Glauco Côrte: A Fiesc é uma entidade de vanguarda, reconhecida em todo o país e entre as demais Federações pela relevância, seriedade e espírito inovador com que atua em defesa da indústria e do desenvolvimento harmônico de SC.


Schettini: O mundo vai para qual lugar depois de descobrir suas fraquezas nesta pandemia?

Glauco Côrte: Para onde vai, não sei. Mas sigo o Papa Francisco: “Neste momento, compreendemos a importância de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral”. (cita Laudato Si, em vida após a pandemia).


Schettini: Deus é brasileiro ou não olha para este chão?

Glauco Côrte: “Só existe um Deus, ele é o Pai, o Criador, o Autor, o Ordenador. Ele fez todas as coisas por si mesmo, isto é, pelo seu Verbo e Sabedoria, pelo Filho e pelo Espírito, que são como que suas mãos” (Sto. Irineu, CIC 292).


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