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Memórias do Campo | Sofrimento do coronavírus e um passado esquecido

Por: Luiz Dalla Libera
08/06/2020 09:42

Ficar em casa e outros cuidados gerais foram penosos para o povo enfrentar, no entanto, para mim não foi novidade e não tive dificuldades. Quando eu tinha 20 anos e morava no interior, fiquei mais de um ano sem ir à cidade. Mas a cada mês, eu ia à Missa e aproveitava a ocasião para cortar o cabelo, uma vez que alguns barbeiros trabalhavam aos domingos. Em uma véspera de Natal, fui atendido perto da meia-noite, quando se celebrava a Missa nessa hora e eu era cliente de Alfredo Martinique.

E as mulheres gestantes? Não apenas as recém-casadas, que alguns diziam que se casavam grávidas, a fim de não se envergonhar, também aquelas que já tiveram filhos, em início de gestação conforme a barria crescia, coitadinhas! Elas se escondiam dentro de casa, durante os nove meses de gestação. Elas não faziam como aquela famosa artista e apresentadora de televisão, que estava grávida e fazia seu trabalho de barriga descoberta.

Nos nove meses de gestação, não conhecia ninguém da área da saúde. Tudo isso eu fui testemunha, durantes as gestações das minhas duas filhas, minha esposa enfrentou esses períodos de ficar em casa. O nascimento também ocorria em casa através das parteiras. Posteriormente ao parto, durante os quarenta dias de regime, em italiano, dizíamos “quarantina”, só saía-se de casa para batizar os bebês.

Não que as mães ficassem afim de um melhor regime de saúde no período de quarenta dias, que era um hábito das nonas, pois uma semana depois de dar à luz, elas trabalhavam normalmente, com poucas roupas de agasalho especiais no inverno, a minha mãe comentava que passava os quarenta dias do regime de pés descalços. Por outro lado, elas tinham um cuidado grande no alimento. Aquelas penúrias não matavam nenhuma mulher, a minha mãe, ainda viveu 86 anos, isso é uma dádiva de Deus.

Algumas mulheres não tinham 100% de liberdade. Por exemplo, quando a vizinha ganhava neném, se estava nos dias de menstruação, não era permitido que se visitasse a mãe do recém-nascido, diziam que corria o perigo de a mulher perder o leite materno, porém, devia avisar que estava menstruada. Caso não avisassem, tinham que voltar e comer no mesmo prato, e dessa maneira, o leite não se perdia.

A história do comércio, indústria, trabalho de produção, que me lembro, foi da Chapecó Avícola, onde hoje funciona a Aurora, na planta industrial de Xaxim. Passamos épocas piores do que essa do Covid-19. A empresa não fazia entrega de pintinhos, ração, não abatia mais nada e o comércio tinha pouca venda, porque os clientes eram os produtores, empregados, transportadores e terceirizados, então, a economia chegou a zero. Foi um grande fracasso para a receita municipal. Depois de alguns anos, a diplomata deu outro golpe muito maior.

Em 1964, houve uma gripe muito forte, falava-se que era um tipo de gripe espanhola, como a que aconteceu em 1918. À época, foi uma epidemia mundial e após, houve outro mal, a febre amarela, a qual o Exército fazia a vacinação de prevenção, eu me lembro que com sete anos, recebi a primeira vacina. E os decretos das autoridades, será que foram respeitados?

Carlos Moisés, na campanha de 2018, dizia que não era aquela pessoa preparada para governar, mas pelo coronavírus, eu tiro o chapéu. Se ele nunca foi um político, concordo, mas por conta do Covid-19, ele é muito bem preparado. Que é a palavra mais importante da Pátria e do Brasil, há 1500 anos, logo após o descobrimento, a primeira missa foi realizada por Frei Henrique de Coimbra no meio dos povos indígenas.

Ao encerrar essa coluna, agradeço ao espeço cedido pelo Jornal LÊ NOTÍCIAS, para eu poder manifestar minhas memórias e opinião. Muitos não vão pegar carona na carruagem do coronavírus, não vão aparecer pais de criança e salvadores da criança, isso eu percebi no tornado de Xanxerê.


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